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Acabou pra Cuba

Oct 3
6 min read

Trump diz que fará com Cuba o mesmo que fez na Venezuela


ORLANDO, 22 de maio de 2026 — O governo de Donald Trump elevou significativamente a pressão contra o regime cubano nos últimos meses, numa estratégia que integrantes da administração americana passaram a comparar, ainda que informalmente, ao modelo utilizado contra a Venezuela. O movimento combina sanções econômicas, isolamento diplomático, ofensiva jurídica contra integrantes do regime e pressão sobre as estruturas militares e financeiras que sustentam o poder em Havana.

A mudança de postura ganhou força após a escalada das ações americanas contra o governo de Nicolás Maduro. Em discursos públicos e entrevistas, Trump passou a mencionar Cuba de forma direta ao comentar os próximos objetivos de sua política externa para a América Latina. Em março, durante um evento político nos Estados Unidos, o presidente afirmou que “Cuba é a próxima”, sugerindo que Washington estaria disposto a ir além das medidas tradicionais de contenção diplomática. A fala repercutiu imediatamente na imprensa internacional e provocou reações do regime cubano.

Embora a Casa Branca não tenha anunciado qualquer plano oficial de intervenção militar direta, o endurecimento das ações contra Havana é perceptível em diversas frentes. A principal delas envolve o estrangulamento energético da ilha. Durante décadas, Cuba dependeu do petróleo subsidiado enviado pela Venezuela. Com a intensificação das sanções americanas contra Caracas e contra empresas envolvidas no transporte marítimo de combustível, a capacidade cubana de importar petróleo caiu drasticamente.

O impacto foi imediato. Apagões em larga escala voltaram a atingir cidades cubanas, a escassez de combustíveis afetou o transporte público e o governo cubano passou a enfrentar uma deterioração ainda maior da economia doméstica. A crise já vinha sendo agravada pela inflação, pela queda do turismo e pela dificuldade de acesso a moeda estrangeira após a pandemia. Washington compreendeu, ainda que tardiamente, o fator energético como um dos pontos mais vulneráveis do regime cubano.

Ao mesmo tempo, o secretário de Estado Marco Rubio assumiu protagonismo na condução dessa política. Filho de imigrantes cubanos e historicamente ligado à ala mais dura do anticastrismo americano, Rubio passou a defender publicamente uma postura de confronto aberto contra Havana. Em entrevistas recentes, declarou que a possibilidade de normalização diplomática com o regime cubano é “muito baixa” nas atuais circunstâncias e acusou o governo da ilha de aprofundar relações estratégicas com adversários geopolíticos dos Estados Unidos, incluindo Rússia, China e Irã.

Outra frente da ofensiva envolve o sistema financeiro e empresarial controlado pelas Forças Armadas cubanas. O foco principal das sanções é a GAESA, conglomerado militar que administra hotéis, portos, comércio exterior, turismo e setores estratégicos da economia cubana. Para integrantes da administração Trump, a estrutura militar empresarial é o verdadeiro centro de sustentação do regime.

Washington também ampliou medidas judiciais relacionadas a figuras históricas do castrismo. Autoridades americanas anunciaram novas acusações ligadas ao episódio de 1996 em que aviões civis da organização Brothers to the Rescue foram abatidos pela força aérea cubana. Entre os nomes citados aparece o de Raúl Castro. Embora as medidas tenham efeito prático limitado dentro de Cuba, elas possuem forte impacto simbólico e aumentam o isolamento internacional da elite cubana.

Nos bastidores diplomáticos, o temor crescente em Havana é que a combinação de colapso econômico, escassez energética e pressão internacional produza um cenário semelhante ao observado na Venezuela durante os períodos mais críticos das sanções americanas. Há diferenças importantes entre os dois países — inclusive no tamanho das Forças Armadas, no grau de controle social e na estrutura política interna —, mas setores ligados ao governo cubano passaram a enxergar paralelos claros entre os movimentos adotados por Washington.

A estratégia americana atual parece menos voltada para uma invasão militar clássica e mais para um processo de desgaste contínuo destinado a forçar fissuras internas no aparato estatal cubano. O objetivo seria aumentar o custo de sustentação do regime até provocar uma transição política, uma negociação controlada ou uma ruptura interna entre setores civis e militares.

Ainda assim, o cenário permanece extremamente delicado. Cuba continua sendo um tema de enorme sensibilidade histórica para os Estados Unidos, tanto pela herança da Guerra Fria quanto pela influência política do eleitorado cubano-americano na Flórida. Qualquer escalada mais agressiva teria repercussões imediatas em toda a América Latina e poderia reabrir tensões geopolíticas envolvendo Rússia e China na região do Caribe.

Por enquanto, a estratégia americana avança principalmente por meio da pressão econômica, financeira e diplomática. Mas o tom adotado pela atual administração demonstra que a política de aproximação e distensão dos presidentes americanos de esquerda que marcou parte das últimas décadas foi definitivamente abandonada. É game over para o regime comunista cubano.

Desde o golpe de Fidel Castro em 1959 até o chefe atual do regime, Miguel Díaz-Canel, organizações internacionais de direitos humanos, ex-presos políticos, dissidentes, jornalistas independentes e organismos multilaterais documentaram uma longa série de violações de direitos fundamentais em Cuba. A gravidade, intensidade e interpretação política desses fatos variam conforme a fonte e o posicionamento ideológico, mas há um conjunto consistente de denúncias recorrentes ao longo de décadas.

Entre as principais violações apontadas estão:

  1. Prisões políticas e detenções arbitrárias Milhares de opositores, jornalistas independentes, sindicalistas, religiosos e ativistas foram presos ao longo das décadas por motivos políticos. Organizações como Amnesty International e Human Rights Watch documentaram detenções temporárias, desaparecimentos curtos, prisões preventivas e condenações relacionadas a “crimes contra o Estado”, “propaganda inimiga” ou “periculosidade social”.

  2. Ausência de eleições multipartidárias livres Desde a Revolução Cubana, o país mantém um sistema de partido único controlado pelo Communist Party of Cuba. Partidos de oposição independentes não podem disputar o poder de forma legalizada, e candidatos dissidentes enfrentam perseguição, vigilância e impedimentos administrativos.

  3. Censura e repressão à liberdade de expressão A imprensa em Cuba é amplamente controlada pelo Estado. Jornais, rádios e canais de televisão independentes não operam livremente no país. Jornalistas críticos frequentemente relatam vigilância, detenções, confisco de equipamentos e restrições de mobilidade. O acesso à internet permaneceu severamente limitado durante muitos anos e ainda hoje há denúncias de bloqueios e monitoramento digital.

  4. Execuções e tribunais revolucionários nos primeiros anos da Revolução Após 1959, o novo governo revolucionário promoveu julgamentos sumários contra militares, policiais e colaboradores do regime de Fulgencio Batista. Centenas de pessoas foram executadas após tribunais revolucionários. Defensores do regime alegam que se tratava de punição contra torturadores e criminosos do antigo governo; críticos classificam os processos como execuções políticas sem garantias jurídicas adequadas.

  5. Campos de trabalho forçado e perseguição ideológica Nos anos 1960, o governo criou as UMAPs (Unidades Militares de Ajuda à Produção), campos de trabalho compulsório destinados a dissidentes, religiosos, homossexuais e pessoas consideradas “desviantes ideológicos”. Ex-prisioneiros relataram abusos físicos, humilhações e trabalhos forçados.

  6. Perseguição religiosa Durante décadas, o regime cubano adotou políticas hostis à religião organizada, especialmente contra a Igreja Católica e grupos protestantes independentes. Padres, religiosos e leigos sofreram vigilância, expulsões e limitações institucionais. Embora a situação tenha melhorado parcialmente após os anos 1990, denúncias de controle estatal sobre atividades religiosas persistem.

  7. Repressão contra protestos populares Manifestações antigoverno, especialmente as grandes mobilizações de julho de 2021, resultaram em prisões em massa. Diversos manifestantes receberam penas longas por acusações como sedição e desordem pública. Organizações internacionais denunciaram uso excessivo da força e ausência de garantias processuais.

  8. Restrição severa à liberdade de associação Sindicatos independentes, organizações civis autônomas e movimentos políticos não alinhados ao regime enfrentam barreiras legais e repressão estatal. Grande parte das associações existentes está vinculada ao Estado ou supervisionada por estruturas governamentais.

  9. Vigilância estatal e controle social O sistema cubano historicamente utilizou mecanismos extensivos de vigilância comunitária, especialmente por meio dos Comitês de Defesa da Revolução (CDRs), presentes em bairros de todo o país. Dissidentes relatam monitoramento constante, intimidação e pressão social organizada pelo aparato estatal.

  10. Restrições à liberdade de circulação Durante muitos anos, cubanos precisavam de autorização estatal para deixar o país. Mesmo após flexibilizações migratórias, opositores e jornalistas continuam denunciando proibições arbitrárias de viagem e retenção de passaportes.

  11. Maus-tratos e denúncias de tortura psicológica Ex-presos políticos relatam isolamento prolongado, privação de sono, intimidação, espancamentos e pressão psicológica durante interrogatórios. O governo cubano rejeita sistematicamente as acusações de tortura institucional.

  12. Discriminação política no acesso a oportunidades Críticos do regime relatam exclusão de universidades, empregos públicos, promoções profissionais e benefícios sociais em razão de posicionamentos políticos ou familiares.

  13. Controle econômico estatal coercitivo Diversos analistas e dissidentes argumentam que o monopólio estatal sobre empregos, alimentos subsidiados, moradia e atividades econômicas funciona também como instrumento de controle político e punição social.

Todos os relatórios de organismos internacionais, depoimentos de exilados, arquivos históricos e documentos de organizações de direitos humanos mostram que a repressão política e as restrições às liberdades civis constituem uma característica persistente do sistema político comunista cubano desde a Revolução de 1959 até os dias atuais.

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