Amedrontado, Lula pede intervenção de Fachin e teme revés eleitoral
Petista defende que presidente da Corte assuma relatorias de Mendonça e Moraes; AGU recorre contra afastamento de diretor da PF e sugestão de Conselho da República racha campanha petista
BRASÍLIA, 8 de setembro de 2026 — A escalada do confronto no Supremo Tribunal Federal (STF) acendeu o sinal de alerta no Palácio do Planalto e no comitê de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, levando o governo a articular uma intervenção direta do presidente da Corte, Edson Fachin, para conter o que assessores presidenciais classificam como uma “disputa de vida ou morte” entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça.
A estratégia vista com melhores olhos pela cúpula do Executivo consiste em retirar o poder dos dois magistrados: Fachin avocaria a relatoria dos inquéritos das fraudes do INSS e do Banco Master — atualmente conduzidos por Mendonça — e decretaria o encerramento do inquérito das fake news, capitaneado por Moraes desde 2019. A proposta de redistribuição, contudo, ainda enfrenta resistências e falta de consenso interno no tribunal.
Lula conduziu duas reuniões de emergência com ministros e dirigentes eleitorais nesta terça-feira após ser surpreendido pelo despacho de Mendonça, que afastou cautelarmente o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o diretor de inteligência Leandro Almada sob acusação de espionagem institucional. Em resposta imediata, o advogado-geral da União, Jorge Messias, acionou Fachin alegando usurpação da prerrogativa exclusiva do chefe do Executivo de nomear o comando da corporação.
No campo político, o avanço da crise provocou divergências internas no Partido dos Trabalhadores. A sugestão de convocar o Conselho da República, lançada pelo advogado Marco Aurélio de Carvalho, foi tachada por integrantes da campanha petista como um “tiro no pé” capaz de transferir o ônus do desgaste diretamente para o gabinete presidencial. Marco Aurélio rebateu as críticas, qualificando-as como precipitadas e sustentando que se tratava de uma alternativa voltada à preservação da estabilidade institucional.
O temor central da coordenação eleitoral de Lula reside nas pesquisas de intenção de voto e monitoramentos de redes sociais, que indicam empate técnico em simulações de segundo turno com o senador Flávio Bolsonaro (PL). Com dificuldades para justificar publicamente as mensagens flagradas entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, a ordem na campanha é evitar a defesa aberta do ministro e não atacar diretamente Mendonça, delegando ao presidente do PT, Edinho Silva, a tarefa de explorar na propaganda os laços financeiros de Flávio com Vorcaro.




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