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Banco Master: namorada de Andrei Rodrigues recebeu milhões no esquema de Vorcaro

Oct 3
3 min read

Ligação entre defesa de sócio de Vorcaro e namorada do diretor da PF amplia pressão sobre investigação do Banco Master


BRASÍLIA, 30 de junho de 2026 — O escritório que assina a defesa de Augusto Ferreira Lima, sócio de Daniel Vorcaro e um dos investigados centrais do caso Banco Master, tem entre seus quadros Renata Varandas, jornalista e namorada do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

A PF prendeu Lima e conduz a Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraude financeira envolvendo o Banco Master e empresas ligadas ao grupo. Rodrigues foi afastado pelo ministro André Mendonça, do STF, do acesso direto às investigações.

Documentos extraídos do celular de Vorcaro, divulgados no inquérito, indicam que o banqueiro monitorava a operação desde julho de 2025, meses antes de ser preso no Aeroporto de Guarulhos quando tentava embarcar em um jatinho rumo a Dubai. Antes da prisão, ele pediu a um interlocutor que acionasse Andrei Rodrigues para evitar o que chamou de “sacanagem” contra ele.

A relação ganhou novo peso após reportagem da Gazeta do Paraná afirmar que Renata Varandas recebeu valores milionários da Ambipar, empresa investigada pela CVM em um suposto esquema de manipulação de mercado ligado ao ecossistema do Banco Master.

Varandas também é sócia do Figueiredo & Velloso Advogados Associados, escritório que atua na defesa de Augusto Lima. Em janeiro de 2025, ela foi anunciada como sócia na área de comunicação e relações governamentais.

O caso expõe uma cadeia de potenciais conflitos de interesse envolvendo jornalismo, mercado financeiro, advocacia, Polícia Federal e contratos públicos.

Varandas foi demitida da Record em julho de 2024 após trechos de uma entrevista gravada com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva terem sido antecipados ao mercado financeiro antes da exibição. À época, ela era sócia da Capital Advice, empresa de análise política voltada a investidores. A Record considerou o episódio incompatível com suas regras editoriais.

Depois, Varandas passou pela CNN Brasil, foi para o SBT News e assumiu o programa “Poder em Foco”. Segundo a Gazeta do Paraná, ela mantinha em seu perfil público no Instagram a Ambipar como vínculo profissional. A referência foi removida após o avanço das apurações.

A Ambipar fechou, em 2024, contratos com o governo federal que somam R$ 480,9 milhões, incluindo serviços em territórios indígenas. Parte dos contratos foi firmada sem licitação. O maior deles, com a Funai, foi assinado em dezembro de 2024.

A empresa também é alvo de investigação da CVM. Relatório técnico da autarquia aponta que o Banco Master, o empresário Nelson Tanure e o controlador da Ambipar, Tércio Borlenghi Júnior, teriam atuado de forma coordenada para inflar artificialmente o preço das ações da companhia. Entre junho e agosto de 2024, os papéis da Ambipar tiveram alta expressiva.

Augusto Lima foi preso preventivamente em novembro de 2025. Na operação, agentes encontraram dinheiro em espécie, veículos de luxo, obras de arte e relógios. A investigação apura a emissão de títulos de crédito sem lastro real. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, classificou o caso como uma das maiores fraudes já investigadas no sistema financeiro brasileiro.

Lima também é citado por sua proximidade com figuras políticas. Ele é marido da ex-ministra Flávia Arruda e teria participado de articulações envolvendo o Banco Master, Daniel Vorcaro e autoridades em Brasília.

O ministro André Mendonça restringiu o acesso de Andrei Rodrigues às investigações, proibindo o compartilhamento direto de informações sigilosas com o diretor-geral da PF. A medida foi considerada incomum dentro da estrutura da Polícia Federal.

O caso também levou ao afastamento do ministro Dias Toffoli da relatoria, após revelações sobre negócios envolvendo uma empresa ligada a ele e um fundo relacionado ao Banco Master.

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