Calado: Lula está preocupado com Mendonça
Presidente articula resposta cautelosa após afastamento de Andrei Rodrigues para blindar campanha e afastar imagem de alinhamento a Moraes
BRASÍLIA, 8 de setembro de 2026 — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu adotar uma postura de contemporização diante do agravamento do conflito entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e a Polícia Federal, optando por defender saídas estritamente institucionais e evitar ataques frontais ao ministro André Mendonça.
Após uma série de reuniões de emergência com ministros e conselheiros políticos ao longo desta terça-feira, o chefe do Executivo avaliou que a decisão cautelar de Mendonça — que determinou o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues — tornou insustentável a manutenção de seu distanciamento público do caso.
A estratégia desenhada pelo Palácio do Planalto prevê a divulgação de uma manifestação oficial pautada pelo equilíbrio institucional, reafirmando o respeito às decisões judiciais sem menção nominal aos magistrados envolvidos na troca de acusações. A ordem direta do presidente a auxiliares é a de “jogar água na fervura” para impedir que a turbulência contamine o ambiente eleitoral.
Nos bastidores da campanha à reeleição, a orientação é não personificar o embate em Mendonça para evitar que a opinião pública vincule a figura de Lula a uma defesa irrestrita do ministro Alexandre de Moraes. Críticas mais incisivas à ordem judicial e denúncias sobre eventuais extrapolações de competência ficarão a cargo de lideranças do Partido dos Trabalhadores (PT) e de parlamentares aliados.
Apesar da postura pública moderada, a leitura predominante dentro do governo é a de que Mendonça cometeu excessos e tenta exercer interferência indevida na disputa eleitoral, gerando a percepção de que a medida cautelar contra a chefia da PF poderá produzir um efeito de desgaste para o próprio magistrado no médio prazo.




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