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Com liminar, Pablo Marçal retorna ao PRTB e articula candidatura à Presidência

3 de out.
3 min de leitura

Coach conseguiu restabelecer provisoriamente sua filiação com efeitos retroativos ao prazo eleitoral; Marçal anunciará se conseguirá se candidatar ou não


BRASÍLIA, 15 de agosto de 2026 — O coach e influenciador Pablo Marçal obteve neste sábado uma liminar da Justiça Eleitoral que determinou seu retorno ao PRTB, partido pelo qual disputou a Prefeitura de São Paulo em 2024. A decisão abre uma nova movimentação na disputa presidencial de 2026: Marçal articula assumir a candidatura do partido ao Palácio do Planalto.

A decisão foi proferida pelo juiz Gustavo Nardi, da 428ª Zona Eleitoral de Santana do Parnaíba, em São Paulo, e determinou a regularização provisória da filiação de Marçal ao PRTB com efeitos retroativos a 4 de abril de 2026.

A data é decisiva. Pela legislação eleitoral, quem pretende disputar as eleições de outubro precisa estar filiado a um partido político pelo menos seis meses antes do pleito. Com a retroatividade determinada pela Justiça, Marçal supera, ao menos provisoriamente, esse obstáculo formal para uma eventual candidatura. A liminar, porém, ainda pode ser modificada ou derrubada posteriormente.

PRTB discute troca de candidato

O movimento pode alterar a chapa presidencial do PRTB às vésperas da definição das candidaturas.

Leonardo Avalanche, presidente nacional da legenda e até agora apresentado como pré-candidato ao Planalto, confirmou que dirigentes do partido estavam reunidos neste sábado para discutir a possibilidade de Marçal assumir a candidatura presidencial.

Marçal havia deixado o PRTB e ingressado no União Brasil em março. Na nova legenda, chegou a ser considerado para uma candidatura ao Senado ou à Câmara dos Deputados por São Paulo. Antes disso, em 2024, conquistou mais de 1,7 milhão de votos na eleição para prefeito da capital paulista e ficou próximo de avançar ao segundo turno.

A movimentação também representa uma mudança em relação ao posicionamento adotado pelo empresário poucos meses atrás. Em março, Marçal afirmou que trabalharia para que o União Brasil apoiasse a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. Em abril, declarou que apoiaria candidatos da direita na disputa contra Lula.

Agora, com o retorno ao PRTB, passa a articular uma candidatura própria.

Liminar não resolve inelegibilidade

O principal obstáculo de Marçal, entretanto, permanece.

A decisão deste sábado trata de sua filiação partidária. Ela não derruba as decisões da Justiça Eleitoral que o declararam inelegível em processos relacionados à campanha municipal de 2024.

Uma das condenações que avançou para a segunda instância envolve o chamado “concurso de cortes”, estratégia na qual participantes editavam e distribuíam trechos dos conteúdos de Marçal nas redes sociais em troca de premiações associadas ao desempenho das publicações.

Em dezembro de 2025, o TRE-SP manteve, por 4 votos a 3, a condenação por uso indevido dos meios de comunicação e a multa de R$ 420 mil por descumprimento de ordem judicial. Na mesma decisão, porém, o tribunal afastou condenações relacionadas a abuso de poder econômico e captação e gastos ilícitos de recursos. O caso permanece sujeito a recurso ao Tribunal Superior Eleitoral.

Marçal também recebeu outras condenações em primeira instância relacionadas à eleição de 2024. Em um dos processos, a Justiça analisou a oferta de produção de vídeos de apoio a candidatos a vereador que fizessem doações de R$ 5 mil à campanha. A sentença original reconheceu abuso de poder político e econômico, uso indevido dos meios de comunicação e captação ilícita de recursos.

O histórico processual, porém, não é uniforme. Uma das condenações à inelegibilidade foi posteriormente revertida pelo TRE-SP, enquanto outras continuam em discussão judicial.

Por isso, o retorno ao PRTB resolve apenas uma parte do problema jurídico.

Para efetivamente chegar às urnas como candidato à Presidência, Marçal ainda depende do desfecho dos recursos relacionados à sua inelegibilidade — ou de uma decisão judicial que suspenda seus efeitos e permita o registro da candidatura enquanto os processos continuam em tramitação.

Uma nova variável na disputa de 2026

A eventual entrada de Marçal acrescentaria uma nova variável à corrida presidencial.

Depois da eleição municipal de 2024, quando transformou sua presença nas redes sociais em mais de 1,7 milhão de votos na maior cidade do país, o empresário passou a ser considerado por diferentes partidos como um nome com capacidade de mobilização eleitoral.

Sua passagem pelo União Brasil durou pouco mais de cinco meses. Agora, o retorno judicialmente autorizado ao PRTB recoloca Marçal na legenda que lhe deu projeção eleitoral nacional e permite que o partido tente apresentá-lo diretamente na disputa pelo Planalto.

O movimento, contudo, nasce sob uma condição incomum: Marçal pode ter recuperado, provisoriamente, o partido e o prazo de filiação necessários para disputar a eleição, mas ainda precisa recuperar na Justiça o direito de ser candidato.

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