Direita colombiana se une contra comunistas no segundo turno
Publicado originalmente por Redação Timeline em 01/06/2026
Paloma Valencia anuncia apoio a Abelardo de la Espriella e busca frente ampla contra a esquerda
BOGOTÁ, 31 de maio de 2026 — O primeiro turno presidencial na Colômbia terminou com um recado claro: a direita chegou dividida às urnas, mas sai pressionada a se unir para impedir a continuidade do projeto político de Gustavo Petro.
O advogado Abelardo de la Espriella, candidato de direita com discurso duro contra o crime organizado e forte apelo entre eleitores antipetristas, terminou em primeiro lugar e disputará o segundo turno contra Iván Cepeda, senador de esquerda e aliado do atual presidente colombiano.
A surpresa não foi apenas a ida de De la Espriella ao segundo turno. Foi também o tamanho da derrota da direita tradicional representada por Paloma Valencia, senadora do Centro Democrático, partido fundado por Álvaro Uribe. Valencia, que chegou à disputa como nome do uribismo, ficou fora do segundo turno e, poucas horas depois do resultado, anunciou apoio ao adversário da direita outsider.
O gesto tem peso político. Paloma Valencia não é uma figura secundária. Advogada, filósofa, economista e escritora, ela vem de uma das famílias mais tradicionais da política colombiana. É neta do ex-presidente Guillermo León Valencia e uma das vozes mais fortes da oposição ao governo Petro no Senado. Ao declarar apoio a De la Espriella, Valencia sinalizou que a prioridade da direita colombiana, neste momento, é impedir que Iván Cepeda herde o poder da esquerda.
A disputa, portanto, deixa de ser apenas entre dois candidatos. Passa a ser apresentada pelos setores de direita como um plebiscito sobre o legado de Petro: de um lado, a continuidade do projeto de esquerda, apoio às FARC, pseudo-reformas sociais e maior presença do Estado; de outro, uma guinada de segurança, combate ao narcotráfico, endurecimento penal, desregulamentação econômica e crítica frontal ao que seus adversários chamam de “neocomunismo”.
De la Espriella cresceu justamente no espaço aberto pela frustração de parte do eleitorado com a violência, a insegurança e o desgaste do governo Petro. Admirador declarado de líderes como Donald Trump, Nayib Bukele e Javier Milei, ele adotou uma linguagem de ruptura com a velha política colombiana, mas agora recebe o apoio da direita tradicional que até poucos dias atrás concorria contra ele.
Esse é o ponto central do novo cenário colombiano: a direita não conseguiu se unir antes do primeiro turno, mas tenta fazê-lo agora, quando a alternativa é enfrentar a esquerda unificada em torno de Cepeda.
A adesão de Paloma Valencia pode ser o primeiro movimento de uma recomposição mais ampla. O uribismo, que por décadas foi o eixo da direita colombiana, não chega mais ao segundo turno como protagonista. Mas pode ser decisivo como força de transferência eleitoral, estrutura partidária e discurso de oposição ao petismo colombiano.
O segundo turno, marcado para 21 de junho, será um teste para essa aliança. De la Espriella precisa manter o voto de protesto que o levou à liderança e, ao mesmo tempo, absorver o eleitorado conservador que votou em Valencia. Cepeda, por sua vez, tentará transformar a disputa em uma defesa das “reformas sociais” e do “processo de paz”, acusando a direita de querer devolver o país à lógica puramente militar do conflito interno.
A Colômbia entra, assim, em três semanas decisivas. A esquerda aposta na continuidade de Petro. A direita, agora unida por necessidade, tenta transformar o segundo turno em uma frente nacional contra o projeto político que governa Bogotá desde 2022.




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