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Domínio terrorista no Brasil: 9 em cada 10 presos são do PCC ou CV

Oct 3
3 min read

PCC e Comando Vermelho concentram a maior parte das investigações e prisões realizadas pela PF nos últimos anos


BRASÍLIA, 7 de junho de 2026 — Um levantamento realizado pela GloboNews com base em documentos obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) revela a dimensão da atuação das facções criminosas terroristas no Brasil e o foco das investigações conduzidas pela Polícia Federal desde 2022.

Segundo a reportagem, 88% das mais de duas mil prisões efetuadas pela Polícia Federal nesse período envolveram integrantes de organizações criminosas, principalmente o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), atualmente as duas maiores facções do país.

Os dados constam de inquéritos e investigações federais aos quais a emissora teve acesso. O levantamento mostra que, em cada dez prisões realizadas pela PF relacionadas ao crime organizado, quase nove envolveram membros dessas estruturas criminosas terroristas ou de grupos associados.

A apuração indica ainda que mais de vinte facções criminosas diferentes aparecem nos inquéritos analisados, além de duas organizações classificadas como milícias.

Tráfico de drogas continua sendo o principal motor das facções

De acordo com os dados revelados pela LAI, 81% das investigações conduzidas pela Polícia Federal envolvendo organizações criminosas estão relacionadas ao tráfico de drogas.

O número reforça uma realidade já observada há décadas pelas autoridades brasileiras: o narcotráfico continua sendo a principal fonte de financiamento das grandes facções nacionais.

A partir dessa atividade, grupos criminosos terroristas expandem suas operações para outras modalidades ilícitas, incluindo lavagem de dinheiro, corrupção, contrabando, tráfico internacional de armas, extorsão e controle territorial em diversas regiões do país.

Os documentos analisados também apontam investigações relacionadas a crimes financeiros e até crimes ambientais praticados por organizações criminosas, demonstrando a crescente diversificação das atividades dessas estruturas.

Terroristas ampliaram atuação nacional e internacional

O PCC e o Comando Vermelho deixaram há muito tempo de atuar apenas nos presídios ou em áreas específicas dos grandes centros urbanos.

Investigações da própria Polícia Federal, do Ministério Público e de órgãos internacionais apontam que ambas as organizações estabeleceram redes de atuação em praticamente todo o território nacional e em diversos países da América do Sul, especialmente em rotas utilizadas para o escoamento de cocaína produzida na Bolívia, Peru e Colômbia.

O PCC, surgido nos presídios paulistas na década de 1990, é frequentemente apontado por especialistas em segurança pública como uma das organizações criminosas mais estruturadas do continente. Já o Comando Vermelho mantém forte influência em comunidades do Rio de Janeiro e em importantes corredores do narcotráfico nacional.

O que os números revelam

Os dados divulgados pela GloboNews sugerem que o combate ao crime organizado se tornou uma das principais frentes de atuação da Polícia Federal nos últimos anos.

Se confirmada a proporção apresentada pela reportagem, o cenário indica que as grandes facções criminosas continuam sendo responsáveis pela maior parcela das operações federais de repressão criminal, absorvendo recursos humanos, inteligência policial e cooperação internacional.

Os números também reforçam uma preocupação recorrente das autoridades: a crescente capacidade dessas organizações de diversificar suas fontes de receita e infiltrar atividades econômicas aparentemente legais, dificultando o rastreamento de recursos e ampliando sua influência em diferentes setores da sociedade.

Mais do que um problema de segurança pública, o avanço das facções terroristas tem sido tratado por especialistas como uma ameaça institucional, econômica e social, exigindo ações coordenadas entre forças policiais, Poder Judiciário, Ministério Público e órgãos de inteligência financeira, e até de cooperação internacional.

Embora os dados retratem o trabalho repressivo realizado pela Polícia Federal desde 2022, eles também revelam a dimensão do desafio enfrentado pelo Estado brasileiro diante de organizações criminosas terroristas que movimentam bilhões de reais todos os anos e mantêm presença crescente dentro e fora do país.

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