EDITORIAL: Lula omite nome de Allan dos Santos e distorce sanções dos EUA contra Moraes
Publicado originalmente por Redação Timeline em 01/06/2025
Durante o encerramento da convenção nacional do PSB neste domingo (1º), Lula voltou a criticar o governo dos Estados Unidos, agora sob a liderança de Donald Trump, por sua postura diante das ações do ministro Alexandre de Moraes. Em seu discurso, o petista tentou reduzir o escopo da resposta norte-americana a um caso individual: o de um “brasileiro que está nos Estados Unidos fazendo coisa contra o Brasil”.
Sem mencionar o nome do jornalista Allan dos Santos — exilado político e crítico declarado do Supremo Tribunal Federal —, Lula distorceu os fatos ao afirmar que os Estados Unidos “querem processar Alexandre de Moraes porque ele está querendo prender um cara brasileiro”. A declaração ignora propositalmente o conteúdo e as implicações mais amplas do ofício enviado pelo Departamento de Justiça americano ao governo brasileiro.
O que realmente está em jogo
O documento mencionado por Lula não trata de um processo contra Moraes, mas, sim, de uma notificação formal do Departamento de Justiça dos Estados Unidos ao Ministério da Justiça do Brasil, denunciando a conduta autoritária e extrajudicial do ministro Alexandre de Moraes. O conteúdo do ofício é uma resposta direta às decisões do STF que resultaram no bloqueio de redes sociais e na violação do devido processo legal, afetando plataformas e cidadãos norte-americanos.
Fontes diplomáticas revelaram que o documento sequer passou pela Embaixada americana em Brasília, tendo sido enviado diretamente de Washington a Brasília — uma medida incomum, mas que reflete o nível de gravidade atribuído ao caso.
Mais do que a defesa de um indivíduo, o governo Trump considera que houve agressão à soberania jurídica americana, censura de cidadãos dos Estados Unidos e violação de acordos internacionais sobre liberdade de expressão e cooperação jurídica internacional.
Lula distorce, omite e ironiza
Ao reduzir a crise diplomática a uma suposta tentativa de “impedir que Moraes prenda um brasileiro”, Lula omite o cerne da questão: há indícios consistentes de que Moraes jamais utilizou os canais legais e diplomáticos adequados — como o Itamaraty ou os tratados de cooperação judiciária entre os dois países — para requerer a extradição ou notificação formal contra Allan dos Santos.
Trata-se, portanto, não de um embate judicial legítimo, mas de uma perseguição política disfarçada de decisão judicial, cuja legalidade é contestada internacionalmente.
Lula ainda tentou relativizar as críticas dos Estados Unidos com um comentário genérico: “Eu nunca critiquei a Justiça deles. Eles fazem tanta guerra, matam tanta gente”. Ao fazer isso, escapa da responsabilidade de responder às alegações concretas de censura e abuso de autoridade praticadas por seu aliado Alexandre de Moraes.
O cerco internacional a Moraes
As declarações de Lula ocorrem poucos dias após o anúncio do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, sobre novas sanções a autoridades estrangeiras envolvidas em censura contra cidadãos dos Estados Unidos. Embora nomes não sejam citados, é amplamente esperado que Alexandre de Moraes figure entre os primeiros alvos da nova política de sanções, alinhada à Lei Magnitsky.
Além disso, a atuação de Moraes já motivou menções diretas em redes sociais por assessores próximos de Trump, como Jason Miller, que marcou Moraes publicamente, insinuando sua inclusão na lista de sanções.
Essas medidas podem incluir o bloqueio de bens em território norte-americano, suspensão de vistos e restrição de transações digitais com provedores dos Estados Unidos — uma ameaça real ao funcionamento do próprio sistema judiciário brasileiro, que depende de serviços de tecnologia, e-mail e sistemas baseados em infraestrutura norte-americana.
A retórica de Lula tenta blindar Moraes e desviar a atenção do público brasileiro para longe de uma crise internacional que está apenas começando. Ao omitir o nome de Allan dos Santos e distorcer os motivos das críticas americanas, Lula revela mais do que uma simples lealdade política: escancara o desconforto de um governo cada vez mais isolado diante da comunidade internacional que começa a reagir às arbitrariedades do STF.
Enquanto isso, os Estados Unidos enviam um recado claro: não se trata de proteger um “cara brasileiro”, mas de restaurar os princípios básicos do Estado de Direito e da soberania digital em uma era de crescente autoritarismo disfarçado de legalismo.




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