EUA concluem recomendação de novas tarifas contra produtos brasileiros
Publicado originalmente por Redação Timeline em 15/07/2026
“Lula e o PT jogaram contra o Brasil mais uma vez”, divulgou o senador Flávio Bolsonaro sobre
WASHINGTON, 15 de julho de 2026 — O governo dos Estados Unidos concluiu a análise técnica sobre a imposição de novas tarifas a produtos brasileiros e encaminhou ao presidente Donald Trump a recomendação final para a adoção das medidas. A informação foi transmitida pelo representante comercial da Casa Branca, Jamieson Greer, durante reunião virtual realizada na terça-feira (14) com integrantes do governo brasileiro.
Segundo relatos de pessoas com conhecimento das negociações, Greer afirmou que considera encerrada a fase de tratativas sobre o tema e demonstrou insatisfação com o que classificou como falta de avanços por parte do governo brasileiro.
A avaliação foi contestada pela delegação brasileira, composta por representantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, do Itamaraty e da Presidência da República.
Durante o encontro, os negociadores brasileiros sustentaram que a investigação comercial conduzida pelos Estados Unidos com base na Seção 301 não estaria amparada por fundamentos técnicos suficientes. Entre os pontos discutidos esteve a referência americana ao desmatamento na Amazônia, argumento que, segundo os representantes brasileiros, não encontra respaldo nos indicadores oficiais mais recentes.
A delegação também recordou que o Brasil apresentou uma proposta para reduzir as tarifas de importação sobre o etanol americano em troca de maior acesso do açúcar brasileiro ao mercado dos Estados Unidos. De acordo com os relatos, a proposta foi descartada pelo USTR.
Greer afirmou ainda que o novo pacote tarifário não deverá adotar um mecanismo de ampliação gradual da lista de produtos isentos, como ocorreu em medidas anteriores. Ao mesmo tempo, disse ter registrado os argumentos apresentados pelo governo brasileiro e pelo setor privado em defesa da ampliação das exceções já na divulgação inicial das tarifas.
O principal argumento brasileiro foi o elevado grau de integração entre as cadeias produtivas dos dois países. Os negociadores destacaram que uma parcela significativa das exportações brasileiras para os Estados Unidos é formada por componentes e bens industrializados produzidos por subsidiárias de empresas americanas instaladas no Brasil e destinados às suas matrizes em território americano.
Segundo fontes envolvidas nas negociações, essa tese foi recebida de forma positiva pela equipe do USTR, o que alimenta a expectativa, no governo brasileiro, de que um número maior de produtos industrializados fique fora da nova rodada de tarifas.
Pelas estimativas atualmente consideradas pelo governo, as medidas afetariam cerca de 21% do valor das exportações brasileiras para os Estados Unidos. A avaliação interna é de que uma ampliação da lista de exceções poderá reduzir esse impacto.
Apesar de afirmar que a recomendação técnica já foi encaminhada ao presidente Donald Trump, Greer sinalizou disposição para manter aberto o canal de diálogo entre os dois governos. Ao fim da reunião, representantes brasileiros reafirmaram que permanecem disponíveis para novas negociações.
Após a reunião, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou a atribuir ao governo Luiz Inácio Lula da Silva a responsabilidade pelo agravamento das relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos. Em publicação nas redes sociais, o parlamentar afirmou que trabalhou para evitar a adoção das novas tarifas e acusou o governo brasileiro de conduzir uma política externa que teria contribuído para a decisão da Casa Branca.
“Lula e o PT jogaram contra o Brasil mais uma vez”, escreveu o senador. Segundo ele, as críticas feitas por Lula ao presidente Donald Trump ao longo do atual mandato prejudicaram a relação bilateral. Flávio também afirmou que o Brasil enfrenta dificuldades comerciais com outros parceiros, citando as tarifas impostas pela China e a impossibilidade de exportar carne para a União Europeia, que atribuiu à não apresentação, pelo governo brasileiro, de documentação exigida pelas autoridades europeias.
O senador ainda acusou o presidente de tentar responsabilizá-lo politicamente pelo impasse comercial e afirmou que o governo busca transformar a disputa tarifária em tema eleitoral. O Palácio do Planalto sustenta, por sua vez, que as medidas adotadas pelos Estados Unidos decorrem de uma decisão unilateral do governo americano e que continua buscando uma solução negociada para preservar o comércio bilateral.




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