Ex-chanceler da Hungria deixa a política e assume cargo na chinesa BYD
A decisão ocorre poucos meses após a derrota eleitoral de Viktor Orbán, que deixou o poder depois de 16 anos consecutivos à frente do governo húngaro
ORLANDO, 16 de julho de 2026 — O ex-ministro das Relações Exteriores da Hungria, Péter Szijjártó, anunciou sua saída do Parlamento para assumir um cargo de direção na montadora chinesa BYD, fabricante de veículos elétricos que está construindo sua primeira fábrica na Europa, localizada no sul do território húngaro.
Responsável durante anos pela política externa do governo de Viktor Orbán, Szijjártó passará a comandar as relações institucionais e o desenvolvimento de novas áreas de negócios da empresa chinesa.
Em publicação nas redes sociais, o ex-chanceler afirmou que a BYD representa “uma das maiores histórias de sucesso da indústria automotiva das últimas duas décadas” e destacou que a companhia se tornou a maior fabricante mundial de veículos elétricos.
Mudança amplia crise no grupo de Viktor Orbán
A decisão ocorre poucos meses após a derrota eleitoral de Viktor Orbán, que deixou o poder depois de 16 anos consecutivos à frente do governo húngaro.
A saída de Szijjártó aprofunda o processo de desarticulação da antiga base governista. Nesta semana, o líder da bancada parlamentar do partido Fidesz também renunciou ao cargo de forma inesperada, enquanto outra ex-deputada da legenda anunciou a criação de um novo grupo político.
O arquiteto da aproximação com Rússia e China
Aos 47 anos, Szijjártó foi o principal executor da estratégia conhecida como “Abertura ao Leste”, adotada por Viktor Orbán para fortalecer as relações da Hungria com Moscou e Pequim, frequentemente em detrimento do alinhamento tradicional com a União Europeia e a OTAN.
Em Bruxelas, tornou-se conhecido por tentar suavizar sanções europeias contra a Rússia e por resistir a declarações mais duras da União Europeia em relação à China.
Sua proximidade com o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, também chamou atenção ao longo dos últimos anos. Após a invasão russa da Ucrânia, em 2022, Lavrov passou a ser amplamente isolado pelos governos europeus.
Durante a campanha eleitoral deste ano, gravações divulgadas pela imprensa húngara sugeriram conversas entre os dois diplomatas sobre uma possível atuação de Szijjártó para retirar um aliado de Lavrov da lista de sanções da União Europeia. As alegações vieram a público durante o período eleitoral e alimentaram críticas da oposição ao governo Orbán.
A leitura geopolítica
A contratação de um ex-chefe da diplomacia húngara pela maior fabricante chinesa de veículos elétricos evidencia um movimento cada vez mais frequente: a convergência entre grandes empresas estratégicas e ex-altos funcionários de Estado.
No caso da Hungria, o episódio reforça o peso crescente dos investimentos chineses no país e simboliza a continuidade dos laços políticos e econômicos construídos ao longo dos governos de Viktor Orbán, agora transferidos do campo diplomático para o ambiente corporativo.





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