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Exclusivo: Departamento de Estado dos EUA classificará PCC e CV como grupos terroristas

Oct 3
4 min read

A decisão do Departamento de Estado ocorreu pouco tempo após a visita à Casa Branca do senador Flávio Bolsonaro


WASHINGTON, 28 de maio de 2026 — O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciará nesta quarta-feira que pretende classificar os dois maiores sindicatos criminosos organizados do Brasil — o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) — como Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGTs) e Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs).

As classificações impõem severas sanções às facções e aos seus integrantes, bloqueiam a manutenção de ativos nos Estados Unidos ou congelam bens já existentes no país, além de tornar ilegal que cidadãos americanos ofereçam apoio material a esses grupos. Em comunicado divulgado nesta quarta-feira, o Departamento de Estado afirmou que PCC e Comando Vermelho representam uma ameaça significativa à segurança tanto no Brasil quanto internacionalmente e que praticam narcoterrorismo violento em toda a América do Sul, justificando a designação.

As designações entrarão em vigor em 5 de junho.

“Juntos, eles comandam milhares de membros e coordenaram ataques brutais contra policiais, autoridades públicas e civis brasileiros”, afirmou o Departamento de Estado. “Sua influência e suas redes ilícitas se estendem muito além das fronteiras do Brasil, alcançando toda a nossa região e chegando ao nosso país”.

“O governo Trump continuará utilizando todas as ferramentas disponíveis para proteger nossa nação e nossos interesses de segurança nacional, mantendo drogas ilícitas longe de nossas ruas e interrompendo os fluxos financeiros que sustentam narcoterroristas violentos”, acrescentou o órgão. “A ação de hoje demonstra o compromisso inabalável do governo Trump em desmantelar cartéis e organizações criminosas em nossa região e garantir a segurança do povo americano”.

O PCC e o Comando Vermelho são conhecidos principalmente por suas atividades criminosas transnacionais de arrecadação de recursos, incluindo tráfico de drogas, tráfico de armas e relações com outras organizações criminosas da América do Sul. Durante períodos de rivalidade, ambas as facções protagonizaram rebeliões prisionais sangrentas nas quais detentos foram massacrados de forma brutal para enviar mensagens ao grupo rival. Em períodos de “paz”, uniram esforços para ampliar atividades ilícitas e aumentar sua capacidade operacional.

Autoridades do continente expressam há anos preocupação com a busca de aproximação entre essas facções e o grupo terrorista libanês Hezbollah. Em 2018, Joseph Humire, atual secretário assistente para Defesa Interna e Assuntos de Segurança das Américas, declarou ao Congresso americano que existiam “laços comprovados” entre o PCC e o Hezbollah.

Segundo autoridades ouvidas pela imprensa argentina em 2019, a decisão de PCC e Comando Vermelho de formar uma aliança após o aumento das ações policiais promovidas pelo então presidente Jair Bolsonaro levou o Hezbollah a manter relações com uma facção sem provocar hostilidade da outra.

Essa aliança teria contribuído para uma onda de violência no Brasil. Em 2019, mensagens atribuídas a integrantes das facções no Ceará afirmavam explicitamente que os criminosos haviam recebido ordens para “instalar o terror generalizado”. Os comunicados prometiam: “Vamos deixar o Estado em calamidade pública”.

Mais recentemente, reportagens brasileiras mostraram que as organizações expandiram suas atividades para além do tráfico tradicional, passando também a atuar no mercado ilegal de medicamentos controlados por meio de roubos armados a farmácias. O jornal New York Times relatou que, durante o atual período de cooperação entre PCC e Comando Vermelho, houve aumento expressivo de roubos de medicamentos para perda de peso, como o Ozempic, que posteriormente apareceram em mercados clandestinos operados por aplicativos de mensagens como o WhatsApp.

Apesar do impacto dessas organizações na segurança pública brasileira, políticos de esquerda teriam se oposto historicamente a operações de grande escala destinadas a enfraquecê-las. A reportagem afirma ainda que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria se manifestado contra uma eventual classificação das facções como organizações terroristas pelos Estados Unidos.

Após uma grande operação policial ordenada pelo governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, políticos de esquerda criticaram a atuação policial.

Lula visitou a Casa Branca no início de maio para um encontro que ambos os governos classificaram como produtivo e cordial. Os dois lados discutiram o problema do crime organizado no Brasil. Aliados de Lula manifestaram preocupação de que uma designação terrorista pudesse abrir caminho para ações militares americanas destinadas a combater essas organizações.

Pouco depois da visita, Lula anunciou um pífio plano federal de combate ao crime organizado. A emissora France 24 observou que o Brasil busca evitar esse tipo de designação e, nas últimas semanas, intensificou o compartilhamento de informações de inteligência com os Estados Unidos para combater tráfico de armas e drogas.

Fator Flávio Bolsonaro

A decisão do Departamento de Estado ocorreu pouco tempo após a visita à Casa Branca do senador Flávio Bolsonaro, principal adversário político de Lula na eleição presidencial de 2026. Após reunir-se com Donald Trump, Flávio afirmou ter solicitado ao governo americano que classificasse o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas.

“Enquanto Lula veio à Casa Branca fazer lobby em favor de traficantes de drogas, eu vim fazer exatamente o oposto: pedir enfaticamente ao presidente Trump que classificasse o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras o mais rápido possível”, declarou o senador. “E elas são, de fato, organizações terroristas”.

Texto traduzido e adaptado do original inglês do site Breitbart.

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