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Fachin cancela plenário do STF após Dino reintegrar cúpula da PF e aprofundar crise institucional

Oct 3
2 min read

Decisão individual revoga afastamento de Andrei Rodrigues e atropela rito da presidência da Corte; Mendonça cobra reação do comando do tribunal


BRASÍLIA, 9 de setembro de 2026 — O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, cancelou a sessão plenária de julgamentos prevista para esta quarta-feira, em resposta a uma nova escalada de tensão provocada por ordens judiciais conflitantes emitidas por integrantes do próprio tribunal. A decisão de Fachin — comunicada de forma sumária aos demais magistrados, sem previsão de reuniões conjuntas imediatas — ocorreu horas após o ministro Flávio Dino determinar monocraticamente a reintegração do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de inteligência, Leandro Almada, aos seus respectivos cargos.

A ordem de Dino anulou, na prática, a medida cautelar proferida menos de 24 horas antes pelo ministro André Mendonça, gerando forte mal-estar interno. Integrantes da Corte avaliaram a manifestação de Dino como um atropelo direto à autoridade de Fachin. Na véspera, a Advocacia-Geral da União (AGU) havia ingressado com um recurso que submetia a palavra final sobre a permanência de Rodrigues à presidência do tribunal, levando Fachin a abrir prazo de 72 horas para que Mendonça prestasse esclarecimentos antes de qualquer deliberação.

No gabinete de Mendonça, a medida de Dino foi classificada como uma afronta à Segunda Turma do STF, colegiado que já havia formado maioria favorável à manutenção do afastamento antes de o julgamento virtual ser suspenso por um pedido de vista de Gilmar Mendes. Diante do impasse, Mendonça procurou Fachin nesta quarta-feira para exigir providências institucionais voltadas ao restabelecimento da ordem processual na Corte.

O choque entre as decisões dá continuidade à espiral de desgaste deflagrada no início do mês, quando Mendonça retirou o sigilo de investigações sobre o Banco Master contendo trocas de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Moraes contra-atacou utilizando relatórios apócrifos da PF para pedir apuração contra Mendonça por suposto abuso de autoridade, documento que Mendonça classificou como espionagem institucional ilegal, motivando sua ordem inicial de afastamento da chefia policial.

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