Financiador do MST é investigado nos EUA por ser agente chinês
Neville Roy Singham é acusado de utilizar centenas de milhões de dólares de origem chinesa para financiar secretamente uma rede global de propaganda pró-Pequim e movimentos de protestos ativistas
WASHINGTON, 30 de junho de 2026 — Promotores federais nos Estados Unidos iniciaram uma ampla investigação criminal contra o empresário de tecnologia Neville Roy Singham, sob a suspeita de utilizar centenas de milhões de dólares de origem chinesa para financiar secretamente uma rede global de propaganda pró-Pequim e movimentos de protestos ativistas em solo americano.
A apuração conduzida por um grande júri federal no Distrito Sul de Nova York representa uma escalada significativa na ofensiva de Washington contra operações de influência estrangeira. O Departamento de Justiça (DOJ) rastreia a movimentação de cerca de 285 milhões de dólares, de acordo com fontes e registros legislativos.
Singham, fundador da ThoughtWorks e atualmente residente em Xangai, está sob o escrutínio de autoridades financeiras que investigam possíveis crimes de lavagem de dinheiro, fraude bancária e fraude eletrônica envolvendo corporações de fachada e fundos filantrópicos de fachada.
O caso ganha repercussão internacional e adiciona mais uma camada de atrito à complexa relação diplomática e econômica entre as duas maiores superpotências do mundo.
A rota do dinheiro e os fundos nos EUA
O núcleo do inquérito financeiro foca em um fundo de doações recomendado por doadores da Goldman Sachs, utilizado como ponte para mover massivas somas de dinheiro sem revelar o doador de origem. A rota teria ocultado transferências da China para os EUA por meio de uma complexa teia que liga o investidor a ativistas domésticos.
A justiça americana expediu dezenas de intimações destinadas a bancos e instituições de caridade isentas de impostos ligadas à rede de Singham. Os alvos incluem: organizações progressistas sem fins lucrativos, think tanks ativistas voltados a pautas contra a intervenção militar ocidental, veículos de mídia de esquerda que publicam de forma recorrente conteúdos favoráveis a Pequim.
“O objetivo principal das intimações é determinar se fundos públicos isentos de tributação nos EUA foram operados de maneira ilícita para mascarar atividades políticas dirigidas por uma potência rival”, declarou uma autoridade do governo americano sob condição de anonimato.
Pressão no Congresso e a Lei FARA
Paralelamente à investigação criminal, comitês do Congresso dos EUA — liderados pelo Comitê de Formas e Meios da Câmara (Ways and Means Committee) — abriram suas próprias frentes de apuração sobre o caso. Os parlamentares buscam esclarecer a vulnerabilidade do setor filantrópico americano ao uso de redes offshore.
A conduta de Singham também motivou revisões sobre o cumprimento da Lei de Registro de Agentes Estrangeiros (FARA, na sigla em inglês), legislação que exige que qualquer pessoa ou entidade que atue em benefício político de um governo estrangeiro nos EUA seja registrada formalmente perante o governo federal.
Congressistas acusam a rede apelidada de “Shanghai-Singham” de orquestrar campanhas coordenadas de desinformação, que buscam minimizar as acusações de violações de direitos humanos contra a minoria uigur em Xinjiang e defender o posicionamento geopolítico da China no Sudeste Asiático.
Reações oficiais
Nenhuma denúncia criminal formal foi registrada até o momento no Distrito de Nova York contra Singham ou contra os diretores das ONGs que receberam os aportes. Os procedimentos e depoimentos coletados perante o grande júri seguem sob forte sigilo legal.
A defesa de Neville Roy Singham negou enfaticamente qualquer irregularidade no passado, afirmando que suas atividades filantrópicas são independentes e estritamente motivadas por convicções ideológicas progressistas, rechaçando a tese de que atue sob o comando ou controle do Partido Comunista Chinês (PCC).
O Ministério das Relações Exteriores da China e a embaixada chinesa em Washington têm rebatido sistematicamente as alegações de infiltração nos Estados Unidos, classificando as investigações e a pressão do Congresso como “atos de perseguição política e histeria ideológica contra a cooperação cultural e o ativismo civil legítimo”.
Quem ele financia no Brasil?
Uma grande investigação conduzida pelo The New York Times mapeou que a rede de Singham financia o Brasil de Fato, uma agência de rádio e site de notícias fundado em 2003. Segundo o levantamento, o veículo de mídia recebe recursos operacionais para intercalar reportagens tradicionais sobre direitos à terra e pautas sociais com conteúdos e cartilhas que enaltecem o regime de Xi Jinping e defendem posições geopolíticas chinesas.
A rede de Singham é também a espinha dorsal financeira do Instituto Tricontinental, que possui uma filial muito ativa no Brasil. O instituto funciona como um think tank e produz literatura acadêmica e ativista, trabalhando em associação direta com a Assembleia Internacional dos Povos (AIP) e com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).





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