Flávio participa hoje de audiência pública sobre tarifaço para defender o Brasil
Publicado originalmente por Redação Timeline em 07/07/2026
A audiência foi convocada no âmbito de uma investigação aberta sob a Seção 301 da legislação comercial americana
WASHINGTON, 7 de julho de 2026 — Enquanto o governo brasileiro finge, enviando representantes da Embaixada do Brasil em Washington para acompanhar, como observadores, a audiência pública do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, o USTR, que discute a possível imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, o senador Flávio Bolsonaro se faz presente nesta terça-feira do segundo dia da audiência, em Washington. A agenda oficial do USTR lista Flávio no painel 8, ao lado de representantes da Confederação Nacional da Indústria, da Abicalçados e de entidades americanas do setor de calçados.
A orientação aos diplomatas é acompanhar os argumentos apresentados por empresas, entidades setoriais e representantes políticos, sem fazer intervenções na sessão. Integrantes do governo brasileiro dizem que a audiência não será tratada como canal formal de negociação, mas como etapa pública da investigação comercial conduzida pelos Estados Unidos.
A audiência foi convocada no âmbito de uma investigação aberta sob a Seção 301 da legislação comercial americana. O procedimento avalia práticas do governo do Brasil em seis áreas: comércio digital e serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal. O USTR informou que a audiência começou na segunda-feira (6) e prosseguiria na terça-feira (7), na sede da Comissão de Comércio Internacional dos EUA.
Flávio Bolsonaro foi defender, em uma exposição de cinco minutos, que a sobretaxa não seja aplicada. O senador afirma que a medida prejudicaria exportadores e consumidores brasileiros, além de empresas e investidores americanos com operações ligadas ao Brasil. Segundo o senador, a tarifa também poderia produzir efeito político contrário ao pretendido por Washington, ao permitir que o governo Lula apresentasse a decisão como interferência estrangeira em ano eleitoral.
Em documento de 86 páginas protocolado no USTR em 1º de julho, Flávio pediu a suspensão da proposta e a abertura de um mecanismo bilateral de negociação para tratar dos seis pontos investigados. No texto, o senador afirma que a tarifa “recompensaria” o atual governo brasileiro pela estratégia de prolongar as negociações, provocar retaliação americana e usar essa retaliação como vitória política doméstica.
O senador também pediu que o Pix não seja convertido no centro da disputa comercial. Em manifestação anterior, ele defendeu preservar o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos, mas sugeriu uma resposta legislativa para impedir sua integração a redes de liquidação transfronteiriça não ocidentais, proposta apresentada como forma de reduzir preocupações americanas sobre o uso internacional do sistema.
A Reuters informou que Flávio defende o adiamento da eventual tarifa por 180 dias, para depois das eleições brasileiras de outubro. O senador argumenta que uma decisão antes da votação poderia ser usada politicamente como tentativa dos Estados Unidos de influenciar o resultado eleitoral. Segundo a agência, o USTR tem até 15 de julho para decidir se aplicará as tarifas da Seção 301.
Paralelamente à audiência pública, o governo brasileiro mantém conversas técnicas com autoridades americanas. Uma nova reunião entre o USTR e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços é esperada para esta semana. Na semana passada, o ministro Márcio Elias Rosa apresentou às autoridades dos EUA uma proposta de encaminhamento para os seis pontos considerados prioritários nas negociações bilaterais.




Comments