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Jaques Wagner era a ponte entre Lula e Vorcaro

Oct 3
2 min read

Publicado originalmente por Redação Timeline em 20/06/2026

Mensagens apreendidas pela PF mostram que Vorcaro usava Jaques Wagner como canal para chegar a Lula


BRASÍLIA, 19 de junho de 2026 — Mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular do banqueiro Daniel Vorcaro mostram que o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, era citado em conversas internas do Banco Master como um intermediário para transmitir informações ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Os diálogos, revelados pelo Estadão e incorporados à investigação da 9ª fase da Operação Compliance Zero, reforçam que Vorcaro mantinha acesso a figuras centrais do governo petista enquanto buscava apoio político para pautas de interesse do Banco Master.

Em uma conversa de julho de 2024 entre Vorcaro e o diretor comercial do banco, Fernando Mascarenhas Filho, os dois comentam a percepção de que a instituição financeira seria próxima do governo petista. Após receber a informação de que o banco era visto como tendo influência semelhante à atribuída aos empresários Joesley e Wesley Batista, Vorcaro respondeu: “Isso aí é marketing pra nós. Manda pro Lula e pra base aliada”. Na sequência, Mascarenhas Filho respondeu: “Vou mandar então pra tio Guiga e Jaques”.

Segundo a Polícia Federal, a referência seria ao publicitário baiano Guilherme Sodré Martins, conhecido como “Guiga”, e ao senador Jaques Wagner, um dos principais aliados históricos de Lula e atual líder do governo no Senado.

Para os investigadores, a conversa mostra que integrantes do Banco Master enxergavam Wagner e pessoas de seu círculo próximo como canais de interlocução política capazes de alcançar o Palácio do Planalto.

As mensagens integram um conjunto mais amplo de elementos reunidos pela PF para sustentar que Wagner teria mantido interlocução frequente com dirigentes do Banco Master enquanto defendia temas considerados estratégicos para a instituição no Congresso Nacional.

A investigação sustenta que o senador recebeu vantagens econômicas de Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro, e do próprio banqueiro entre 2024 e 2025. Entre os benefícios sob apuração estão a aquisição de um apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões e pagamentos de aproximadamente R$ 3,5 milhões destinados a uma empresa ligada a familiares do parlamentar.

Os investigadores afirmam existir indícios de correlação entre os repasses e a atuação de Wagner em pautas de interesse do Banco Master, incluindo propostas para ampliação do crédito consignado, discussões sobre aumento da cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e articulações relacionadas à tentativa de venda do banco ao Banco de Brasília (BRB).

Com base nesses elementos, a PF realizou buscas em endereços ligados ao senador na quinta-feira (18), no âmbito da nova fase da Operação Compliance Zero.

Em nota, Jaques Wagner negou qualquer relação com Daniel Vorcaro e afirmou que “não existiu intermediação e não existe relação”. O senador declarou ainda que não pode ser responsabilizado por conversas entre terceiros das quais não participou e cujo contexto desconhece.

A defesa de Augusto Ferreira Lima também negou irregularidades e classificou as buscas realizadas pela Polícia Federal como desnecessárias.

A Operação Compliance Zero investiga um esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e fraudes envolvendo operações financeiras ligadas ao Banco Master e empresários próximos à instituição. Até o momento, não há denúncia formal apresentada pelo Ministério Público nem condenação dos investigados.

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