Lula e Dirceu passam pano para Jaques Wagner após operação da PF
Publicado originalmente por Redação Timeline em 19/06/2026
Passada de pano mostra racha na esquerda, pois Glauber Braga critica explicações sobre dinheiro apreendido
BRASÍLIA, 19 de junho de 2026 — O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu manifestou apoio público ao senador Jaques Wagner após a operação da Polícia Federal que teve o parlamentar como um dos alvos da nova fase da Operação Compliance Zero.
Em publicação nas redes sociais, Dirceu afirmou que Wagner continua contando com a confiança da direção petista e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“Jaques tem a nossa confiança, a confiança do presidente Lula e do PT”, escreveu o ex-presidente nacional do PT, acrescentando que o senador “não é réu, apenas investigado” e que deve ter garantidos os direitos à presunção de inocência e à ampla defesa.
As declarações ocorreram após a Polícia Federal cumprir mandados de busca e apreensão autorizados pelo ministro André Mendonça no âmbito de uma investigação que apura suspeitas de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.
Apesar da solidariedade de dirigentes petistas, as explicações apresentadas por Wagner sobre valores em espécie encontrados durante a operação provocaram reações dentro da própria esquerda.
O deputado federal Glauber Braga afirmou que a justificativa dada pelo senador para a origem dos recursos “é inconcebível em qualquer hipótese”.
“Tratar isso como verdade é conceber a institucionalização do absurdo”, escreveu o parlamentar em publicação nas redes sociais.
Glauber também questionou a relação entre Wagner e o empresário Augusto Lima, investigado na mesma operação, citando a compra de uma rede de supermercados que havia pertencido ao governo da Bahia e posteriores negócios envolvendo o então Banco Máxima, posteriormente transformado no Banco Master.
Embora tenha criticado o senador, o deputado do PSOL afirmou que adversários políticos tentarão utilizar o caso para desviar a atenção de investigações envolvendo outros grupos políticos e defendeu que Wagner responda pelos fatos apurados.
Lula também passou pano
Em entrevista à BandNews, Wagner afirmou ter recebido uma ligação de Lula após a operação. Segundo o senador, o presidente manifestou solidariedade e reafirmou sua confiança pessoal.
“O presidente Lula ligou para mim para se solidarizar comigo. Dizer que mantém absoluta confiança em mim”, declarou.
Wagner disse ainda que Lula classificou a investigação como uma tentativa de desestabilizá-lo politicamente.
“Fique firme, essa é uma tentativa de desestabilizar você, mas conte com a minha confiança”, relatou o senador sobre a conversa.
Investigação
A nova fase da Operação Compliance Zero cumpriu 18 mandados de busca e apreensão na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal. Um dos endereços alvo da ação foi o hotel Brasília Palace, residência funcional utilizada por Wagner na capital federal.
Além das buscas, a Polícia Federal cumpriu medidas cautelares, incluindo restrições de contato entre investigados e suspensão de passaportes.
Segundo os investigadores, há indícios de que Wagner teria atuado em favor de interesses ligados ao Banco Master e ao empresário Augusto Lima. Em troca, segundo a apuração, o senador teria recebido vantagens indevidas estimadas em cerca de R$ 3,5 milhões, incluindo um imóvel registrado em nome de familiares, viagens em aeronaves privadas e ingressos para eventos.
A Polícia Federal sustenta que o parlamentar teria trabalhado para beneficiar interesses do banco em discussões legislativas, incluindo propostas relacionadas ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e à ampliação de limites para operações de crédito consignado.




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