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Macron, o grande hipócrita nanico

Oct 4
2 min read

A hipocrisia da soberania seletiva

Em 2022, um juiz de Mato Grosso ousou fazer o que poucos magistrados no Brasil tiveram coragem: intimar o presidente francês, Emmanuel Macron, a se manifestar sobre os impactos ambientais da Usina Hidrelétrica de Sinop, controlada pela estatal francesa EDF. A decisão não foi apenas simbólica, foi um lembrete de que soberania não é via de mão única, e que, se o Brasil é alvo constante das críticas francesas sobre Amazônia, deveria ter o direito de exigir reciprocidade quando empresas estrangeiras — públicas, note-se bem — causam danos em nosso território.

A resposta de Macron? O silêncio. Nenhuma manifestação oficial. Nenhuma cooperação com a Justiça brasileira. Nenhuma preocupação em dar satisfações a um país que, ironicamente, ele gosta de usar como palanque moral quando o assunto é meio ambiente. Para a plateia europeia, Macron se coloca como guardião da Amazônia, o líder verde que ousa repreender o Brasil. Mas quando o Estado francês, por meio de sua estatal EDF, é cobrado por problemas ambientais em Mato Grosso, a retórica desaparece. A “preocupação ecológica” vira um conveniente mutismo.

E aqui entra a hipocrisia da esquerda brasileira, que brada em defesa da soberania nacional contra “imperialismos”, mas fecha os olhos quando seus aliados internacionais fincam as garras no Brasil. A mesma turma que vocifera contra os Estados Unidos, contra a “ingerência estrangeira”, aplaude de pé quando Lula abre as portas para Macron, para a China ou para qualquer país que se declare “progressista”. O discurso de soberania é apenas retórico: na prática, trata-se de uma soberania seletiva, aplicada somente contra inimigos ideológicos, nunca contra os aliados de ocasião.

O caso Macron-Sinop mostra um padrão: líderes estrangeiros que criticam o Brasil em público, mas em privado usam o país como quintal de negócios. A França, tão “defensora” da floresta amazônica, mantém uma estatal explorando energia em Mato Grosso e se esquiva de responder quando é intimada pela Justiça brasileira. Já a China, amiga de Lula, controla parte significativa do setor elétrico nacional, comprando distribuidoras e geradoras estratégicas. É a entrega da infraestrutura nacional disfarçada de “parceria”. O discurso de soberania é apenas fachada para legitimar a submissão a aliados ideológicos.

Macron deveria ter comparecido, ou pelo menos enviado uma resposta oficial. Não o fez porque sabe que, no Brasil de hoje, a Justiça é valente apenas quando o alvo é interno. Contra líderes estrangeiros aliados ao Planalto reina a conivência. A hipocrisia é evidente: fala-se em “respeito às instituições” quando convém, mas o silêncio é cúmplice quando a soberania brasileira é diminuída em nome de alinhamentos políticos.

A verdade é que Macron, assim como outros chefes de Estado aliados de Lula, não vê o Brasil como um parceiro soberano, mas como um território disponível, útil para negócios, palco de discursos e um mercado aberto para empresas estatais estrangeiras. Quem paga o preço somos nós: perdemos soberania real, enquanto nos distraem com slogans vazios de soberania retórica.

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