Maduro matou mais de 10 mil pessoas
Publicado originalmente por Redação Timeline em 07/06/2026
ONG venezuelana Provea afirma que 10.853 pessoas foram mortas por forças de segurança entre 2013 e 2025; documento denuncia padrão sistemático de repressão
CARACAS, 7 de junho de 2026 - Um relatório divulgado pela organização venezuelana Programa Venezolano de Educación-Acción en Derechos Humanos (Provea) afirma que 10.853 pessoas foram mortas por agentes do Estado venezuelano durante os anos de governo de Nicolás Maduro, entre 2013 e 2025.
Segundo a entidade, os casos registrados envolvem operações policiais e militares realizadas em diversas regiões do país ao longo da última década. A organização sustenta que parte significativa dessas mortes apresenta características compatíveis com execuções extrajudiciais, especialmente em comunidades de baixa renda.
A Provea é uma das mais antigas organizações de defesa dos direitos humanos da Venezuela e atua há décadas monitorando violações de direitos civis, políticos e sociais no país.
De acordo com o levantamento, os principais alvos das operações letais teriam sido jovens entre 18 e 30 anos. A ONG afirma que forças policiais e militares concentraram suas ações em bairros populares, onde ocorreram milhares de mortes classificadas pela entidade como decorrentes de uso excessivo da força estatal.
O relatório também aponta um aumento expressivo das violações contra lideranças comunitárias, ativistas e defensores de direitos humanos. Segundo os dados apresentados, houve crescimento de 196% nos casos relacionados à integridade física dessas pessoas quando comparados a períodos anteriores.
As informações divulgadas pela Provea incluem tanto mortes ocorridas em operações de segurança pública quanto vítimas registradas durante a repressão estatal aos grandes protestos antigoverno de 2014 e 2017, episódios que mobilizaram centenas de milhares de venezuelanos contra o regime chavista.
As denúncias feitas pela organização coincidem com conclusões apresentadas ao longo dos últimos anos por organismos internacionais, incluindo missões independentes ligadas às Nações Unidas, que documentaram acusações de execuções extrajudiciais, detenções arbitrárias, tortura e perseguição política na Venezuela.
O governo venezuelano historicamente rejeita essas acusações. Autoridades chavistas costumam afirmar que os relatórios produzidos por organizações de direitos humanos e por organismos internacionais seriam parte de campanhas de desestabilização política promovidas por adversários do regime.
Até o momento, não existe uma condenação judicial internacional definitiva responsabilizando pessoalmente Nicolás Maduro pelas mortes mencionadas no relatório. A atribuição de responsabilidade decorre da interpretação da Provea de que os abusos ocorreram de forma sistemática sob a estrutura estatal venezuelana durante seu governo.
Ainda assim, o número apresentado pela organização reforça o debate internacional sobre a situação dos direitos humanos na Venezuela e amplia a pressão sobre as autoridades do país em relação às denúncias acumuladas ao longo dos últimos anos.
O documento representa um dos mais abrangentes levantamentos já produzidos por uma organização venezuelana sobre a atuação das forças de segurança durante a era Maduro.




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