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O Irã desliga a internet

Oct 4
3 min read

Publicado originalmente por Redação Timeline em 24/06/2025

Só ditaduras podem aplaudir

O que o Irã está fazendo hoje não é novo, é apenas mais um capítulo no manual moderno das tiranias digitais. Quando o povo começa a enxergar, protestar ou pensar por conta própria, a primeira reação dos regimes autoritários é sempre a mesma: desligar a internet.

Depois dos ataques israelenses às suas instalações militares e nucleares, o governo iraniano simplesmente apagou o país da rede mundial. Não por pane técnica, mas por decisão estatal. Por medo, por desejo de controle.

Segundo a NetBlocks, o tráfego digital caiu até 97% em algumas regiões. Redes móveis, VPNs, mensageiros e redes sociais foram bloqueados. Além disso, centenas de pessoas foram presas. Entre elas, cidadãos afegãos acusados de “colaboração com Israel”. E presos políticos desapareceram sem qualquer registro oficial.

Isso não é exceção. é regra, onde a liberdade foi substituída pelo medo. A censura digital tem cepas diferentes, mas a doença é a mesma… Na China, o Partido Comunista mantém o “Grande Firewall”, um sistema sofisticado de censura digital que impede o acesso da população a redes como Google, YouTube, WhatsApp, X ou qualquer fonte de informação não estatal. Tudo que o cidadão chinês consome na internet é pré-filtrado, moldado e, se necessário, apagado. O Partido Comunista Chinês testa um sistema de crédito social baseado no comportamento digital, punindo com restrições quem “pensa errado”.

Na Rússia, Vladimir Putin já impôs bloqueios a redes sociais durante protestos contra seu regime, especialmente depois do início da guerra contra a Ucrânia. O Telegram é monitorado, jornalistas independentes são perseguidos e plataformas como Facebook e Twitter foram limitadas ou banidas. O pretexto? “Segurança nacional” e “defesa da soberania”. A realidade? Controle narrativo e supressão da dissidência.

Na Venezuela, o regime chavista opera com censura seletiva, cortes regionais de internet, perseguição a influenciadores e jornalistas críticos. Durante manifestações, a rede móvel “cai misteriosamente”. Sites de oposição são bloqueados. Plataformas de streaming com conteúdo contra o governo são inacessíveis sem VPN. O povo se cala ou desaparece.

Agora, o Irã segue a mesma cartilha: apagão informacional, repressão política, censura total. A fórmula é conhecida e eficiente, é cruel, é covarde. A verdade é o maior inimigo dos tiranos… Governos que bloqueiam a internet não estão se defendendo, estão se escondendo.

O regime iraniano não teme Israel, teme o próprio povo. Teme que vídeos, relatos e imagens de abusos circulem. Teme perder o controle da narrativa. Por isso, incentiva o uso de uma intranet nacional, isolada do mundo, controlada por censores. Uma rede sem mundo exterior, sem contraditório, sem liberdade.

Os protestos do Ocidente são poucos… A ONU nada faz. A imprensa “progressista”, tão vocal contra o “discurso de ódio” nas redes, agora ignora a tirania do silêncio forçado. As Big Techs, cúmplices em vários momentos, assistem a tudo, caladas — ou, pior, colaboram com censores quando interessa a suas narrativas, de olho nos lucros consequentes.

Essa omissão é perigosa. O que começa com censura “lá longe”, em ditaduras exóticas, acaba virando modelo para países “democráticos” em crise. Quando você ouve autoridades falando em “regulação das redes sociais”, lembre-se: o Irã também dizia estar combatendo a desinformação. A China também fala em “harmonia digital”. A Rússia diz querer “proteger seus cidadãos”. A Venezuela jura que é para “defender a soberania nacional”.

É sempre a mesma desculpa. Sempre o mesmo fim. Censura jamais será proteção. Censura é opressão. Bloqueio não é segurança, é tirania. E a liberdade, quando perdida, raramente é recuperada sem luta.

Texto por: André Costa

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