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Parabéns, você será substituído por inteligência artificial

Oct 3
4 min read

O socialismo é devastador e é de propósito


ORLANDO, 28 de maio de 2026 — Durante anos, políticos brasileiros venderam a ideia socialista de que bastava aprovar mais direitos trabalhistas para melhorar automaticamente a vida do trabalhador. Agora, mais uma vez, o país assiste à tentativa de reduzir jornadas de trabalho por decreto, como se produtividade pudesse ser criada na canetada e como se empresas fossem entidades abstratas, sem custos, sem concorrência e sem limite financeiro.

A realidade é mais cruel e vai doer muito

A nova discussão sobre a redução da jornada de trabalho no Brasil surge exatamente no pior momento possível: inflação persistente, moeda fraca, produtividade estagnada, informalidade elevada, Previdência deficitária e um ambiente global em que a inteligência artificial começa a substituir funções humanas numa velocidade inédita.

O discurso político é sedutor. Trabalhar menos, ganhar igual. Quem seria contra? O problema é que a economia não funciona com slogans.

Quando o Estado reduz a jornada sem redução proporcional de salário, ele aumenta artificialmente o custo da hora trabalhada. Em países ricos, altamente produtivos e com mercado flexível, isso já gera dificuldades. No Brasil, onde tudo é rigidamente regulado, o impacto tende a ser ainda mais destrutivo.

Nos Estados Unidos, por exemplo, muitos trabalhadores recebem efetivamente por hora trabalhada. Há flexibilidade. Há contratos diversos. Há possibilidade de jornadas variáveis, empregos temporários, part-time jobs e acordos mais livres entre empregador e empregado. No Brasil, não.

Na terra do samba, o empresário brasileiro não contrata apenas um funcionário. Ele contrata um pacote gigantesco de encargos, riscos judiciais, obrigações previdenciárias, custos indiretos e insegurança regulatória. O salário real de um empregado muitas vezes custa o dobro — ou mais — do valor que chega ao bolso do trabalhador.

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Agora imagine esse cenário combinado com jornadas menores, ok?

O pequeno empresário que antes precisava de um funcionário trabalhando dez ou doze horas em determinados turnos operacionais não poderá simplesmente “produzir menos”. Ele precisará contratar mais pessoas para manter a mesma operação funcionando. Mais encargos. Mais custos fixos. Mais risco trabalhista.

E então começa a reação previsível. Primeiro vem a redução de contratações formais. Depois vem a terceirização. Depois a pejotização. Depois a informalidade. E finalmente, a automação.

É aqui que a discussão fica realmente perigosa.

A esquerda brasileira continua debatendo relações trabalhistas como se estivéssemos em 1985. O mundo, porém, já entrou na era da inteligência artificial generativa, automação logística, caixas autônomos, atendimento virtual, produção automatizada e softwares capazes de substituir setores inteiros de trabalho administrativo.

Quando o custo humano sobe artificialmente, a tecnologia deixa de ser apenas uma inovação e passa a ser uma necessidade financeira.

A empresa que talvez demorasse dez anos para automatizar um setor passará a fazer isso em dois. O restaurante que mantinha funcionários humanos começará a usar totens. O escritório que empregava assistentes contratará IA. O comércio reduzirá vendedores. O call center desaparecerá.

E tudo isso acontecerá justamente no país que menos preparou sua população para competir tecnologicamente. O resultado provável não será uma sociedade mais justa.

Será uma sociedade mais informal, mais automatizada, mais dependente do Estado e com menos empregos de entrada para jovens e trabalhadores pouco qualificados.

Existe ainda um segundo problema que quase ninguém menciona: a Previdência.

O sistema previdenciário brasileiro já opera sob enorme pressão fiscal. O dinheiro que financia aposentadorias depende da arrecadação gerada pelos trabalhadores formais e pelas empresas.

Quando a formalização diminui, a arrecadação cai. Quando a arrecadação cai, o Tesouro cobre o rombo. E quando o Tesouro cobre o rombo, existem apenas três caminhos: Mais dívida. Mais impostos. Ou inflação. Na prática, normalmente vêm os três juntos.

O governo arrecada menos porque há menos formalização, mas gasta mais porque o déficit previdenciário cresce. Para compensar, aumenta impostos sobre consumo, crédito, folha ou empresas. As empresas repassam custos aos preços. A inflação sobe. A moeda perde valor. O poder de compra do trabalhador diminui.

E então o próprio trabalhador que supostamente seria protegido pela nova legislação descobre que trabalha menos horas, mas vive pior.

Esse ciclo não é teórico. O Brasil já viveu isso inúmeras vezes. A tragédia brasileira é insistir em combater consequências sem atacar causas.

O verdadeiro problema do trabalhador brasileiro não é simplesmente “trabalhar demais”. O problema é baixa produtividade, educação precária, insegurança jurídica, carga tributária sufocante, burocracia extrema, moeda fraca e um Estado gigantesco que consome riqueza sem gerar competitividade.

Nenhuma sociedade enriqueceu tornando trabalho mais caro artificialmente enquanto sua produtividade permanecia baixa.

E agora existe um agravante histórico: pela primeira vez, o capital possui uma alternativa concreta ao trabalho humano em larga escala.

A inteligência artificial não faz greve, não pede férias, não gera passivo trabalhista, não entra com ação na Justiça do Trabalho, não paga INSS, não exige encargos.

Quando o Estado transforma a contratação humana em um custo excessivo, ele acelera exatamente aquilo que diz combater: a substituição do homem pela máquina.

Parabéns. Você aprovou uma política que talvez não reduza sua jornada. Talvez apenas elimine seu emprego.

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