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Partidos abrem as portas para terroristas enquanto fingem combater o crime

3 de out.
3 min de leitura

Sete dos oito maiores partidos do Brasil não possuem mecanismos específicos para impedir a filiação de integrantes de terroristas. Enquanto Brasília discursa, PCC e CV avançam


BRASÍLIA, 15 de junho de 2026 — O Brasil chegou a um ponto que seria considerado absurdo em qualquer democracia minimamente séria: partidos políticos recebem bilhões de reais em fundos públicos, mantêm departamentos jurídicos, estruturas de compliance, equipes de inteligência eleitoral e assessorias permanentes, mas alegam não ter meios para impedir que criminosos ligados a facções e grupos terroristas utilizem suas legendas como porta de entrada para o poder.

Levantamento publicado pela Folha de S.Paulo mostra que, entre os oito maiores partidos do país, responsáveis por cerca de 80% das cadeiras da Câmara dos Deputados, apenas o MDB criou uma norma específica para impedir a filiação e candidatura de pessoas ligadas a facções criminosas, milícias e organizações paramilitares.

Os demais preferem confiar na sorte ou na cegueira seletiva.

A situação torna-se ainda mais grave diante de um alerta emitido pela própria Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), que registrou oficialmente que a crescente interação entre crime organizado e política já representa uma ameaça ao processo eleitoral brasileiro. Segundo o órgão, facções e terroristas possuem capacidade real de influenciar eleições.

Se o Estado sabe, se a inteligência sabe, se o Ministério Público sabe, se a Polícia Federal sabe, por que os partidos fingem não saber?

A resposta está no dinheiro.

Não existe interesse dos partidos em afastar indivíduos capazes de trazer recursos financeiros para campanhas e estruturas partidárias. Traduzindo para o português claro: enquanto o crime entregar votos, influência territorial ou dinheiro, muitos dirigentes partidários preferem olhar para o outro lado. Os exemplos não faltam.

No Rio de Janeiro, investigações da Polícia Federal apontaram suspeitas envolvendo o então deputado estadual TH Joias, condenado por tráfico de drogas e associação para o tráfico, que recebeu recursos partidários para disputar eleições. O caso gerou enorme repercussão e terminou com sua expulsão do MDB.

Em São Paulo, operações como Munditia, Decurio, Contaminatio e TAC atingiram políticos ligados a diferentes partidos, investigados por esquemas envolvendo corrupção, lavagem de dinheiro e suspeitas de vínculos com o PCC. Segundo a reportagem, pelo menos sete agentes políticos foram alcançados por medidas judiciais ou prisões.

O problema vai além de vereadores ou prefeitos.

Quando o crime alcança deputados e senadores, alcança também emendas parlamentares bilionárias, organizações contratadas sem licitação e canais de distribuição de recursos públicos cuja rastreabilidade continua sendo alvo de questionamentos.

É exatamente nesse ponto que a infiltração deixa de ser um problema policial e se transforma em uma ameaça institucional.

Enquanto isso, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que o partido nunca discutiu medidas específicas para impedir a infiltração de facções e declarou estranhar o tamanho atribuído a essas organizações.

A declaração chama atenção justamente porque ocorre em um momento em que investigações federais, estaduais e relatórios de inteligência apontam o crescimento da presença do crime organizado em áreas cada vez mais sensíveis da vida pública brasileira.

Há, evidentemente, um desafio jurídico legítimo: ninguém pode ser tratado como integrante de facção sem critérios objetivos ou devido processo legal. Advogados eleitorais lembram corretamente que a presunção de inocência continua sendo um princípio fundamental.

Mas existe uma enorme diferença entre respeitar garantias constitucionais e simplesmente não realizar qualquer filtro preventivo.

Bancos privados já discutem mecanismos para identificar indivíduos ligados a organizações criminosas. Órgãos de investigação trocam informações. O Ministério Público debate a criação de um cadastro nacional de integrantes de facções.

Os partidos, porém, parecem ter descoberto uma curiosa vocação para a ingenuidade.

No Brasil de 2026, a pergunta já não é se o crime organizado deseja entrar na política.

A pergunta é quantas portas permanecem abertas, e quem está segurando a maçaneta.

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