Polícia Federal realizou busca ilegal contra Flávio Bolsonaro em escritório de advocacia
Defesa aponta desvirtuamento de mandado expedido por Mendonça, foco em bens do senador e vazamento de fotos para coordenador não identificado
BRASÍLIA, 9 de setembro de 2026 — Agentes da Polícia Federal sob a gestão de Andrei Rodrigues cometeram irregularidades e desvirtuaram mandados judiciais para realizar uma busca clandestina contra o senador Flávio Bolsonaro (PL) durante operação no escritório do advogado Willer Tomaz, segundo petição sigilosa encaminhada ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A denúncia, formalizada pelo advogado Michael Cunha — que acompanhou as diligências de 4 de agosto —, sustenta que a equipe chefiada pelo delegado André Gherardi descumpriu restrições expressas fixadas por Mendonça e promoveu uma devassa no local voltada a coletar documentos sobre o parlamentar, que não figurava como investigado no inquérito. O procedimento original apurava suspeitas relacionadas ao senador Weverton Rocha (PDT-MA), amigo e sócio de Tomaz.
“A despeito de o mandado especificar, detalhadamente, o objeto da diligência determinada pelo ministro relator e o escopo da referida operação, este advogado se deparou com fatos que revelam possíveis indícios de desvirtuamento do objeto do mandado pela autoridade policial e sua equipe”, registrou Cunha no documento. De acordo com o relato, os policiais focaram na localização de registros de imóveis no Rio de Janeiro e citaram reiteradamente os termos “Flávio” e “01”, com menções a uma ilha em Angra dos Reis alvo de disputa com o jogador Richarlison, na qual o senador constava apenas como testemunha.
O documento aponta ainda que a equipe recolheu pastas com escrituras, comprovantes bancários e notas fiscais sem relação com a investigação, além de violar a proibição de registrar imagens do ambiente profissional. Segundo a petição, fotos internas do imóvel foram publicadas pela imprensa durante o cumprimento da ordem e o delegado admitiu ter compartilhado os registros com um “coordenador da operação” cuja identidade não foi revelada.
O relato de desvio de finalidade nas diligências agrega novos elementos às acusações sobre práticas de espionagem e aparelhamento na PF levadas ao gabinete de Mendonça, relator do processo responsável pela determinação inicial das buscas.




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