RESUMO DE NOTÍCIAS – 03/09/2025
Publicado originalmente por Redação Timeline em 03/09/2025
Segundo dia da farsa, nas redes sociais Tagliaferro venceu o “julgamento” e o PL da Anistia ganhando força
Segundo dia do fajuto julgamento de Bolsonaro
Os ministros da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal retomaram hoje o julgamento da ação penal contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete réus. O grupo é acusado de tentativa de golpe de Estado em 2022.
As defesas de quatro réus apresentaram seus argumentos. Falaram, nesta ordem, os advogados de Augusto Heleno, Jair Bolsonaro, Paulo Sérgio Nogueira e Walter Braga Netto.
Cada defesa teve cerca de uma hora para apresentar seus posicionamentos.
Hoje não há sessão na parte da tarde. O julgamento será retomado na quarta-feira da semana que vem, também com sessão apenas na parte da manhã, e termina na sexta, 12 de setembro, com sessões previstas em dois turnos.
Defesa tenta descolar Heleno de Bolsonaro
O advogado Matheus Milanez, que faz a defesa do general Augusto Heleno, ministro-chefe do GSI no governo Bolsonaro, reclamou que não teve como acessar todo o material acumulado pela Polícia Federal, por causa da enorme quantidade de dados, com documentos em excesso, desorganizados e sem identificação clara…
Ele mostrou que no processo Alexandre de Moraes investigou e perguntou muito mais do que o procurador-geral da República…
Milanez argumentou que na live do então presidente Bolsonaro de 29 de julho de 2021, que a acusação diz que marca o início do “golpe”, o general Augusto Heleno não se pronunciou, ficou ao fundo, mexendo no celular. Faltou dizer que, mesmo que tivesse falado, não é crime querer a melhora do sistema eletrônico de votação e apuração dos votos e trabalhar pela aprovação do voto impresso auditável, com apuração pública dos votos.
Depois, o advogado quis mostrar que o general Heleno perdeu espaço no governo Bolsonaro nos últimos dois anos do mandato… Como se tivesse havido algo errado, mas o general Augusto Heleno não tivesse tomado parte. Matheus Milanez chegou a dizer que o general tentou convencer Bolsonaro a tomar a vacina da covid…
O advogado mostrou que o Ministério Público usou na acusação contra o general páginas isoladas de um bloco de notas do militar: reuniu as informações de uma página e depois as de outra, eliminando cem páginas que havia entre elas… Disse também que o general Augusto Heleno não gravou o vídeo que lhe foi pedido em apoio aos manifestantes que estavam em frente a quartéis do Exército. Ora, a Constituição garante a livre manifestação… Portanto, as concentrações em frente aos quartéis não eram ilegais. Matheus Milanez ainda afirmou que o general Heleno participou da transição de governo após o segundo turno das eleições de 2022, sem criar qualquer tipo de dificuldade.
Advogados reforçam: “Bolsonaro não cometeu nenhum crime”
O advogado de Bolsonaro Celso Vilardi reafirmou que não teve acesso a todas as provas do processo. Ele explicou que a quantidade de material é enorme e que não houve prazo para análise de tudo. Criticou a delação de Mauro Cid, que mudou seu depoimento diversas vezes. Citou também mensagens vazadas de Mauro Cid para um amigo e mensagens dele para alguém no Instagram, usando um perfil no nome da mulher do delator. Nessas mensagens, Cid diz que foi coagido, que foi obrigado a confirmar a narrativa da PGR e de Alexandre de Moraes… O ex-ajudante de ordens de Bolsonaro deixou claro que não houve golpe. Celso Vilardi afirmou que a delação deve ser anulada, que Mauro Cid não é confiável.
Vilardi perguntou o seguinte: se Bolsonaro queria dar um golpe, mas não obteve apoio dos militares numa reunião em 7 de dezembro de 2022 e desistiu da ideia, que ligação ele pode ter com protestos em Brasília em 15 de dezembro de 2022 e com o que houve em 8 de janeiro de 2023? O advogado disse que Bolsonaro nunca instigou ninguém a fazer protestos, muito pelo contrário.
Sobre a tal minuta, ela foi encontrada no celular de Mauro Cid… O documento encontrado na sede do PL, na mesa de Bolsonaro, foi impresso pelo advogado dele e entregue ao ex-presidente, para que tomasse conhecimento do teor, já que o material tinha sido incluído no processo.
Vilardi afirmou que Bolsonaro realmente conversou sobre a adoção de medidas constitucionais e que chegou-se à conclusão de que não eram cabíveis. Ele questionou as acusações principais, que deveriam incluir violência e grave ameaça, o que não houve… Reforçou que não tem cabimento dizer que uma live, em julho de 2021, uma reunião com diplomatas estrangeiros, em julho de 2022, e uma reunião com comandantes militares, em dezembro de 2022, envolvem violência ou grave ameaça… Ele lembrou que no Brasil não se pode punir um ato preparatório. Afirmou que Bolsonaro encerrou as conversas sobre dispositivos constitucionais para impedir a posse de Lula em 7 de dezembro de 2022.
O segundo advogado de Bolsonaro, Paulo Cunha Bueno, ressaltou que não dá para dizer que Bolsonaro usou em algum momento de violência e grave ameaça, que atos preparatórios só são considerados crimes no Brasil quando ligados a práticas terroristas, que o presidente não levou adiante a ideia de adotar Estado de Sítio ou de Defesa. E declarou que, se ele realmente pretendia levar adiante isso, mesmo com a resistência de dois comandantes militares, poderia ter trocado os comandantes…
Tagliaferro vence “julgamento” nas redes
Monitoramento realizado pela Quaest nas redes sociais a respeito do “julgamento” de Jair Bolsonaro e outros sete réus nessa terça-feira mostra que as menções positivas ao ex-presidente foram maioria. A apuração verificou que a hashtag #BolsonaroFree gerou o maior volume de menções contrárias ao julgamento, com 64%.
O monitoramento apurou que dentro da narrativa pela liberdade de Bolsonaro, uma publicação da senadora Damares Alves (Republicanos-DF), na rede social X, foi a que teve o maior alcance (2.254.218). A senadora publicou um texto no qual aponta o que ela considera fraudes no processo e pede a suspensão do julgamento.
Ainda na rede social X, o deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) foi o autor da segunda maior publicação em número de alcance: 920.972.
As publicações que comemoram a realização do julgamento representam 19% do total, conforme a Quaest. O baixo volume é atribuído, pelo instituto, a uma ausência de coordenação na mobilização…
E o depoimento do ex-assessor de Moraes Eduardo Tagliaferro na Comissão de Segurança Pública do Senado teve mais repercussão nas redes do que o julgamento na Primeira Turma do STF.
Projeto de Anistia ganha força no Congresso
O Congresso Nacional trabalha em ritmo acelerado para dar força à pauta da anistia para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023 e também para o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A articulação para aprovar o texto ganhou reforços de peso nos últimos dias, como o do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que entrou de vez nas negociações. Além dele, o pastor Silas Malafaia e líderes do PL discutem os detalhes do texto com a família Bolsonaro e os interlocutores de Bolsonaro junto à Casa Branca, ao deputado federal Eduardo Bolsonaro e ao jornalista Paulo Figueiredo.
A decisão da federação formada pelo União Brasil e o Progressista de deixar o governo e apoiar a anistia foi mais um grande passo rumo à aprovação do projeto.
De acordo com interlocutores, Hugo Motta (Republicanos-PB) tem dito a lideranças do governo que, se houver votos e “clima”, ele “não vai ter como segurar essa votação da anistia”. Líderes do centrão acreditam que os votos para aprovar a medida, que exige maioria simples, sempre existiram, e que Motta estaria apenas buscando o melhor momento para evitar atritos com o STF.
No Senado, o clima também é de apoio ao PL da Anistia.
Trump dá recado à China, Rússia e Coreia do Norte
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que os ditadores da China, Rússia e Coreia do Norte estão conspirando contra o seu país. Durante a cerimônia militar que marcou os 80 anos da vitória na 2ª Guerra Mundial, em Pequim, o ditador chinês Xi Jinping agradeceu a presença e o apoio das delegações participantes da comemoração, entre elas a dos ditadores da Rússia, Vladimir Putin, e da Coreia do Norte, Kim Jong-un. O assessor de Lula para assuntos internacionais, Celso Amorim, também estava em Pequim.
Xi Jinping disse que a China não “se curvará a confrontações” e que está do “lado certo da história”. Trump falou sobre a cerimônia em uma publicação no Truth Social. O presidente americano afirmou que os Estados Unidos ajudaram a China durante a 2ª Guerra Mundial: “A grande questão a ser respondida é se o presidente Xi, da China, mencionará ou não a enorme quantidade de apoio e ‘sangue’ que os Estados Unidos da América deram à China para ajudá-la a garantir sua LIBERDADE de um invasor estrangeiro muito hostil. Muitos norte-americanos morreram na busca da China por Vitória e Glória. Espero que sejam devidamente homenageados e lembrados por sua bravura e sacrifício“.
O evento militar de hoje é realizado pela China a cada 10 anos. O desfile relembra a contribuição da China para a vitória na 2ª Guerra Mundial. Na época, ao derrotar as tropas japonesas – que integravam o Eixo –, o país se aliou aos Estados Unidos e às demais forças dos Aliados.
E Trump deu mais um recado aos ditadores reunidos em Pequim: “Que o presidente Xi e o maravilhoso povo da China tenham um grande e duradouro dia de celebração. Por favor, transmitam meus mais calorosos cumprimentos a Vladimir Putin e Kim Jong-un, enquanto conspiram contra os Estados Unidos da América”.




Comentários