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RESUMO DE NOTÍCIAS – 04/03/2025

4 de out.
8 min de leitura

Publicado originalmente por Redação Timeline em 04/03/2025

STF e PT juntinhos, mídia dependente do governo e o desaparecimento de igrejas católicas na França 

Aliança STF-PT

A Advocacia-Geral da União está comemorando dados que reforçam a aliança entre o STF e o PT. Em 2023 e 2024, o Supremo decidiu de forma alinhada com o governo em quase 90% das “ações constitucionais”. Das 111 ações constitucionais com origem no Supremo nas quais a AGU se manifestou e foram julgadas nesses dois anos, 99 tiveram resultados positivos para Lula, o que corresponde a 89% do total. A AGU não enviou dados relativos ao mandato de Jair Bolsonaro.

O governo Lula teve êxito, por exemplo, em processos relacionados à restrição de acesso a armas de fogo, à PEC dos Precatórios, à desoneração da folha de pagamento e à abertura de crédito extraordinário para combate às queimadas.

Já Bolsonaro enfrentou derrotas quando estava no poder na disputa com os estados em torno do “isolamento social”, na tentativa de flexibilização do acesso a armas de fogo e até na nomeação de Alexandre Ramagem para a Polícia Federal, prerrogativa do presidente da República... Contra Bolsonaro valia tudo, até mesmo desrespeitar a Lei Máxima do Brasil.

 

Mídia Ninja

Para proteger essa aliança nefasta entre STF e PT, a perseguição política segue firme, como no caso da censura à Revista Timeline. Vale qualquer ilegalidade para calar os opositores. E sempre se dá um jeitinho para financiar a mídia amiga. Está repercutindo muito nas redes sociais a informação de que o grupo Mídia Ninja (Narrativas Independentes, Jornalismo e Ação), que tem um “portal de notícias”, atua em 250 cidades do Brasil e é ligada ao PT, usou ONGs para receber verba do governo Lula.

Esse grupo gosta de afirmar publicamente que não recebe recursos públicos, critica “veículos de comunicação corporativos que sobrevivem às custas de altos investimentos públicos”, mas seus fundadores dirigem ONGs que recebem dinheiro do governo. O movimento não tem personalidade jurídica própria, mas se financia por meio de duas ONGs de seus fundadores. Essas organizações já receberam R$ 4 milhões no atual governo.

A principal contemplada é a Associação Coletivo Cultural, que levou R$ 3,4 milhões. Uma parte da verba, R$ 296 mil, veio de convênio com a Funarte, ligada ao Ministério da Cultura. Para piorar, dois chefes dessa ONG que são fundadores da Mídia Ninja fizeram parte de colegiados da Funarte que atuaram na escolha de projetos que receberiam verbas de incentivo, ou seja, aprovaram a liberação de dinheiro para eles mesmos.

Essa ONG tenta dizer que não tem ligação direta com a Mídia Ninja, mas um dos documentos apresentados pela Organização ao governo demonstra que a relação dela com a Mídia Ninja é mais do que de “apoio”. O texto diz que a associação foi criada para “oferecer uma base jurídica e institucional para os projetos da rede cultural Fora do Eixo e Mídia Ninja”... O Ministério da Cultura diz que seguiu critérios estabelecidos em portaria que determinava a seleção de representantes da sociedade civil.

E esse é só um dos jeitinhos que o PT usa para sustentar sua militância porque, todo mundo sabe, não existe petista grátis, ou que se mantenha com recursos que não sejam dos pagadores de impostos...

 

A ditadura dos outros

Os jornais de hoje estão cheios de editoriais e artigos sobre o filme “Ainda estou aqui”, que levou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Todos falam do regime militar, mas não citam a ditadura do Judiciário em curso... Como escreveu o comentarista Roberto Motta, “há poucas coisas tão satisfatórias e seguras quanto produzir uma obra de protesto contra uma ditadura que não existe mais”.

As baboseiras estão na coluna do Merval Pereira, no O Globo, que alerta sobre os “riscos à democracia nos Estados Unidos” – claro, por causa de Donald Trump – e termina assim: “Um país capaz de produzir um filme como ‘Ainda estou aqui’ está pulsante”.

Walter Salles já tinha falado sobre como pode ruir a maior democracia do mundo... E ele deu mais uma entrevista em que afirmou: “A gente está vivendo um processo de fragilização crescente da democracia, um processo que está se acelerando cada vez mais”. Claro que ele não vê nada do que se passa no Brasil desde 2019...

A Folha, com a mesma visão seletiva, publicou o editorial: “Oscar para ‘Ainda estou aqui’ tem significado especial”. Subtítulo: “Escolha da obra de Walter Salles com Fernanda Torres como melhor filme internacional ganha projeção em um momento em que as ameaças à democracia cruzam fronteiras e fazem do mundo um lugar menos seguro”.

A Fernanda Torres está preocupada com o futuro: “Penso nas crianças hoje, que filmes elas farão daqui a 50 anos sobre nossa resistência ao autoritarismo... É um filme sobre transmissão e resistência ao longo do tempo”. Claro que ela não quer saber de resistir à ditadura dos seus amigos, que será sempre uma democracia, mesmo que relativa.

No Estadão, a Eliane Cantanhêde, mais uma vez, delirou. Ela fez a seguinte pergunta: “Se o golpe de Bolsonaro tivesse dado certo, o Brasil teria ganhado o seu primeiro Oscar?”.

No Globo, Míriam Leitão resolveu elogiar a anistia ao seu grupo, e só para o seu grupo: “A Lei da Anistia pela qual Eunice Paiva lutou nos trouxe de volta quem fazia falta ao país”.

Não saiu em jornal nenhum, mas circula nas redes sociais um texto muito bom do ex-ministro de Bolsonaro Adolfo Sachsida sobre “Ainda estou aqui”: “Vieram me perguntar se eu assisti a ‘Ainda Estou Aqui’. Minha resposta foi direta: sim. Infelizmente, tenho assistido a esse episódio há mais de um ano. Eu sou a viúva de Clezão, preso injustamente e morto na Papuda. Eu ainda estou aqui. Eu sou Débora, cabeleireira e mãe de dois filhos. Escrevi ‘Perdeu, Mané’ com batom em uma estátua e fui condenada a 17 anos de prisão. Eu ainda estou aqui. Eu sou o vendedor de algodão doce que estava na Esplanada dos Ministérios trabalhando no dia 8 de janeiro e fui preso por engano. Eu ainda estou aqui. Eu sou o morador de rua que pedia comida e também fui preso injustamente. Eu ainda estou aqui. Eu sou o autista que trabalha em um lixão e que, por estar presente no dia 8 de janeiro, sou obrigado a usar tornozeleira eletrônica. Eu ainda estou aqui. Eu sou Filipe Martins, preso injustamente por seis meses por uma viagem que nunca fiz (e que, mesmo se tivesse feito, não seria crime). Eu ainda estou aqui. Eu sou a mãe de seis filhos e esposa de um caminhoneiro que viajou a Brasília para entregar mercadorias. Enquanto esperava o caminhão ser carregado, meu marido foi à Esplanada e hoje está condenado a mais de 15 anos de cadeia. Eu ainda estou aqui. Eu sou uma menina de 3 anos. Eu sou um menino de 6. Somos crianças órfãs de pais vivos. Nossos pais nunca pegaram em armas, nunca cometeram crime algum, mas hoje estão condenados a mais de 15 anos de prisão. Nós ainda estamos aqui. Eu sou um brasileiro comum, que vê a classe artística e os jornalistas serem TIGRÃO com uma ditadura que acabou há 40 anos, mas TCHUTCHUCA diante dos desmandos de hoje no Brasil. Eu ainda estou aqui. Eu sou um advogado, chocado com o silêncio ensurdecedor da OAB diante de tantos absurdos jurídicos, condenações e penas desproporcionais. Eu ainda estou aqui. Eu sou um brasileiro comum, que hoje tem medo de escrever um texto na internet criticando uma autoridade pública, temendo ser preso por crimes que não existem. Eu ainda estou aqui”.

 

Ensino superior para quem?

A proporção de brasileiros acima de 25 anos com curso superior cresceu 2,7 vezes em pouco mais de 20 anos, revelam novos dados do Censo 2022 divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Embora o percentual de brasileiros com curso superior tenha subido de 6,8% em 2000 para 18,4% em 2022, o número de pessoas com um diploma de faculdade ainda é bem menor do que a média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), de 48%.

Além disso, o maior número de brasileiros com formação superior coincide com o aumento vertiginoso de cursos à distância (EAD). Dados do Ministério da Educação mostram que os matriculados nessa modalidade saltaram de 1.682 alunos em 2000 para mais de 4 milhões em 2022.

Fato é que o Brasil gasta muito com ensino superior, muito mais do que investe na educação básica. Em 2021, o gasto médio anual do Brasil com alunos da educação básica foi de US$ 3.181, abaixo da média dos países da OCDE (US$ 11.736). No ensino superior, o gasto brasileiro (US$ 13.569) é bem mais próximo ao da OCDE (US$ 17.138). Também há poucos investimentos no ensino técnico, no ensino profissionalizante...

Ou seja, gasta-se muito em ensino superior, no qual se concentram os brasileiros com melhor poder aquisitivo, e pouco em educação básica, na qual estão todas as crianças do país, ricas e pobres. Essa opção, na prática, resulta em transferência de renda para os mais ricos e numa formação ruim de quem não tem dinheiro e não poderá disputar as melhores vagas, seja nas universidades, seja no mercado de trabalho. É preciso mudar isso.

 

EUA e Argentina

O presidente Donald Trump afirmou que pode considerar a negociação de um acordo de livre comércio com a Argentina, como já foi sugerido pelo presidente Javier Milei. O argentino, admirador de Trump, foi chamado de "grande líder" pelo americano. Para realizar esse acordo, a Argentina teria de deixar o Mercosul, que exige tratados negociados por todos os membros.

 

A Guerra na Ucrânia

Os Estados Unidos, maiores financiadores da Ucrânia no período da guerra contra a Rússia, afirmaram que vão interromper a ajuda, até o país se comprometer com as negociações de paz. Três dias depois do bate-boca com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, no Salão Oval da Casa Branca, Donald Trump ordenou a suspensão da ajuda militar americana à Ucrânia até que se tenha certeza de que o país está comprometido com as negociações de paz com a Rússia.

E a Europa começou a se preparar para a retirada do apoio dos Estados Unidos à Ucrânia e, mais ainda, para um cenário de aliança entre Washington e Moscou. A chefe de governo da União Europeia, Ursula von der Leyen, disse que o bloco europeu prepara um plano de 800 bilhões € (R$ 4,9 trilhões) para reforçar as defesas das nações da UE e diminuir o impacto da potencial retirada americana da aliança de países que ajudam a Ucrânia.

 

Cada vez menos igrejas católicas na França

A cada duas semanas uma igreja católica desaparece na França. Esse dado está numa reportagem publicada hoje pela Gazeta do Povo. Em 2024, foram registrados quase 50 incêndios e tentativas de incêndio dolosos contra locais de culto católicos, contra 38 em 2023. Houve, portanto, um aumento de mais de 30% no número de ataques.

A reportagem usa uma expressão que raramente se vê em jornais: “cristianofobia”. E cita vários casos de incêndios em igrejas na França e também de profanações e roubos. Até mesmo as celebrações são frequentemente interrompidas. No Natal, por exemplo, durante a missa numa igreja perto de Versalhes, um homem foi para o altar, gritando “Allah Akbar”, e mostrou suas nádegas aos fiéis. E o problema atinge todas as regiões do país...

Rémi Brague, professor emérito de Filosofia Árabe Medieval na Universidade de Paris, disse o seguinte: "Está se tornando cada vez mais difícil argumentar que esses ataques, em nome de Alá, não têm nada a ver com o Islã, como alguns continuam repetindo. Na verdade, é o cristianismo como tal que está sendo visado. E quase ninguém se solidariza com os cristãos quando eles são atacados”.

De acordo com Edouard de Lamaze, presidente do Observatório do Patrimônio Religioso de Paris, “uma igreja desaparece na França a cada quinze dias, queimada, vendida, demolida. Dois terços dos incêndios são criminosos. Se continuarmos assim, nosso patrimônio será completamente destruído. Perderemos tudo”.

O observatório que ele dirige contabilizou uma média de mil ataques anticristãos, incluindo incêndios, destruição de estátuas e roubos de hóstias por ano. E, dentro dessa estrutura, ele previu que 10% do patrimônio religioso será destruído ou abandonado até 2030. Isso significa que cinco mil igrejas correm o risco de desaparecer em meio a ataques, secularização e deterioração dos edifícios, resultantes, sobretudo, da falta de vontade – tanto das hierarquias políticas quanto das religiosas – de manter vivo um patrimônio que é o espírito da França.

A reportagem da Gazeta termina assim: “A consciência de um cerco multifacetado deveria impulsionar a comunidade católica a organizar uma reação, especialmente em nível cultural, e as autoridades deveriam investir mais recursos para processar os autores de incêndios e profanações. Mas até o momento, entre a preguiça da primeira e a indolência da segunda, estamos apenas no meio de uma aceleração opressiva e violenta da descristianização”.

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