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RESUMO DE NOTÍCIAS – 08/08/2025

4 de out.
6 min de leitura

Publicado originalmente por Redação Timeline em 08/08/2025

O tirano Alcolumbre, o golpismo do Estadão, o dedão de Moraes e o bilionário STF

O autoritarismo de Davi Alcolumbre

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), disse ao colégio de líderes que não pautará o impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes nem se todos os integrantes da Casa assinarem o requerimento. Ele está sob pressão da oposição, que ocupou o plenário do Senado até ontem, cobrando o afastamento do magistrado.

Alcolumbre afirmou que a prerrogativa de pautar o impeachment de ministros era exclusiva dele. Numa fala direcionada ao senador Eduardo Girão (Novo-CE), ele foi incisivo ao negar que pautaria o requerimento. O presidente disse que “não se trata de uma questão numérica”, e, sim, de uma “avaliação jurídica”.

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) reagiu à afirmação de Alcolumbre nas redes sociais, afirmando que agora não se trataria apenas de um pedido de impeachment contra Moraes, mas também contra o próprio presidente do Senado, em razão de sua decisão de não pautar a matéria.

O governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil), acusou o presidente do Senado de agir de forma “autoritária”. A declaração de Mendes foi dada ontem depois da reunião de governadores de nove estados e do Distrito Federal, realizada na residência oficial do governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB). O encontro tratou dos impactos da crise institucional e das relações do Brasil com os Estados Unidos: “Não podemos aceitar, sob o pretexto de defender a democracia, a imposição de atitudes autoritárias. Isso parece estar acontecendo hoje no Brasil. Como Alcolumbre diz que, mesmo que os 81 senadores peçam, ele não vai pautar o impeachment de Moraes? Isso é autoritarismo”.

Como afastar Alcolumbre da presidência do Senado

O presidente do Senado pode ser afastado do cargo por quebra de decoro ou descumprimento de suas funções por meio de um processo de impeachment ou perda de mandato. O processo pode ser instaurado pela Mesa do Senado ou por um partido político representado no Congresso Nacional, com ampla defesa assegurada.

O impeachment, previsto no artigo 52 da Constituição, é o processo pelo qual um chefe de poder pode ser afastado por crimes de responsabilidade. No caso do presidente do Senado, o processo é instaurado e julgado pelo próprio Senado Federal. E a perda do mandato somente pode ocorrer por decisão do Plenário da respectiva casa, por maioria absoluta.

“Acuse-os do que você faz”

Três partidos – PT, PSB e PSOL – protocolaram um pedido à Mesa Diretora da Câmara para suspender, por seis meses, os mandatos de cinco deputados do PL que participaram da ocupação da Mesa Diretora do plenário. O ato, que começou na última terça-feira e se estendeu até a noite de quarta, impediu a realização de sessões. A oposição protestava contra a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Os pedidos têm como base o Regimento Interno e o Código de Ética e Decoro Parlamentar. A medida é cautelar e, segundo os autores, busca preservar a ordem e a autoridade da Mesa. Foram citados nas petições: Júlia Zanatta (PL-SC), Marcel van Hattem (NOVO-RS), Marcos Pollon (PL-MS), Paulo Bilynskyj (PL-SP) e Zé Trovão (PL-SC).

Os documentos são assinados pelos líderes Lindbergh Farias (PT-RJ), Pedro Campos (PSB-PE) e Talíria Petrone (PSOL-RJ), além de outros parlamentares das três siglas.

A turma que faz o pedido de punição aos deputados da oposição agora é a mesma que já ocupou o plenário da Câmara para pedir a libertação de Lula, quando ele estava preso na Polícia Federal de Curitiba. São os companheiros de Gleisi Hoffmann, Fátima Bezerra e Kátia Abreu, que, em 2017, quando eram senadoras, ocuparam a Mesa Diretora do Senado, tentando impedir a votação da reforma trabalhista de Michel Temer.

Sem falar no Davi Alcolumbre, hoje presidente do Senado, que, em 2019, ocupou a Mesa Diretora da Casa, para evitar que um aliado de Renan Calheiros, com quem Alcolumbre concorria pela presidência do Senado, comandasse os trabalhos em plenário.

O “golpismo explícito” do Estadão

O Estadão deu todo apoio aos hipócritas do PT, do PSB e do PSol no editorial “Golpismo explícito”, publicado hoje. O subtítulo é: “A punição dos que sequestraram o Congresso a título de livrar a cara de Jair Bolsonaro tem de ser exemplar. Não se pode premiar com a leniência quem atenta contra o funcionamento de um Poder”. Um trecho do artigo: “O único caminho republicano que se abre diante de Motta e Alcolumbre, se preocupados estiverem com suas biografias, é a restauração da autoridade moral e política do Congresso. E isso só será possível por meio de duas ações. Em primeiro lugar, a imediata e rigorosa punição de cada deputado e cada senador que participou do sequestro do Legislativo federal. O que eles fizeram é intolerável para um país que se pretende sério. Em segundo lugar, os presidentes da Câmara e do Senado devem enterrar definitivamente as demandas apresentadas pelos delinquentes a título de resgate. Avançar com a proposta de anistia a Bolsonaro e outros golpistas ou com o impeachment desarrazoado do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes equivalerá a uma capitulação. Não se negocia com delinquentes. A democracia não se rende – ou deixa de ser democracia”.

Ou seja, para o Estadão, todos os abusos, arbítrios e todas as ilegalidades praticados por Alexandre de Moraes não são reais… E ocupação de Mesa Diretora das Casas Legislativas e manifestação em Brasília que descamba para o vandalismo só podem ser consideradas “golpismo” quando não são promovidas por socialistas e comunistas…

O dedão de Moraes, e a demissão do fotógrafo

O Estadão, grande defensor da democracia, demitiu, nessa quarta-feira, o fotógrafo Alex Silva, de 63 anos, autor da foto que flagrou o ministro do STF Alexandre de Moraes mostrando o dedo do meio a torcedores durante uma partida de futebol. Foi na quarta-feira da semana passada, em 30 de julho, no estádio do Corinthians. A imagem viralizou nas redes sociais e gerou críticas ao comportamento do ministro.

O flagrante foi feito na primeira aparição pública de Moraes depois de ter sido alvo de sanções do governo dos Estados Unidos por meio da Lei Magnitsky. No camarote do estádio, o ministro teria reagido a xingamentos de torcedores do Corinthians.

Em nota, o jornal afirmou que a demissão de Silva, que trabalhava no veículo havia 23 anos, foi uma decisão “exclusivamente administrativa”, parte de uma “redução de quadros da editoria de Fotografia” já planejada.

O fotógrafo, que é especialista em coberturas esportivas, reclamou internamente que o jornal deu pouco destaque à foto e suspeita que a demissão esteja relacionada à repercussão política da imagem.

O jornal negou qualquer associação entre a demissão e a foto de Moraes, afirmando que a imagem teve “relevante valor jornalístico” e foi publicada como principal destaque na home do site na noite do jogo, mas não na primeira página do jornal…

Alex Silva relembrou o momento em que fez a foto. Ele contou que ouviu vaias e viu o gesto de Moraes. Ele foi o único, entre cerca de 70 fotógrafos credenciados, a registrar a cena.

Em janeiro do ano passado, o Estadão demitiu a editora Andreza Matais, da sucursal de Brasília, responsável pela série de reportagens sobre as visitas de Luciane Barbosa Farias, a “dama do tráfico amazonense”, ao Ministério da Justiça, que era comandado, na época, por Flávio Dino.

Luciane é casada com o chefe do Comando Vermelho no Amazonas, Clemilson dos Santos Farias, o Tio Patinhas, que está preso desde 2022. A própria “dama do tráfico amazonense”, condenada a 10 de prisão por crimes ligados ao tráfico de drogas, recorria em liberdade, mas foi presa no fim de maio.

O STF e seu orçamento bilionário

O STF aprovou nessa quinta-feira a proposta orçamentária de R$ 1 bilhão para 2026. A previsão foi aprovada durante sessão administrativa e será enviada ao Ministério do Planejamento e Orçamento para compor a proposta orçamentária da União para 2026.

A proposta do STF para 2026 teve aumento em relação ao orçamento deste ano, que ficou em R$ 953 milhões. No relatório em que votou a favor da aprovação do orçamento, o presidente do STF, ministro Luís Roberto Barroso, destacou que a Corte foi obrigada, por “fatores externos”, a aumentar os gastos com segurança.

Em 2020, o gasto com a proteção das instalações e com segurança dos ministros foi de R$ 40 milhões. No ano que vem, o valor proposto é de R$ 72 milhões. Barroso justificou assim o aumento: “Essa é uma despesa que tem causas externas ao tribunal. Vem do aumento das hostilidades ao Supremo Tribunal Federal, que são fato público e notório. O risco à segurança aumentou a necessidade de investir em infraestrutura, tecnologia e equipamentos e aumento de pessoal (servidores e terceirizados), com severo impacto no orçamento, mas inevitável”.

Ministro de Lula investigado pelo STJ

O ministro Flávio Dino, do STF, atendendo a pedido da Procuradoria-Geral da República, enviou para o Superior Tribunal de Justiça o inquérito que apura a compra de respiradores não entregues durante a covid e que envolve o ministro da Casa Civil, Rui Costa.

Dino afirmou que o caso é de competência do STJ, corte responsável por julgar governadores, porque os supostos atos praticados pelo investigado teriam ocorrido quando ele era chefe do Executivo da Bahia, e não ministro de Estado.

Os 300 ventiladores pulmonares nunca entregues, que custaram R$ 48,7 milhões aos cofres públicos, foram comprados de uma empresa sem histórico no setor, com pagamento adiantado, durante a gestão de Rui Costa no estado, num contrato com o tal Consórcio Nordeste, do qual ele também era presidente.

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