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RESUMO DE NOTÍCIAS – 10/06/2025

4 de out.
7 min de leitura

Publicado originalmente por Redação Timeline em 10/06/2025

Seguem os “interrogatórios”, o X de novo contra Moraes e pagadores de impostos bancando perseguição a opositores do governo Lula

Os interrogatórios de Cid e Ramagem

O Supremo Tribunal Federal retomou hoje o interrogatório dos réus na ação penal que apura a “tentativa de golpe de Estado”. Ontem, foram ouvidos o ex-ajudante de ordens Mauro Cid e o deputado federal Alexandre Ramagem. Faltam ainda os depoimentos de seis acusados.

O primeiro a falar é o ex-comandante da Marinha almirante Almir Garnier. A Procuradoria-Geral da República diz que ele aderiu ao “plano de golpe”. Ele teria se colocado à disposição de Bolsonaro em duas reuniões, no fim de 2022.

No interrogatório de ontem, Mauro Cid, que fechou acordo de colaboração premiada com a Polícia Federal, confirmou “a veracidade da denúncia da PGR” e declarou: “Presenciei grande parte dos fatos, mas não participei deles”.

Cid negou ter sido coagido e reafirmou o conteúdo de seus depoimentos anteriores. Ele disse que foram discutidas medidas constitucionais para evitar a posse de Lula.

Para o advogado de Jair Bolsonaro, Celso Vilardi, Mauro Cid tem memória seletiva: “Ele diz ‘lembro disso e disso’, mas, quando perguntado, cai em contradições e diz ‘esqueci’. Esse é o sétimo depoimento, de novo diferente, não tem um depoimento idêntico”.

Mauro Cid realmente usou muito expressões como “na minha visão”, “no meu entendimento”, “não tenho certeza, mas acho que”, “ouvi dizer”, “parecia que”… E, respondendo ao ministro Luiz Fux, ele confirmou que nenhum documento foi assinado, nem um decreto de estado de defesa, nem um decreto de estado de sítio… E, o mais importante, disse o seguinte: “A gente nunca manteve contato, o miolo da presidência, com nenhuma liderança, nenhum financiador dos acampamentos em frente a quartéis. A gente sabia do que estava acontecendo, as próprias mídias sociais, tudo, mas o núcleo interno ali, a gente não mantinha contato com ninguém”.

No depoimento, Vilardi mostrou um áudio de Cid, enviado em 8 de novembro de 2022, em que dizia a um general que “ontem o presidente, eu senti, praticamente desistiu de qualquer coisa, ou de qualquer ação mais contundente”. No áudio, relatava que, no dia anterior, Bolsonaro “por várias vezes comentou que um possível governo Lula não daria certo, ‘vai meter os pés pelas mãos, vai botar os servidores todos contra ele’. Tanto que ontem ele comentou e pediu para deixar tudo andar, em termos de relatório, que não quer que ninguém fique pressionando nada. Ele conversou bastante tempo com Valdemar também, no começo da tarde. Ontem o general Pazuello esteve com ele, dando sugestões, ideias de como podia, de alguma forma, tocar o artigo 142 (que permite intervenção das Forças Armadas), alguma coisa assim. Ele desconversou, não quis nem saber, não deu bola para o que o general Pazuello estava levando para ele”.

Cid também falou de uma reunião de Bolsonaro com empresários, que esperavam alguma medida que impedisse a posse de Lula. De novo, o presidente abriu mão de qualquer movimento nesse sentido, ele disse ao grupo, segundo Cid, que “o governo Lula vai cair de podre”. No áudio, o ex-ajudante de ordens descreve a reação dos empresários: “Pessoal ficou um pouco de moral baixa, porque queria que o presidente pressionasse o Ministério da Defesa a fazer um relatório contundente, duro, para virar o jogo e aquele negócio. Ele mesmo já descaracterizou e já falou que talvez os empresários vão se prejudicar muito com o Lula”. Cid não se lembrou nem da reunião, nem dessa mensagem: “Não me recordo dessa mensagem… foi para quem essa mensagem?”.

O segundo a ser ouvido foi o deputado Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin. Ele disse que o documento em que questiona o resultado das eleições era apenas um rascunho pessoal e não foi entregue a Bolsonaro. Também negou envolvimento na disseminação de desinformação e rechaçou ter usado a Abin para monitorar autoridades.

O X de novo contra o tirano Moraes

O X (ex-Twitter) apresentou recurso ao STF para derrubar a decisão do ministro Alexandre de Moraes que determinou o bloqueio dos perfis da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP). Na semana passada, Moraes autorizou a suspensão dos perfis ao determinar a prisão da congressista. Ela saiu do Brasil e foi para a Itália depois de ser condenada a 10 anos de prisão pela invasão do sistema eletrônico do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), em 2023.

Apesar de cumprir a decisão do ministro, o escritório de advocacia que representa a rede social no Brasil questionou a possibilidade de bloqueio integral dos perfis de usuários e defendeu que só as mensagens consideradas ilegais sejam retiradas do ar.

Além disso, a plataforma de Elon Musk disse que um dos perfis indicados para realização de bloqueio “parece não estar relacionado a Carla Zambelli”. “Ao vedar expressa e peremptoriamente toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística, o artigo 220, § 2º da Constituição Federal, proíbe a autoridade de controlar e impedir a veiculação da informação por quaisquer meios de comunicação”, disse o X.

No sábado, Moraes determinou a execução imediata da condenação da deputada Carla Zambelli. A decisão foi tomada depois de a 1ª Turma da Corte negar, por unanimidade, recurso apresentado pela defesa da deputada para anular a condenação.

Quem monitora quem?

O deputado federal Kim Kataguiri (União-SP) apresentou um requerimento de informação destinado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, pedindo cópias de todos os relatórios produzidos pela rede Minerva. Tocada pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia, uma instituição de pesquisa do MCTI, a rede Minerva tem orçamento previsto de mais de R$ 54 milhões, e produz relatórios que incluem análises de postagens de influenciadores de oposição, inclusive deputados federais.

A rede Minerva é custeada por recursos do Fundo de Defesa dos Direitos Difusos (FDD), ligado ao Ministério da Justiça (R$ 42 milhões); e do Ministério da Saúde (R$ 12,1 milhões). Entre outros produtos, é responsável pelo Boletim Baobá, um relatório que não é aberto ao público e que inclui análise de publicações desfavoráveis ao governo, feitas por figuras da oposição.

Nos relatórios, são citadas postagens dos deputados federais Gustavo Gayer (PL-GO), Carlos Jordy (PL-RJ) e Nikolas Ferreira (PL-MG), que tem incomodado muito o governo Lula com vídeos virais.

No requerimento, Kataguiri pede informações sobre a origem dos recursos e os pagamentos já feitos; sobre os critérios de seleção dos bolsistas do projeto; sobre os mecanismos de fiscalização e prestação de contas usados; e sobre se “houve algum critério de seleção ou foco específico na análise de conteúdos e perfis de usuários com determinada orientação ideológica ou política”.

O deputado também pediu que o MCTI envie “cópias integrais de todos os relatórios, boletins, análises e demais produtos gerados no âmbito da Rede Minerva desde o início de sua execução”.

O fajuto Sleeping Giants

O Tribunal de Justiça de São Paulo condenou o movimento Sleeping Giants Brasil a pagar uma indenização de R$ 25 mil à Jovem Pan por divulgar um vídeo com conteúdo descontextualizado e considerado falso. A sentença, assinada pela juíza Marina San Juan Melo, da 5ª Vara Cível de Santo Amaro, reconheceu que a publicação feriu a honra e a imagem institucional da emissora.

O caso teve início com a veiculação de um vídeo, em 9 de janeiro de 2024, no perfil do Sleeping Giants no Instagram. O material continha um áudio editado de Carlos Aros, atual diretor de jornalismo da Jovem Pan, extraído de uma transmissão ao vivo exibida um ano antes, em 8 de janeiro de 2023. Na gravação original, Aros e outros comentaristas condenavam as invasões aos prédios dos Três Poderes em Brasília. Só que a juíza reconheceu que o trecho divulgado foi recortado de maneira “maliciosa”, sugerindo que o jornalista negava os ataques.

Para a juíza, o conteúdo divulgado induziu o público ao erro: “A postagem da requerida, mediante recorte malicioso, induziu o público a crer no posicionamento contrário,” escreveu. A decisão afirma ainda que a publicação se trata de fake news, com potencial lesivo à reputação da Jovem Pan, e não se enquadra como exercício legítimo da liberdade de expressão ou crítica jornalística. A juíza também ressaltou que o Sleeping Giants já tinha sido condenado anteriormente por condutas semelhantes contra a Jovem Pan.

Aos fatos também mente

A Aos Fatos, uma agência que é parceira do Supremo Tribunal Federal no “combate à desinformação”, também já foi condenada mais de uma vez por mentir. Num dos casos, em 2023, a Aos Fatos teve de excluir textos que acusavam a Revista Oeste de publicar “conteúdo enganoso” e divulgar “desinformação”. A decisão foi tomada pela 41ª Vara Cível de São Paulo. O Tribunal de Justiça de São Paulo manteve a decisão inicial, entendendo que não houve excesso na liberdade de informação e crítica jornalística, e que a atividade de checagem de fatos não inviabiliza a atuação da revista.

Num caso anterior, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul também manteve a decisão da primeira instância e condenou a agência de checagem Aos Fatos num processo movido pelo Jornal da Cidade Online. O jornal foi acusado pela agência de “fazer parte de uma rede articulada de desinformação”, o que não foi provado.

A Aos Fatos foi condenada a pagar uma indenização de R$ 10 mil ao Jornal da Cidade Online e a remover o artigo, com multa diária de R$ 500 em caso de descumprimento.

Gilmar contra a imprensa

A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça formou maioria para condenar a revista IstoÉ e dois jornalistas a indenizar o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, em R$ 150 mil por uma reportagem de 2017. A matéria tratava da venda de uma universidade da família do magistrado para o governo de Mato Grosso por R$ 7,7 milhões, em 2013.

Em dezembro de 2017, a revista publicou a matéria intitulada “Negócio suspeito”, assinada pela jornalista Tabata Viapiana e pelo atual presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Octávio Costa, alvos da ação. Os dois tiveram acesso a investigação do Ministério Público, que apontava supostas “práticas de ilícitos morais administrativos” na venda da instituição.

O ministro do STJ Villas Bôas Cueva, relator do caso, defendeu a condenação da revista e dos profissionais por considerar que a reportagem está “permeada de ironias e insinuações” contra Gilmar Mendes. Até o momento, acompanharam o entendimento do relator os ministros Humberto Martins, Daniela Teixeira e Nancy Andrighi. Ainda falta o voto do ministro Moura Ribeiro.

Psol na ONU

O Comitê de Direito das Crianças da Organização das Nações Unidas (ONU) recomendou que o Brasil proíba a militarização de escolas públicas em todos os estados e municípios.

A sugestão atende a uma proposta enviada pela deputada federal Luciene Cavalcante, pelo deputado estadual Carlos Giannazi e pelo vereador Celso Giannazi. Os parlamentares do PSol questionam o programa de escolas cívico-militares implementado em São Paulo pelo governo Tarcísio de Freitas.

A ONU disse que está “profundamente preocupada com a violência sistemática contra crianças alimentada pela discriminação racial estrutural”. O comitê também menciona o número de assassinatos e desaparecimentos de crianças durante operações militares. A ONU pede que o Estado brasileiro adote medidas para combater a “letalidade policial”, “inclusive abordando o racismo estrutural nas agências de segurança pública”, além de garantir que o uso de câmeras corporais por agentes seja obrigatório…

O que isso tudo quer dizer? Ninguém sabe. E o que isso tem a ver com as escolas cívico-militares? Nada.

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