RESUMO DE NOTÍCIAS – 11/08/2025
Publicado originalmente por Redação Timeline em 11/08/2025
Mais Magnitsky, o pavor dos ministros e o Brasil do PT fechado com China e Rússia.
Mais sanções americanas a caminho
O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) tem mais uma reunião importante em Washington na próxima quarta-feira. Ele vai à Casa Branca para discutir novas sanções a autoridades brasileiras. A ideia é atualizar o governo americano sobre o cenário no Brasil.
Jason Miller, conselheiro do presidente dos Estados Unidos, declarou ontem que “não vai parar” ou “desistir” até que Jair Bolsonaro esteja livre. Desde a segunda-feira da semana passada, o ex-presidente está em prisão domiciliar, decretada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. Miller tem se reunido com integrantes da Casa Branca para discutir o modelo das punições a serem aplicadas ao magistrado brasileiro.
Por ordem de Moraes, o empresário foi detido em 2021, no Aeroporto Internacional de Brasília, para um interrogatório conduzido pela Polícia Federal. Jason Miller visitava o Brasil para promover sua rede social, o GETTR, durante a Conferência da Ação Política Conservadora (CPAC, na sigla em inglês), promovida pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro. Ele tinha se encontrado com o parlamentar e com o então presidente Jair Bolsonaro no Palácio do Itamaraty.
Miller foi ouvido pela PF durante três horas, no âmbito do inquérito que investiga a incitação de atos antidemocráticos. Ele acabou liberado em seguida e retornou aos Estados Unidos.
Com Moraes não tem conversa
A embaixada dos Estados Unidos no Brasil reproduziu uma publicação do governo americano feita no sábado que acusa Alexandre de Moraes de destruir a relação entre os dois países. Christopher Landau, vice-secretário do Departamento de Estado, publicou no X uma crítica direcionada a Moraes. Ele é o número dois de Marco Rubio, que é o equivalente no Brasil ao ministro das Relações Exteriores. Alguns trechos da publicação: “Essa pessoa destruiu a relação histórica de proximidade entre Brasil e Estados Unidos, ao tentar, entre outras coisas, aplicar extraterritorialmente a lei brasileira para silenciar indivíduos e empresas em solo americano. A situação é sem precedentes e anômala, justamente porque essa pessoa veste uma toga judicial. Enquanto sempre podemos negociar com líderes dos poderes Executivo ou Legislativo de um país, não há como negociar com um juiz, que deve manter a pretensão de que todas as suas ações são ditadas pela lei. Assim, encontramo-nos em um beco sem saída, onde o usurpador se encobre no Estado de Direito, e os outros poderes insistem em se considerar impotentes para agir”.
O governo Lula comentou a mensagem… Disse que a manifestação é um “novo ataque frontal à soberania brasileira”. Uma nota divulgada pela gestão petista ainda falou em “rechaço” ao que considera “reiteradas ingerências” da Casa Branca sobre o Brasil.
Os magistrados estão apavorados
Segundo o jornal O Globo, um político influente, com longa trajetória no Congresso e acesso direto a ministros do Supremo Tribunal Federal, afirmou que integrantes da Corte estão “apavorados” com a possibilidade de serem incluídos na lista de sanções da Lei Magnitsky, que pune estrangeiros acusados de corrupção ou violações de direitos humanos. A revista Veja disse que, nos últimos dias, os magistrados tentaram estabelecer contato com representantes políticos e acadêmicos nos Estados Unidos para mapear possíveis retaliações do governo americano, mas não tiveram sucesso.
E um artigo assinado por Mary O’Grady no Wall Street Journal acusa a Suprema Corte do Brasil de ter realizado uma espécie de “golpe de Estado” ao concentrar poder, perseguir adversários políticos e restringir liberdades civis. O texto compara a situação a práticas autoritárias vistas em regimes latino-americanos, como o de Hugo Chávez.
A autora relata que, desde 2019, o STF tem ampliado seu alcance, usando inquéritos próprios para investigar e punir críticos, criminalizar opiniões e censurar redes sociais. O ministro Alexandre de Moraes é retratado como figura central nesse processo, especialmente ao presidir o Tribunal Superior Eleitoral nas eleições de 2022, agindo de forma politicamente parcial contra Jair Bolsonaro.
O artigo relata prisões em massa de apoiadores do ex-presidente depois do 8 de janeiro de 2023, com detenções prolongadas e acusações de conspiração, mesmo contra pessoas não envolvidas com práticas criminosas. Afirma também que elites políticas e empresariais teriam se alinhado a esse endurecimento e que o Brasil corre risco de seguir o caminho de erosão democrática visto em outros países da região.
A autora alerta que, independentemente da opinião sobre Bolsonaro, o domínio da Corte sobre o cenário político ameaça o equilíbrio institucional e que a interrupção desse processo é urgente para restaurar o Estado de Direito no Brasil.
As pautas mais importantes, e as pautas do Lula
Nesta semana, a oposição vai continuar trabalhando pelo andamento das pautas mais importantes para o Brasil: o impeachment de Alexandre de Moraes; a anistia aos inocentes do 8 de Janeiro e o fim do foro privilegiado para parlamentares. O governo quer tocar a PEC da Segurança e a aprovação de medidas para socorro a setores atingidos pelo tarifaço de Donald Trump. Os líderes têm reunião amanhã para definir as discussões.
O presidente da Câmara, Hugo Motta, sugeriu que o projeto da anistia só será pautado se houver maioria e “sem chantagem” e “sem imposição”, porque, segundo ele, esse “não é instrumento com o qual a democracia nos permite conviver”…
No senado, os parlamentares fazem pressão sobre o presidente Davi Alcolumbre para que ele paute o impeachment de Moraes e a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do fim do foro privilegiado.
A gastança do governo que aumenta o problema
Lula se reúne hoje com o vice-presidente e ministro de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin. Eles devem acertar os últimos pontos do plano de contingência, que busca conter o impacto das tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, mas deve piorar a situação. Quem vai ficar com a conta, mais uma vez, são os pagadores de impostos no Brasil. A gastança do governo vai aumentar…
Entre as medidas que devem ser anunciadas, está a criação de uma linha de crédito subsidiada pelo governo. E existe a ideia de que quem pegar esse empréstimo deve ficar proibido de demitir funcionários… Outra medida estapafúrdia em estudo é o governo comprar produtos, principalmente perecíveis, que seriam exportados para os Estados Unidos. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, jura que há dinheiro para isso.
Deixem a oposição em paz
Não deve dar em nada a ação contra 14 deputados federais que obstruíram a pauta da Câmara dos Deputados por 30 horas na semana passada. Na sexta-feira, Hugo Motta enviou à Corregedoria da Câmara os pedidos de suspensão dos seguintes parlamentares: Sóstenes Cavalcante (PL-RJ); Nikolas Ferreira (PL-MG); Luciano Zucco (PL-SC); Allan Garcês (PP-MA); Caroline de Toni (PL-SC); Marco Feliciano (PL-SP); Domingos Sávio (PL-MG); Marcel Van Hattem (Novo-RS); Zé Trovão (PL-SC); Bia Kicis (PL-DF); Carlos Jordy (PL-RJ); Júlia Zanatta (PL-SC); Marcos Pollon (PL-MS); e Paulo Bilynskyj (PL-SP).
O corregedor, deputado Diego Coronel (PSD-BA), será o responsável pela investigação. Ele tem 48 horas para analisar o caso e enviar um parecer à Mesa Diretora. O comando da Casa, então, decidirá, por maioria absoluta, se sugere ou não o afastamento ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara.
O Conselho de Ética, presidido pelo deputado Fábio Schiochet (União Brasil-SC), vai se manifestar sobre cada caso separadamente. Se a decisão for pela punição, o deputado terá o mandato suspenso por seis meses.
Nos bastidores, a sensação é de que as chances de punição aos deputados são mínimas. A tendência é de que o caso se arraste, até cair no esquecimento.
Brasil fechadíssimo com China e Rússia
O Ministério da Fazenda firmou acordos com Rússia e China para criar mecanismos permanentes de diálogo econômico e financeiro. O texto foi publicado hoje no Diário Oficial da União. Os entendimentos têm como objetivo reforçar a cooperação em fóruns multilaterais, como Brics e G20, além de avançar projetos conjuntos, inclusive em infraestrutura e questões ambientais.
Morre líder da direita na Colômbia
Morreu hoje o senador Miguel Uribe, pré-candidato à Presidência da Colômbia. Ele estava internado desde 7 de junho, quando foi baleado na cabeça durante comício em Bogotá, capital do país.
Uribe, de 39 anos, do partido de direita Centro Democrático, foi o parlamentar mais votado nas eleições de 2022. Ele era o principal líder da oposição contra o governo do esquerdista Gustavo Petro e um dos favoritos na corrida eleitoral colombiana. Uribe era neto de um ex-presidente e filho de uma jornalista sequestrada e assassinada pelo Cartel de Medellín.
Glória Perez denuncia ditadura da Rede Globo
A autora de novelas Glória Perez deu entrevista à Folha de São Paulo e afirmou que a Rede Globo “tolheu a sua liberdade artística” e que o politicamente correto está no cerne da crise da televisão: “A cultura woke foi arrasadora para a dramaturgia. O que ela fez foi provocar um cerceamento à imaginação. A opção de não desagradar, de não tocar em temas sensíveis, de transformar conflitos humanos em pautas, acabou por encerrar a dramaturgia numa espécie de fórmula, retirando dela a capacidade de provocar. Hoje em dia, com essa coisa de não poder ofender um grupo, não poder ofender o outro, você acaba fazendo uma novela sem conflito”.
Gloria comentou a decisão de deixar a Globo depois de 40 anos devido à interferência naquela que seria sua próxima novela das 21h, ‘Rosa dos Ventos’, com abordagem sobre o aborto: “A emissora teve medo de desagradar a algumas áreas. A minha assinatura é lidar com temas delicados e trazer o público para a discussão. Se eu não puder fazer isso, eu acabo. Eu sou incapaz de pensar, engessada. Ou eu tenho liberdade para voar, ou não tenho liberdade nenhuma”.




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