RESUMO DE NOTÍCIAS – 14/02/2025
Publicado originalmente por Redação Timeline em 14/02/2025
Que venha um relatório verdadeiro, PT roubando dos mais pobres e os cartéis de drogas na mira de Donald Trump
À espera de um relatório verdadeiro
Termina hoje a tomada de depoimentos no Brasil pelo relator para a Liberdade de Expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos. Ontem, Pedro Vaca se reuniu por quase uma hora com Jair Bolsonaro. O ex-presidente saiu confiante do encontro: “Ele se mostrou interessado no que eu falava e disse que vai fazer um relatório sincero sobre o que está acontecendo aqui no Brasil”.
No relato a Pedro Vaca, Bolsonaro reforçou que Alexandre de Moraes manipula depoimentos, faz pesca probatória e prende pessoas sem que haja denúncia formalizada. O ex-presidente argumentou que há perseguição política a opositores do governo, concretizada por meio de inquéritos ilegais no STF.
Parte da imprensa, como a Folha de São Paulo e o portal Metrópoles, já admite que há alguns sinais concretos de que o ministro Alexandre de Moraes terá, pela primeira vez, dores de cabeça com potencial de deixá-lo em situação desconfortável. A visita da OEA ao Brasil deve gerar um relatório robusto sobre a atuação do ministro do Supremo. Um indicativo dessa robustez é de ordem econômica.
O principal financiador da OEA é o governo dos Estados Unidos, comandado por Donald Trump. Além de aliado de Bolsonaro, o presidente americano tem em seu núcleo duro dois desafetos de Alexandre de Moraes: o empresário Elon Musk e o estrategista Jason Miller, ambos alvos de decisões judiciais do magistrado brasileiro.
Trump já cortou trilhões de dólares que os Estados Unidos destinavam a ONGs e à USAID e já tirou o país da OMS e do Acordo de Paris. A cúpula da OEA sabe disso. E, até mesmo por instinto de preservação, deve fazer um relatório que não dê margem a interpretações de que atuou com negligência no caso Moraes.
Para este ano, a previsão é de que os Estados Unidos contribuam com US$ 52 milhões à Organização dos Estados Americanos. O valor corresponde à metade do arrecadado pela OEA junto aos países que integram o colegiado internacional.
Editorial meia-boca
O jornal O Globo publicou hoje o editorial “Penas contra réus do 8 de Janeiro despertam dúvida”. O jornaleco ainda não desistiu da tese furada de que houve ali uma tentativa de golpe de Estado e de afirmar que os presos políticos não merecem anistia: “É um acinte à democracia a proposta de anistiar os 898 réus acusados pela violência contra as sedes dos Três Poderes no fatídico 8 de janeiro de 2023. Passados dois anos, 371 foram condenados à prisão e 527 a penas alternativas. Outros tantos esperam o fim do julgamento. A todos foi garantido amplo direito de defesa, como prevê a Constituição”...
Isso não é verdade. Basta conversar com os advogados dos envolvidos para comprovar que eles não tiveram condições de defender seus clientes como as leis preveem. A manifestação oral nos julgamentos, por exemplo, foi proibida. Os vídeos gravados pelos advogados, tudo indica, não foram vistos... E basta dizer que não houve individualização das condutas e que o crime de “associação criminosa armada”, quando não havia armas com os manifestantes, não cabe.
Pelo menos, o editorial do O Globo questiona as penas muito pesadas que foram impostas a condenados. O jornal fala que, nos recursos, “o STF deverá esclarecer se pode haver condenação simultânea por golpe e abolição do Estado de Direito: “Se não há dúvida quanto à justiça das condenações proferidas pelo Supremo, o mesmo não pode ser dito das penas aplicadas. Das 225 sentenças por crimes graves, 43,4% são superiores a 14 anos de prisão. Entre juristas, circula uma interpretação segundo a qual a necessidade de dar exemplo resultou em penas demasiado duras”.
Se houvesse a individualização das condutas, com provas contra cada um dos réus, imagens do que cada um fez, os crimes cometidos se restringiriam aos seguintes: invasão de prédio público, com pena de 1 a 4 anos de prisão, e depredação de patrimônio público, com pena de 1 a 3 anos.
Eleições 2026
O ex-presidente Jair Bolsonaro e o presidente do PSD, Gilberto Kassab, almoçaram juntos em um encontro sigiloso realizado na ala residencial do Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo. A reunião, na semana passada, ocorreu sem a presença do governador Tarcísio de Freitas ou de qualquer testemunha.
Interlocutores de Kassab e Bolsonaro classificaram a conversa como "boa". A aliados, Kassab disse que não tem nenhuma aresta com Bolsonaro e que não há constrangimento em ajudar o governo Lula e, ao mesmo tempo, afirmar que discutir anistia pode ser positivo para o Brasil.
Bolsonaro vinha fazendo críticas recorrentes ao PSD desde que o partido passou a integrar o governo Lula, ocupando ministérios, ao mesmo tempo em que tem cargos na gestão paulista de Tarcísio, da qual Kassab é secretário.
Para integrantes do PSD, um partido de centro-direita precisa dialogar com os diversos lados do espectro político. Já para bolsonaristas envolvidos na articulação pela anistia dos presos políticos do 8 de Janeiro, manter pontes com o PSD é essencial para a construção de apoio no Congresso.
No ano passado, Bolsonaro chegou a defender a saída de Kassab do governo paulista, e seus aliados criticaram o PSD por ser o partido do ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, que não levou adiante pedidos de impeachment contra o ministro do STF Alexandre de Moraes.
Há duas semanas, Kassab fez duras críticas ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, chamando-o de “fraco” e afirmando que Lula não venceria se a eleição fosse hoje.
Roubam, sim, e até dos mais pobres
O escândalo das quentinhas no governo Lula é maior do que parecia. As irregularidades envolvendo ONGs ligadas a políticos do PT no programa Cozinha Solidária, que prevê a distribuição de quentinhas para a população mais pobre, incluindo moradores de rua, não se restringem ao estado de São Paulo.
O Ministério do Desenvolvimento Social suspendeu em quatro estados os termos de colaboração com quatro organizações contratadas pelo Programa Cozinha Solidária, que simplesmente receberam a verba do governo e não entregaram as refeições.
A suspensão, segundo nota divulgada pela pasta, será válida até a conclusão da investigação sobre as suspeitas de irregularidades. Os quatro convênios somam R$ 11,4 milhões e envolvem entidades nos estados de São Paulo, Goiás, Pernambuco e Bahia.
Quem diria, né, que, com a volta do PT ao Planalto, haveria tantas suspeitas de casos de corrupção no Brasil?
Dinheiro para a imprensa amiga
O Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal voltaram a comprar anúncios em sites alinhados com o governo Lula. Brasil 247, Opera Mundi e DCM estão recebendo de novo verbas publicitárias dos bancos desde o início do terceiro mandato de Lula. BB e CEF não anunciavam nessas publicações desde meados de 2016, quando ocorreu o impeachment de Dilma Rousseff.
Além de comprar publicidade nos três portais, os bancos também anunciaram na revista Carta Capital e no site GGN. As informações sobre os veículos que recebem verba de publicidade dos bancos estão na página de transparência das instituições financeiras. Entre eles estão Folha, Estadão, O Globo e Valor Econômico, além de emissoras de TV como Globo, Record, Band e SBT.
Os bancos não divulgam o valor pago a cada veículo. No total, a Caixa gastou R$ 361,6 milhões em publicidade de janeiro a novembro de 2024. O BB gastou R$ 595,2 milhões em todo o ano. O BB informou que a estratégia digital é baseada em dados, mas não disse quais. A Caixa disse que os critérios para definição de quem vai receber verba publicitária são sigilosos.
A escolha dos veículos em que os bancos compram espaço para anunciar é feita pela Secom (Secretaria de Comunicação) da Presidência da República, que não se manifestou.
Javier Milei tem razão
O presidente da Argentina, que tem diminuído o tamanho do Estado, não gasta com publicidade do governo. Ele tem obtido excelentes resultados econômicos. A taxa de inflação mensal argentina caiu para 2,2% em janeiro, a mais baixa desde julho de 2020. É um resultado direto das medidas de austeridade adotadas por Javier Milei.
O aumento do índice de preços ao consumidor ficou um pouco abaixo das previsões de analistas, de 2,3%, e abaixo dos 2,7% de dezembro, uma vitória para Milei, que busca manter o impulso positivo da economia em meio a negociações de um novo acordo com o FMI.
Quando Milei assumiu a presidência, a inflação anual na Argentina estava em 211,4%. Agora, no acumulado em 12 meses, a inflação caiu para 84,5%. É o primeiro dado inferior a 100% desde janeiro de 2023, quando foi de 98,8%.
Para que serve o Brics?
Nesta quinta o Brasil encerrou a primeira reunião deste ano do Brics, o bloco que reúne as maiores economias emergentes do mundo. As conversas foram virtuais. Horas depois do evento, o presidente americano Donald Trump disse a jornalistas que "o Brics morreu". Desde o fim de 2024 ele tem feito ameaças declaradas ao grupo, com foco especial no projeto do Brics de uma moeda que substitua o dólar nas negociações internacionais.
Depois da reunião, o Brics divulgou ontem um comunicado com respostas veladas a Trump... Já nas primeiras linhas, o documento destaca o "contexto de tensões geopolíticas que se aprofundam e que desafiam a frágil ordem multilateral internacional vigente". E o texto segue: “O recurso insensato ao unilateralismo e a ascensão do extremismo em várias partes do mundo ameaçam a estabilidade global e aprofundam as desigualdades que penalizam as populações mais vulneráveis em diferentes partes do planeta”.
O Brics foi formado inicialmente por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. E, em vez de atrair para o grupo países decentes, ou se aproximar comercialmente deles, resolveu aceitar também como integrantes Egito, Irã, Emirados Árabes Unidos, Etiópia e Arábia Saudita. Fora que a presidente do Banco do Brics é Dilma Rousseff. Sim, tem tudo para dar certo...
Trump e a guerra contra o narcotráfico
A aguardada lista de cartéis considerados terroristas pelos Estados Unidos ainda não foi oficialmente anunciada, mas já há informações sobre os grupos que estarão nela. A lista final deve ser divulgada em breve pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, cumprindo um decreto do presidente Donald Trump firmado no dia da posse.
Autoridades do governo que pediram anonimato disseram que a lista ainda pode mudar antes do anúncio oficial, mas que ela já tem os seguintes cartéis: Sinaloa, Jalisco Nueva Generación, Familia Michoacana, Cárteles Unidos e Cártel del Noreste – todos do México –, além do Clan del Golfo, da Colômbia, Tren de Aragua, da Venezuela, e Mara Salvatrucha, de El Salvador.
O decreto do Trump afirma que os cartéis “constituem uma ameaça à segurança nacional que vai além da representada pelo crime organizado tradicional e exige a eliminação total dos grupos”. A lista deveria ter sido concluída na semana passada, mas foi adiada porque o Departamento de Estado quis incluir mais organizações. Será que não dá tempo de incluir as facções criminosas brasileiras?




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