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RESUMO DE NOTÍCIAS – 14/11/2025

4 de out.
6 min de leitura

Publicado originalmente por Redação Timeline em 14/11/2025

A família Lula da Silva encalacrada, a perseguição do STF a Tagliaferro e o cerco dos EUA a Nicolás Maduro

Os escândalos da família Lula da Silva

A operação Coffee Break, deflagrada na quarta-feira pela Justiça Federal e que teve a ex-nora de Lula e o ex-sócio de um filho dele como alvos, bloqueou veículos do alvo principal avaliados em R$ 2 milhões. O empresário André Mariano Gonçalves é dono da Life Educacional, empresa que aumentou seu capital mais de 113 vezes em menos de dois anos, num período que vai de maio de 2022 a meados de 2024.

Segundo as investigações, a Life Tecnologia Educacional faturou R$ 111 milhões – grande parte verba do Ministério da Educação – com a venda de material escolar e livros didáticos para prefeituras do interior de São Paulo, mesmo sem ter estrutura ou funcionários para atender às demandas. São investigados contratos com as prefeituras de Sumaré, Hortolândia, Morungaba e Limeira.

Carla Ariane Trindade, ex-mulher de Marcos Cláudio Lula da Silva, filho de Lula, teve mandado de busca e apreensão cumprido na casa dela, em Campinas, no interior de São Paulo. O mais estranho é que, mesmo separada de Marcos desde 2010, quando a Polícia Federal chegou à casa dela, às 6h de quarta, Carla estava acompanhada do ex-marido, o que levanta suspeita sobre o vazamento da operação.

A Coffe Break também teve como alvo Kalil Bittar, que foi sócio de outro filho de Lula, Luís Cláudio Lula da Silva, conhecido como Lulinha. Bittar é um dos donos oficiais do sítio que era usado por Lula em Atibaia e foi alvo da Lava Jato.

Na decisão judicial que autorizou a operação, tanto Carla quanto Kalil Bittar são descritos como pessoas “com alegada influência no governo federal”. Eles teriam sido contratados pelo empresário André Mariano Gonçalves para que fizessem lobby no Ministério da Educação para a Life Educacional.

A operação de quarta cumpriu 50 mandados de busca e apreensão e prendeu cinco pessoas, entre elas o vice-prefeito de Hortolândia, Cafu César (PSB).

STF aceita por unanimidade denúncia contra Tagliaferro

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal aceitou, por unanimidade, a denúncia da Procuradoria-Geral da República contra o ex-assessor de Alexandre de Moraes no Tribunal Superior Eleitoral Eduardo Tagliaferro.

Na denúncia, a PGR acusa Tagliaferro de coação no curso do processo; violação de sigilo funcional; obstrução de investigação envolvendo organização criminosa; e tentativa de abolição violenta do Estado de Direito.

O julgamento, em plenário virtual, começou em 7 de novembro, e os ministros concluíram seus votos na véspera do prazo final, nesta sexta. O primeiro voto foi do relator, Alexandre de Moraes. Depois, os ministros Cristiano Zanin, Flávio Dino e Cármen Lúcia seguiram o voto de Moraes para aceitar a denúncia.

Estadão critica PGR e STF por ação contra Tagliaferro

O Estadão publicou hoje o editorial “Um processo absurdo” sobre a denúncia contra Tagliaferro. O subtítulo é: “O caso Tagliaferro – que, por denunciar um suposto abuso de Moraes, virou réu e será julgado pelo próprio juiz denunciado – expõe um Supremo que transforma a exceção em método”.

O jornal faz duras críticas à PGR, que denunciou o ex-assessor de Moraes, e ao STF, que aceitou a denúncia: “A reação ao 8 de Janeiro degenerou num regime de tutela permanente. O ‘Estado de exceção’ virou expediente administrativo; o poder de julgar, instrumento para intimidar; e a toga, um salvo-conduto ao arbítrio”.

O Estadão explica que o ex-assessor de Moraes decidiu revelar “uma estrutura paralela dentro do Tribunal Superior Eleitoral, usada para monitorar críticos e produzir relatórios ‘sob medida’ que justificavam censuras e bloqueios” nas redes sociais”. O editorial deixa claro que há uma infinidade de mensagens mostradas por Tagliaferro, do período em que Moraes era o presidente do TSE, que dão sustentação às acusações que ele faz: “Quando o denunciante expôs o suposto desvio, foi acusado de violar o sigilo funcional e passou a ser julgado pelo mesmo magistrado cujas irregularidades apontara. No Brasil de hoje, quem denuncia o abuso vira réu, e o juiz do caso é o acusado de praticar o abuso. A perversão jurídica é tão evidente quanto constrangedora. Moraes atua, simultaneamente, como vítima, investigador e julgador – e o tribunal age como cúmplice passivo”.

O Estadão aponta também os desvios na PGR: “A Procuradoria-Geral da República, em vez de apurar as denúncias feitas pelo ex-assessor, preferiu denunciá-lo. O processo tramita em foro indevido, e a decisão que tornou Tagliaferro réu por, entre outras acusações, ‘abolição violenta do Estado Democrático de Direito’, foi tomada no plenário virtual, sem sustentação oral presencial e contraditório efetivo. Mensagens entre Tagliaferro e seu advogado chegaram a ser tornadas públicas, violando o sigilo profissional. Em nenhum Estado de Direito isso é justiça. É abuso de autoridade”.

O editorial do Estadão segue assim: “O Supremo já não age como intérprete da Constituição, mas como seu substituto, convencido de que encarna o bem e pode combater o mal à base de canetadas judiciais. O STF, afinal, parece ter descoberto o moto-perpétuo da moralidade: julga, absolve a si mesmo e aplaude a própria virtude. É a liturgia do poder travestida de zelo cívico”.

O texto termina com a seguinte conclusão: “O caso Tagliaferro não é um acidente, é um sintoma. É o espelho de uma Corte que, a pretexto de salvar a República, decidiu que está acima dela. Não se defende a democracia traindo os princípios que a definem. Não se preserva a liberdade por meio da censura, nem a Constituição por meio da violação de suas garantias. Quando a exceção se torna método, a lei deixa de proteger o cidadão e passa a proteger o poder. E nenhuma democracia sobrevive muito tempo a essa impostura, sobretudo quando ela se traveste de virtude e fala em nome da lei”.

Eduardo Bolsonaro tem denúncia “analisada” pelo STF

A Primeira Turma do STF começa a analisar nesta sexta-feira se recebe a denúncia apresentada pela Procuradoria Geral da República contra o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). O congressista é acusado de atuar nos Estados Unidos para tentar interferir no julgamento do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por “tentativa de golpe de Estado”.

O julgamento será feito no plenário virtual, sistema no qual os ministros inserem seus votos eletronicamente, sem debate. Os ministros têm até 25 de novembro para decidir se há elementos suficientes para abrir ação penal contra o deputado por coação no curso do processo. Mesmo que o crime de coação exija uso de violência ou grave ameaça, o que não pode ser caracterizado nesse caso, a Primeira Turma deve aceitar a denúncia contra Eduardo por unanimidade.

ONU reclama da bagunça na COP30

A Organização das Nações Unidas enviou uma carta ao governo brasileiro com duras críticas à segurança e à infraestrutura da Cúpula do Clima das Nações Unidas (COP-30) em Belém. Num texto de três páginas, o secretário do braço de clima da ONU, Simon Stiell, afirma que as forças de segurança foram orientadas a não agir para conter manifestantes e cita problemas como a falta de ar-condicionado e vazamentos em alguns locais da Zona Azul. Na terça-feira, um grupo de manifestantes invadiu essa área restrita a autoridades. Dois seguranças ficaram feridos.

A carta menciona ainda que o local da conferência tem diversas falhas de infraestrutura, como equipamentos de ar-condicionado inoperantes. Segundo Stiell, foram enviados ao secretariado vários relatórios sobre altas temperaturas nos pavilhões e nas salas de negociação: “Essa situação já resultou em casos de problemas de saúde”.

O representante da ONU não falou do uso de 160 geradores de energia movidos a óleo diesel, combustível altamente poluente, que estão sendo usados na COP30 e deveriam garantir o funcionamento do sistema de ar-condicionado…

A ONU cita ainda que durante tempestades algumas áreas foram alagadas, trazendo risco aos participantes. E delegações manifestaram preocupação quanto às instalações de seus escritórios e pavilhões, apesar dos custos. Por fim, o dirigente da ONU reporta críticas às condições dos banheiros.

Brasil não consegue acordo com EUA; Argentina, sim

O secretário do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, e o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, se encontraram em Washington nessa quinta-feira. Os dois discutiram o tarifaço imposto pelo governo americano sobre produtos brasileiros desde agosto. Não houve acordo. Esse foi o terceiro encontro entre Vieira e Rubio, desde que o secretário americano foi designado principal negociador das tarifas.

Enquanto isso, os Estados Unidos anunciaram que vão zerar os impostos sobre produtos importados da Argentina. Os dois países fecharam um acordo voltado à abertura de mercados e investimentos mútuos. O entendimento prevê avanços em setores estratégicos, redução de barreiras e criação de regras para segmentos essenciais.

O governo americano também revelou que terá acordos semelhantes ao fechado com a Argentina com Guatemala, Equador e El Salvador…

EUA preparam operação “Lança do Sul”; Maduro está acuado

A Marinha dos Estados Unidos divulgou imagens do grupo de ataque do maior porta-aviões do mundo, o USS Gerald R. Ford, em formação militar no Oceano Atlântico. O objetivo da presença militar na região é, segundo o governo americano, combater o narcotráfico.

O chefe do Pentágono, Pete Hegseth, anunciou que os Estados Unidos vão conduzir uma operação militar batizada de “Lança do Sul”, cujo objetivo é combater grupos classificados como narcoterroristas e intensificar ações que protejam o país das drogas.

O maior porta-aviões do mundo chegou ao Comando Sul dos Estados Unidos, no Oceano Atlântico, na terça-feira. E a formação militar é um recado principalmente para o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, acusado de chefiar o tráfico de drogas.

Na quarta-feira, Maduro pediu que o “imperialismo”, em referência aos Estados Unidos, “deixe a Venezuela em paz”. Foi durante evento comunitário. No mesmo dia, o ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino López, afirmou que há “quase 200 mil militares” em prontidão no país.

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