RESUMO DE NOTÍCIAS – 17/03/2025
Publicado originalmente por Redação Timeline em 17/03/2025
A anistia vai passar na Câmara, Trump manda criminosos para El Salvador e Javier Milei derruba inflação na Argentina
O projeto de lei da Anistia
O mais importante da manifestação de ontem em Copacabana foi a informação passada por Jair Bolsonaro em seu discurso de que o PSD, de Gilberto Kassab, vai apoiar o Projeto de Lei da Anistia. Os dois tiveram um encontro em fevereiro e já teriam fechado um acordo sobre o assunto. Kassab foi procurado para comentar a declaração de Bolsonaro em Copacabana, mas não respondeu.
Partidos como o PP e o Republicanos têm evitado apoiar formalmente o projeto de lei que concede anistia aos presos políticos do 8 de Janeiro. Líderes dessas legendas dizem que os correligionários estão divididos entre apoiadores da anistia e defensores da neutralidade nas discussões, a turma “em cima do muro”, para ser delicado.
No sábado, o líder da oposição na Câmara, Deputado Coronel Zucco, mostrou otimismo quanto à aprovação do PL: “Eu não tenho dúvida de que já temos os votos. Temos um cálculo que aponta mais de 300 votos favoráveis”.
Ontem, no Programa 4 por 4, os deputados Bia Kicis e Nikolas Ferreira também disseram que a perspectiva é de que o projeto de anistia passe na Câmara.
A estratégia do PL é reunir assinaturas durante a semana para apresentar na próxima quinta-feira, em reunião do colégio de líderes, um pedido de urgência para a votação da proposta.
A manifestação nos jornais de hoje
O Estadão, na primeira página da edição de hoje, publicou o seguinte: “Bolsonaro faz ato esvaziado e diz que será ‘problema’ preso ou morto”. A manchete da reportagem é bem parecida: “Bolsonaro e Tarcísio defendem anistia em ato esvaziado e com ataques ao STF”. Bom, um “ato esvaziado” com muito mais gente, talvez 50, 100 vezes mais do que Lula consegue reunir, transportando, alimentando os “manifestantes”, dando brindes a eles, oferecendo shows, usando verba de incentivo à cultura... E chamar críticas pertinentes ao STF político de “ataques” é desonestidade pura...
A Folha, na primeira página, resolveu apontar um número de manifestantes que não é nem o informado pela PM do Rio, 400 mil, nem o “calculado” pela USP, pouco mais de 18 mil: “Bolsonaro faz defesa de anistia em manifestação com 30 mil no RJ”. E o jornal escapa, mais uma vez, dos fatos: “A manifestação foi desenhada para defender a anistia dele e dos condenados pelos atos golpistas do 8 de Janeiro, mas aliados ainda resistem à iniciativa”. O que Bolsonaro pede é anistia aos presos políticos do 8 de Janeiro, o caso pessoal dele não está incluído nessa questão. E quais aliados do ex-presidente não querem a anistia, Folha? Até o apoio do PSD, da base do governo, ao projeto foi anunciado por Bolsonaro durante a manifestação…
Em sua primeira página, O Globo resolveu se abraçar ao número de manifestantes “calculado” pela USP: “Bolsonaro leva 18 mil a Copacabana”.
O único jornal sério do Brasil, a Gazeta do Povo, deu a real, com a seguinte manchete: “Bolsonaro e aliados listam fatos que desmontam tese do golpe e justificam a anistia”. Em outra reportagem da Gazeta o título foi: “Bolsonaro pede anistia para os réus do 8/1 e luta nacional por liberdade e democracia”.
Inquérito do fim do mundo
O Estadão publicou hoje editorial sobre os seis anos do inquérito do fim do mundo completados na última sexta-feira. O título é: “O sexto aniversário do inquérito sem fim”. O subtítulo: “O inquérito das fake news chega a seis anos sem que haja qualquer perspectiva de conclusão, o que autoriza a suspeita de que se tornou um instrumento de exercício arbitrário de poder”. Suspeita, Estadão?
O texto termina assim: “É inaceitável, a menos que não estejamos mais sob a égide da ordem constitucional democrática, que um inquérito perdure indefinidamente — seja por sua inconsistência material, seja pela conveniência de seu relator”. Acorda de vez, Estadão! Faz tempo que o Brasil não está mais “sob a égide da ordem constitucional democrática”.
Trump deporta criminosos
Donald Trump usou uma lei de 1798 para deportar venezuelanos para El Salvador. Essa lei foi usada nas duas Guerras Mundiais e permite deportação sumária de pessoas de países em guerra com os Estados Unidos. O governo americano enviou 238 venezuelanos, acusados de fazer parte do grupo criminoso Tren de Aragua, para uma prisão salvadorenha.
O presidente Nayib Bukele publicou um vídeo cinematográfico mostrando a chegada dos prisioneiros. Ele fez um acordo com Trump e vai receber um pagamento por cada deportado: “Os Estados Unidos pagarão uma tarifa muito baixa para eles, mas alta para nós”.
Trump usou a lei do século 18 para acelerar as deportações, ignorando uma ordem judicial expedida por um juiz federal que, um dia antes, tentou barrar a ação. O presidente americano quer usar a Lei de Inimigos Estrangeiros para prender e deportar rapidamente integrantes de gangues.
Argentina no caminho certo
A Argentina registrou inflação anual abaixo de 70% em fevereiro, menor nível em quase três anos. O Índice de Preços ao Consumidor apontou uma inflação anualizada de 66,9%. Essa foi a décima segunda queda consecutiva. Em janeiro, a inflação em doze meses estava em 84,5%. Quando Javier Milei assumiu a presidência, no fim de 2023, a taxa era de 211,4%.
Falta do que fazer
Hoje tem mais um artigo da Giovana Madalosso na Folha para dar risada... A colunista é aquela que escreveu durante o carnaval um texto cujo título era: “Minha bunda cinquentona no Carnaval significa”. Agora, ela assina o artigo “Às mulheres de escritores famosos, batatas gratinadas”. E a questão que levanta é “fundamental”, “importantíssima”: “A mulher de García Márquez trabalhou e cozinhou enquanto ele escrevia ‘Cem Anos de Solidão’. Estava errada? Acho que não. A questão é a reciprocidade. Ele teria feito o mesmo por ela?”. Merece reflexão ou não merece?




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