RESUMO DE NOTÍCIAS – 18/09/2025
Publicado originalmente por Redação Timeline em 18/09/2025
PL da Anistia está caminhando, mas relator pode atrapalhar; EUA reafirmam que vão responder à condenação de Bolsonaro; e Eduardo Bueno perde a boquinha no Senado
Urgência do PL da Anistia passa na Câmara
A Câmara dos Deputados aprovou, nessa quarta-feira, o requerimento de urgência do Projeto de Lei da Anistia. Foram 311 votos a favor, 163 contra e 7 abstenções.
Uma nova versão ainda será apresentada e deve intensificar o embate sobre o alcance do texto: anistia ampla, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, ou se vai se limitar à redução de penas para os envolvidos no 8 de Janeiro.
Ministros do STF, como Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Gilmar Mendes, já se anteciparam e disseram que vão considerar a anistia inconstitucional… Mesmo que a Lei Máxima brasileira não defina que seja.
Mais uma interpretação “criativa” do Supremo sobre a Constituição deveria gerar uma reação forte do Congresso, inclusive com abertura de processos de impeachment de ministros. Pedidos bem embasados para isso não faltam, mas Davi Alcolumbre faz parte do sistema.
Com a aprovação da urgência, o PL pode ser votado diretamente no plenário, sem passar por comissões temáticas e correr o risco de ser totalmente alterado. O texto escolhido por Motta como base para o projeto da Anistia foi apresentado em 2023 pelo deputado Marcelo Crivella (Republicanos-RJ).
A proposta tem redação considerada vaga: “Ficam anistiados todos os que participaram de manifestações com motivação política e/ou eleitoral, ou as apoiaram por quaisquer meios, inclusive contribuições, doações, apoio logístico, prestação de serviços ou publicações em mídias sociais e plataformas, entre 30 de outubro de 2022 e a data de entrada em vigor desta lei”.
O projeto também prevê o perdão de “quaisquer medidas de restrições de direitos, inclusive impostas por liminares, medidas cautelares, sentenças transitadas ou não em julgado que limitem a liberdade de expressão e manifestação de caráter político e/ou eleitoral, nos meios de comunicação social, plataformas e mídias sociais”.
Motta ainda não definiu a data da votação, mas escolheu como relator da proposta o deputado Paulinho da Força, do Solidariedade de São Paulo… E isso é péssima notícia.
Lula afirmou, nessa quarta-feira, que vai vetar o texto caso seja aprovado pelo Congresso, e deputados governistas classificaram a iniciativa de Motta como uma “traição ao Planalto”.
Depois da votação na Câmara, o projeto segue para o Senado, onde dependerá do aval do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Ele já adiantou que vai apresentar um texto alternativo para a anistia e descartou incluir perdão a Bolsonaro, condenado a 27 anos e 3 meses de prisão pelo Supremo Tribunal Federal, por considerar que o STF derrubaria a medida por inconstitucionalidade…
Alcolumbre está irritadinho com Eduardo Bolsonaro
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, criticou o deputado federal Eduardo Bolsonaro ao falar sobre as críticas que tem recebido de políticos da oposição por não pautar pedidos de impeachment contra ministros do STF: “Não dá para eu ver todos os dias um deputado federal pelo Brasil, eleito pelo povo de São Paulo, lá nos Estados Unidos, instigando um país contra o meu país. Nunca falei sobre isso, mas agora está na hora de começar a falar. Não dá, com todo o respeito, para eu aceitar todas essas agressões, calado. Então, eu vou me organizar agora para começar a responder a todos os questionamentos, todas as perguntas, à altura”.
Alcolumbre disse também que as pessoas estão “passando dos limites”: “Eu estou achando que nasci no Brasil. Não sabia que tenho que dizer por aí que o Brasil é dos brasileiros… Um lado diz que o Brasil é dos brasileiros… Do outro lado fica um nos Estados Unidos dizendo que o Donald Trump vai enviar novas sanções ao Brasil, ao Parlamento, às autoridades, ao Judiciário, ao Executivo. Está todo mundo passando dos limites adequados da boa convivência”.
EUA reafirmam que vão responder à condenação de Bolsonaro
O vice-secretário do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Christopher Landau, afirmou que o país vai manter a perspectiva de responder à condenação de Jair Bolsonaro mesmo com a ameaça de o ex-presidente ser condenado a cumprir a pena na Papuda.
A declaração de Landau foi publicada no X em resposta a uma postagem com a notícia da Folha, que publicou o seguinte: “Trump levará Bolsonaro à Papuda se aumentar sanções ao Brasil, dizem ministros do STF, que reagiram com indignação à ameaça dos Estados Unidos de aumentar sanções ao Brasil”.
Landau escreveu: “Se essa reportagem for precisa, isso apenas confirma que todo o processo ‘judicial’ em andamento no Brasil é uma farsa política. Aqueles que afirmam estar seguindo o Estado de Direito não podem aumentar a pena de um réu com base na reação de uma terceira parte à sua decisão”.
Mais tarde, Landau fez outro comentário sobre o Brasil na própria página do X: “A atual crise em nossas relações com o Brasil oferece um bom momento para reafirmar um ponto fundamental sobre diplomacia que meu pai destacou há meio século: não é nosso papel, como diplomatas, dizer a outros países soberanos o que fazer, MAS é nosso dever deixá-los cientes de que suas ações podem — e terão — consequências”. O pai de Landau foi embaixador dos Estados Unidos no Chile.
Eduardo Bueno perde boquinha no Senado
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, anunciou que o historiador e escritor Eduardo Bueno, conhecido como “Peninha”, foi afastado do Conselho Editorial do Senado por celebrar a morte do ativista conservador Charlie Kirk.
Alcolumbre disse que, quando tomou conhecimento do vídeo em que Bueno diz que “é sempre triste um ativista morrer pelas suas ideias, exceto Charlie Kirk”, pediu que o presidente do Conselho, o senador e líder do Governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), demitisse o conselheiro.
Infelizmente, Eduardo Bueno ainda tem um contrato de quase R$ 3,3 milhões com a Caixa Econômica Federal, para atualizar um livro que escreveu sobre o banco. A Folha de São Paulo fez matéria sobre o assunto, mas botou no título: “Escritor criticado por fala sobre morte de Charlie Kirk tem contrato de R$ 3,27 mi com a Caixa”. O jornaleco deveria ter escrito: “Escritor que comemorou o assassinato de Charlie Kirk…”
Trump classifica o Antifa como grupo terrorista
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que está designando o movimento antifascista de esquerda Antifa como uma organização terrorista. O anúncio foi feito por meio de uma publicação na rede social Truth Social: “Tenho o prazer de informar aos nossos muitos patriotas dos Estados Unidos que estou designando a ANTIFA, um desastre doentio, perigoso e radical da esquerda, como uma grande organização terrorista”.
Trump também disse que pretende ordenar a abertura de investigações sobre o financiamento do grupo: “Vou recomendar fortemente que aqueles que financiam a ANTIFA sejam totalmente investigados conforme os mais altos padrões e práticas legais”.
Juros mantidos no Brasil e reduzidos nos EUA
O Banco Central decidiu manter a Taxa Selic em 15% ao ano, com apoio unânime da diretoria liderada por Gabriel Galípolo. A taxa já não tinha sido alterada na reunião anterior, em julho. O nível dos juros básicos é o maior em 19 anos, desde julho de 2006.
Num comunicado com poucas novidades, o BC pregou cautela e reforçou que deve manter a taxa atual por “período bastante prolongado”. Segundo economistas, o Copom não mostrou abertura para uma discussão sobre corte de juros, e as chances de uma redução ainda este ano se tornam menos prováveis.
Já o Federal Reserve, o banco central americano, reduziu ontem a taxa básica de juros nos Estados Unidos em 0,25 ponto percentual, para a faixa entre 4% e 4,25%, conforme esperado pelo mercado. E projetou mais dois cortes até o fim do ano.
A queda dos juros nos Estados Unidos é boa para o Brasil. Com a Selic em 15% no nosso país, investidores globais retiram recursos de economias com juros baixos e levam os dólares para o Brasil.




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