RESUMO DE NOTÍCIAS – 19/03/2025
Publicado originalmente por Redação Timeline em 19/03/2025
As narrativas da “imprensa” sobre Eduardo Bolsonaro, o “jogo de cartas marcadas” do STF e mais Janja, mais juros…
O “teatrinho” da turminha
Ontem mesmo, logo depois do anúncio feito pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro de que não vai retornar ao Brasil, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu o arquivamento da representação do PT contra o parlamentar que solicitava a apreensão do passaporte do filho de Jair Bolsonaro. A alegação era que Eduardo “atentava contra a soberania nacional ao criticar o STF no exterior”. Pouco tempo depois, Alexandre de Moraes arquivou o caso.
Gonet tinha recebido de Moraes um prazo de cinco dias para analisar a questão, mas esperou 19 dias para se manifestar contrariamente à queixa-crime apresentada pelos petistas. Foi uma forma de, digamos, tentar esvaziar os argumentos de Eduardo Bolsonaro para não voltar ao Brasil? Quando fez o anúncio, o deputado citou o risco de perder o passaporte e de ser preso... Ele não é investigado no STF pela suposta “trama golpista” e responde apenas a processos de difamação.
Outra questão que pode ter sido considerada por Paulo Gonet é o fato de que uma resposta do governo americano contra abusos, arbítrios e ilegalidades praticados por Alexandre de Moraes pode atingir não apenas o ministro do STF, mas todos aqueles que serviram para que suas ações fossem adiante. Gonet pode ter pensado nisso?
O advogado constitucionalista André Marsiglia fez uma publicação sobre o assunto em suas redes sociais. Ele escreveu o seguinte: “Se o STF arquivou o pedido contra Eduardo Bolsonaro por medo de represálias dos Estados Unidos, a decisão foi política. Se arquivou para Eduardo voltar e ser atraído para uma armadilha, a decisão foi política. Se julgou rápido, para mostrar que não havia perseguição, a decisão foi política. Se podia arquivar em horas, mas demorou quase um mês para examinar, a decisão foi política. Ou seja, a única coisa de que não temos dúvida é que o STF não é uma Corte constitucional, mas um tribunal político”.
Reações dos políticos
Nas redes sociais, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, postou uma foto ao lado de Eduardo em uma motociata. Na legenda, escreveu: “Conte sempre com o meu apoio”.
Parlamentares comunistas e socialistas, por sua vez, ironizaram a atitude de Eduardo. “Vai fugir, né? Tchau, querido”, postou a deputada Maria do Rosário (PT-RS), em referência a bordão da oposição no impeachment de Dilma Rousseff. A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) comparou a permanência de Eduardo nos Estados Unidos ao filme “A Fuga das Galinhas” e disse que ele teria aprendido a estratégia com o “blogueiro bolsonarista” Allan dos Santos, “foragido da Justiça brasileira” desde 2021...
O ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira (PT), atribuiu a licença do deputado à confissão de culpa. “Caso tivesse tranquilidade da sua inocência, Eduardo teria ficado no Brasil e se defendido perante a Justiça”. Sim, como se não houvesse uma multidão de inocentes perseguidos e condenados no Brasil…
A imprensa e suas narrativas
Entre os jornais que já foram importantes, por incrível que pareça, a Folha de São Paulo fez uma cobertura razoável. Na primeira página, a manchete foi: “Eduardo fica nos Estados Unidos contra Moraes, e direita fala em exílio; governo vê difamação do Brasil”. Na reportagem principal, o título foi: “Eduardo Bolsonaro cogita asilo nos Estados Unidos e pede licença do seu mandato”. O subtítulo: “Deputado afirma à Folha que Alexandre de Moraes é 'monstro descontrolado’, que não vê meios para lutar contra ele no Brasil e que 'única esperança' está no exterior”.
O Estadão também não foi assim tão mal. Botou na primeira página: “Eduardo Bolsonaro se licencia para viver nos Estados Unidos e criar clima pró-anistia”. Errou ao falar em “criar clima”... O importante é divulgar no exterior o que o Brasil está passando, controlado por uma aliança tirânica. O subtítulo foi: “Filho do ex-presidente, deputado fala em pedir ‘asilo político’ e promete buscar punição para Moraes”. A manchete da reportagem principal do Estadão foi bem parecida: “Eduardo Bolsonaro se licencia para viver nos EUA e buscar ‘sanções’ contra Moraes”. O subtítulo: “Deputado fala em ‘asilo político’, chama PF de Gestapo e promete agir por ‘punições’ para ministro do STF, que ontem negou apreensão de passaporte pedida por parlamentares do PT”.
O jornal carioca O Globo levou o prêmio de cobertura mais enviesada, mais nojenta. A matéria principal teve o seguinte título: “Eduardo investe em narrativa de perseguição e se muda para os Estados Unidos”. O subtítulo: “Filho de Bolsonaro se licencia da Câmara com ataques ao STF”. Um trecho da matéria: “O deputado Eduardo Bolsonaro (PL) se licenciou do cargo para morar nos Estados Unidos, de onde pretende denunciar o que classifica como um ‘regime de exceção’, em referência à atuação da Justiça brasileira em relação a seus aliados e apoiadores investigados por tentativa de golpe em 2022”.
Também no O Globo, Vera Magalhães escreveu artigo cujo título é “A extrema direita e a arte de distrair”. O texto é de uma canalhice pura, nega toda a perseguição política que quem se opõe aos abusos, arbítrios e ilegalidades praticados por ministros do STF tem sofrido. O artigo nega que o PT tenha a intenção de eliminar igualmente seus adversários e afirma que “certo é o propósito do bolsonarismo de vitimizar Jair e companhia”.
É mais ou menos o mesmo que fez Bernardo Mello Franco, também colunista do O Globo. Ele afirmou que Eduardo Bolsonaro “tenta posar de perseguido político”. O título da coluna dele é simplesmente vulgar: “Bananinha no exílio”.
No Uol, a coluna de Raquel Landim teve o título “O asilo fictício de Eduardo e a pressão indevida do STF no PL”. Foi mais um a negar a perseguição política implacável no Brasil, em curso há pelo menos seis anos, com milhares de atos de censura, presos políticos, dezenas de exilados, famílias dilaceradas e uma morte na cadeia, a do Clezão.
Pelo menos, a Raquel Landim foi uma dos poucos a criticar mais uma movimentação política do STF, a feita para impedir que Eduardo Bolsonaro assumisse a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados. De modo geral, a imprensa questionou se essa interferência indevida do Supremo no Legislativo teve influência no pedido de licença anunciado por Eduardo Bolsonaro, fazendo questão de ignorar que é um absurdo completo o STF querer dar as cartas dentro do Congresso.
Dinheiro para os cúmplices
O Grupo Globo se mantém à frente na divisão das verbas de publicidade do governo Lula e com larga vantagem sobre veículos da Record. Em 2024, os canais de mídia da Globo receberam ao menos R$ 126 milhões para veicular propagandas do governo e campanhas de “interesse público”. O grupo da Record recebeu ao menos R$ 52 milhões.
O dado é parcial porque o governo divulga com lentidão essas informações. Além disso, não há detalhes de quanto foi pago aos veículos de comunicação por empresas e bancos públicos, como Petrobras, Caixa e Banco do Brasil.
Descalabro petista
Hoje o Estadão publicou o editorial “O aparelhamento da Previ”. A Previ, fundo de pensão do Banco do Brasil, afrouxou as regras de nomeação para cargos executivos em conselhos fiscais e de administração de grandes companhias nas quais investe o dinheiro de seus cotistas. E os novos critérios facilitam a indicação de representantes de sindicatos ligados a Lula, de integrantes de associações e até de pessoas sem experiência. Alguns trechos do artigo: “Foi aberto o caminho para o aparelhamento desses conselhos pela companheirada. É por isso que sindicalistas passaram a integrar as altas instâncias da Vale, da Gerdau e da Neoenergia. Novas indicações serão feitas neste ano, quando mais de 60 cargos deverão ser preenchidos. A Previ parece estar a serviço do governo para que as indicações nessas empresas atendam às expectativas do presidente Lula da Silva, num processo de corrosão de medidas de governança que foram implementadas justamente para assegurar transparência e eficiência ao fundo. E não é novidade para ninguém que o governo Lula quer ter ascendência sobre companhias privadas. No caso dos fundos de pensão, a falta de profissionalismo na governança já se mostrou muito perigosa num passado recente. Recorde-se que os Correios e a Petrobras tiveram de cobrir prejuízos em seus fundos de pensão (Postalis e Petros, respectivamente) depois que estes realizaram investimentos arriscados, alinhados aos projetos lulopetistas. Esse histórico foi um dos motivos que levaram o Tribunal de Contas da União (TCU) a autorizar recentemente a abertura de uma auditoria para apurar perdas de R$ 14 bilhões na Previ, com o temor de desfalque para o patrocinador, o Banco do Brasil. E, para piorar, esse movimento se dá com o dinheiro dos funcionários e dos aposentados do Banco do Brasil, e em detrimento de seus interesses, ameaçando suas economias. Sobram motivos para preocupação com tantos riscos. E nada disso é bom, nem para a Previ, nem para o BB, nem para o Brasil”.
Menos imposto para todos, pode ser?
Lula enviou ao Congresso Nacional uma reforma no Imposto de Renda para isentar aqueles que recebem até R$ 5 mil mensais. Trabalhadores com renda de até R$ 7 mil por mês também serão beneficiados, pagando menos tributos do que recolhem hoje. A proposta era uma promessa de campanha de Lula e, se aprovada, entrará em vigor em 2026, ano de eleições nas quais o petista pode concorrer.
O projeto prevê tributação mínima para alta renda, incluindo dividendos, que atualmente são isentos. Empresas com R$ 50 mil em dividendos também terão um imposto extra. Então, empresários e investidores, o setor produtivo, aqueles que geram riquezas, que geram empregos serão penalizados primeiro. Só que quem vai pagar a conta somos todos nós... Com menos investimentos em produção, haverá menos empregos e mais custo de vida. Por que o governo não corta seus gastos, por que não reduz a carga tributária para todos, de um modo geral?
O projeto apresentado pelo governo deve custar de R$ 25 bilhões a R$ 34 bilhões... Por isso, Lula vai com tudo atrás de mais impostos. É um movimento desastroso. Todos os países que decidiram taxar os mais ricos, aumentar a carga sobre as empresas sofreram com evasão de divisas. Hoje em dia, o dinheiro se movimenta pelo mundo com muita rapidez.
As contas da Janja que nós pagamos
Janja da Silva embarcou para o Japão uma semana antes de Lula e da comitiva presidencial. A previsão era que Janja viajasse acompanhada do marido, cuja chegada ao país para uma agenda oficial está prevista para dia 27. Ela acabou embarcando na noite da última segunda-feira.
De acordo com sua assessoria, Janja viajou antes para participar de uma agenda própria, que não foi divulgada. E ela já planeja uma esticada até Paris... Não à toa, uma pesquisa Atlas/Intel/Bloomberg de fevereiro apontou que 58% dos brasileiros têm uma imagem negativa de Janja, índice que era de 40% em outubro.
Mais Janja, mais juros
Num país que gasta muito, em que o governo gasta mais do que arrecada, o jeito é aumentar a taxa de juros. Por isso, hoje, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deve elevar a Selic em 1 ponto percentual, segundo projeção unânime do mercado. Com a nova alta, a taxa vai a 14,25% ao ano, maior patamar desde outubro de 2016 (quando também estava em 14,25%). Confirmada a alta de hoje, desde setembro, a Selic terá subido 3,75 pontos percentuais.
Mais uma teatrinho do STF
O plenário do STF já tem maioria para liberar os ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Flávio Dino para participarem da análise da denúncia contra Jair Bolsonaro e, em seguida, do julgamento do ex-presidente e de mais 33 pessoas. O presidente da corte, Luís Roberto Barroso, já havia negado os pedidos em 28 de fevereiro, quando reclamou da insistência dos advogados. Como as decisões do último mês também foram objeto de contestação, Barroso marcou uma sessão extraordinária para o plenário da corte analisar o tema. A sessão foi aberta às 11h de hoje, só termina às 23h59 de amanhã, mas rapidamente, em pouco mais de uma hora, a decisão já estava tomada. A formação atual do Supremo certamente leva o título de maior cara de pau da história... Talvez seja hors concours nessa “disputa”




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