RESUMO DE NOTÍCIAS – 24/03/2025
Publicado originalmente por Redação Timeline em 24/03/2025
Os crimes inexistentes de Allan, Damares enlouquecida e Tarcísio perdidinho
Crimes inexistentes
Voltou a circular no fim de semana a notícia de que a Interpol e o Departamento de Estado dos Estados Unidos afirmaram que as “evidências” de crimes reunidas pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, contra o jornalista Allan dos Santos são insuficientes. Com isso, o pedido de extradição não foi atendido, e Allan não foi incluído na lista de foragidos internacionais. Além disso, todos os dados do jornalista registrados no sistema da Interpol foram excluídos.
Alexandre de Moraes acusa o jornalista de crimes como “lavagem de dinheiro, participação em organização criminosa e incitação a delitos de calúnia e difamação”. As investigações sugerem que essas ações teriam como objetivo “desestabilizar a democracia brasileira”... A Polícia Federal afirma que os conteúdos jornalísticos produzidos por Allan tinham como objetivo “atacar integrantes de instituições públicas, desacreditar o processo eleitoral brasileiro, reforçar o discurso de polarização, gerar animosidade dentro da própria sociedade brasileira, promovendo o descrédito dos poderes da República, além de outros crimes”... Não mandaram usar a “criatividade”? A turma tentou...
Tudo acertado contra Bolsonaro
O STF começa amanhã a maratona de julgamentos sobre a “tentativa de golpe de Estado”... Primeiro será analisada a denúncia contra Jair Bolsonaro e sete aliados dele: os ex-ministros Walter Braga Netto (Casa Civil e Defesa), Anderson Torres (Justiça), Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) e Paulo Sérgio Nogueira (Defesa); o ex-comandante da Marinha Almir Garnier Santos; o ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Alexandre Ramagem, hoje deputado federal pelo PL-RJ; e o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.
Tudo indica que a Primeira Turma do Supremo vai acolher as denúncias oferecidas pela PGR. Aí os denunciados viram réus, e começa a ação penal propriamente dita. Nessa fase, serão tomados depoimentos dos réus e das testemunhas de acusação e de defesa, e as partes podem pedir a produção de novas provas antes do julgamento.
O ritmo da trama contra Bolsonaro e seus aliados é 14 vezes mais rápido do que o processo do mensalão. A denúncia da PGR foi oferecida em 18 de fevereiro, dividida por núcleos de acusados. No dia seguinte, Moraes mandou notificar os denunciados e abriu prazo de 15 dias para a apresentação das defesas prévias. Em 7 de março, quando o período se encerrou, o ministro enviou os autos para o procurador-geral, Paulo Gonet, se manifestar em cinco dias.
Horas depois de a Procuradoria-Geral defender o recebimento da denúncia, Moraes liberou o caso para análise da Primeira Turma do Supremo. E o presidente do colegiado, ministro Cristiano Zanin, marcou o julgamento da abertura da ação para amanhã.
No escândalo do mensalão, conduzido pelo ministro aposentado Joaquim Barbosa, o julgamento do recebimento da denúncia ocorreu um ano e cinco meses depois de a Procuradoria-Geral formalizar a acusação contra os políticos.
Damares defende o mentiroso Hugo Motta
A ação contra Bolsonaro e seus aliados é um jogo de cartas marcadas. Já faz tempo que os opositores do STF e de Lula são vítimas dessa trama, que o presidente da Câmara, Hugo Motta, negou em discurso no Congresso na semana passada. Ele disse o seguinte: “Nos últimos 40 anos, não vivemos mais as mazelas do período em que o Brasil não era democrático, não tivemos jornais censurados, nem vozes caladas à força. Não tivemos perseguições políticas, nem presos ou exilados políticos, não tivemos crimes de opinião ou usurpação de garantias constitucionais. Não mais. Nunca mais”.
Apesar da negação total da realidade jogada na cara dos brasileiros por Hugo Motta, a senadora Damares Alves, também do Republicanos, defendeu seu colega deputado num evento do partido na última sexta. Era um encontro voltado para as mulheres, e houve protesto contra Motta. Tereza Vale, mãe do psicólogo João Lucas Giffoni, que é um dos exilados políticos do Oito de Janeiro, estava na plateia para apontar as mentiras do mais jovem presidente da Câmara dos Deputados da história. Damares Alves, primeiro, acolheu a mãe do exilado. Depois, fez um discurso desastroso que tem merecido muitas críticas.
A senadora disse que quem ataca Motta e Marcos Pereira, presidente do Republicanos, “não sabe a luta que foi para que eles estivessem nos lugares- chave, em um momento em que o Brasil mais precisa fazer a garantia da democracia”. Damares continuou: “As pessoas que os atacam não sabem a estratégia dos últimos dois anos para que o Republicanos ocupasse a Câmara dos Deputados. Quero dizer, em decorrência da manifestação que houve aqui, que as mulheres republicanas do Brasil acreditam no presidente da Câmara dos Deputados e no presidente nacional do Republicanos; eles merecem ser aplaudidos de pé”. E, você, Damares, merece o quê?
Tarcísio perdidinho
Além de Damares Alves, outro ex-ministro de Bolsonaro que merece críticas é o atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Em evento no Tribunal de Justiça de São Paulo, ele elogiou as urnas eletrônicas e o Tribunal Superior Eleitoral: “O Brasil veio se tornando referência em termos de velocidade, de apuração, de tecnologia. Muitos países têm que olhar para o Brasil e ver o que está sendo feito aqui. O Brasil se tornou, de fato, uma grande referência. A gente tem que fazer o agradecimento à Justiça Eleitoral por todo esse trabalho, por todo esse empenho como garantidora da democracia brasileira”.
Sim, Tarcísio, o sistema eletrônico de votação brasileiro é muito bom. Por isso, também é adotado por Butão e Bangladesh. Outros países, como Alemanha e Japão, por exemplo, não têm a nossa tecnologia, estão bem atrás do Brasil... Tadinhos... E para que servem, afinal, o voto impresso auditável e a contagem pública dos votos? Somos vanguarda; não há nada a mudar.
Zambelli quase fora
O STF já tem 4 votos para condenar Carla Zambelli e cassar seu mandato por porte ilegal de arma. O ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino deu ontem o quarto voto a favor de condenar a deputada federal do PL de São Paulo a cinco anos e três meses de prisão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, pelo episódio em que a parlamentar apontou uma arma para um homem numa rua de São Paulo, em outubro, na véspera do segundo turno das eleições de 2022. Hoje, o ministro Nunes Marques pediu vista, e o processo será analisado no plenário físico. Se for confirmada, a pena sugerida pelo ministro relator, Gilmar Mendes, será cumprida em regime semiaberto.
Além de Flávio Dino, acompanharam o relator a ministra Cármen Lúcia e o ministro Alexandre de Moraes. O julgamento, no plenário virtual, tinha previsão de durar até a próxima sexta-feira e envolve todos os ministros porque a ação começou a tramitar antes da mudança no regimento que levou os processos penais mais recentes para as turmas. O advogado da deputada, Daniel Bialski, lamentou não ter podido fazer a defesa oral em uma sessão presencial.
Editorial para quê?
O Estadão publicou hoje o editorial “Lula descobre que existem bandidos”. O subtítulo é: “Presidente percebe que a segurança é tema que dá e tira votos e resolve finalmente endurecer o discurso contra bandidos – aqueles que o PT sempre considerou vítimas de ‘injustiça social’”. Um trecho do artigo: “A segurança pública, como se sabe, é uma área na qual nem o governo nem a esquerda nem muito menos o PT têm o que mostrar. Recentemente, porém, durante evento no Ceará, em que protagonizou uma de suas muitas inaugurações palanqueiras, Lula afirmou que não permitirá que a ‘república de ladrões de celular comece a assustar as pessoas nas ruas deste país’”.
O problema é que o Estadão dá a entender que acredita que a busca de Lula por popularidade e votos vai fazê-lo combater a criminalidade de verdade. Não vai. É só propaganda, mas o editorial termina assim: “Antes tarde do que nunca: para um partido que sempre atribuiu o crime às ‘injustiças sociais’, chamar bandido de bandido é um progresso e tanto”.
Um editorial da Folha de hoje sobre o mesmo tema consegue ser pior ainda. O título é: “O debate perdido na segurança pública”. O subtítulo: “Controvérsia em torno de declarações do ministro da Justiça é ilustrativa de como o governo Lula, a esquerda e mesmo forças moderadas estão acuados no tema, enquanto a direita advoga políticas de linha dura”. Para quem não lembra, Ricardo Lewandowski disse na semana passada que “a polícia prende mal”...
Só que a Folha considera que a luta dos conservadores contra a criminalidade é principalmente eleitoreira, assim como o “novo” discurso de Lula: “A direita tem sabido explorar com eficiência as mais que justas preocupações da população com a criminalidade e a violência — que no Brasil e na América Latina estão muito acima da média global — para a defesa de políticas de linha dura que não raro descambam para o populismo penal, corporativismo e incentivo à letalidade policial”.
Para piorar, ignorando todas as experiências desastrosas já feitas pelo mundo, desapegado, portanto, do mundo real, o jornaleco termina seu editorial assim: “Falta aos políticos arejados disposição para encampar teses mais ousadas, como a descriminalização progressiva das drogas, defendida por esta Folha”.
A turma no Japão
Janja vai ter a companhia de uma turma grande no Japão. Ela viajou para o país uma semana antes da comitiva do marido. Lula embarcou ontem e levou com ele o atual presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e seu antecessor, Arthur Lira, o atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e seu antecessor, Rodrigo Pacheco, líderes de partidos da base e os ministros Juscelino Filho (Comunicações), Camilo Santana (Educação), Renan Filho (Transportes), Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos), Carlos Fávaro (Agricultura e Pecuária), Luciana Santos (Ciência e Tecnologia), Alexandre Silveira (Minas e Energia), além do secretário-executivo do Ministério da Indústria, Márcio Elias Rosa, do secretário de imprensa, Laércio Portela, e da presidente da Agência Brasileira Gestora de Fundos, vinculada ao Ministério da Fazenda, Maíra Madrid. Depois, o grupo vai para o Vietnã. Todos agradecem aos pagadores de impostos por bancarem a farra...
Trump contra o terrorismo
O governo americano anunciou que matou terroristas importantes em ataques no Iêmen. O assessor de segurança nacional da Casa Branca, Mike Waltz, afirmou que, entre as vítimas, está o principal especialista em mísseis do grupo.
O presidente dos Estados Unidos ordenou uma operação militar "decisiva e contundente" contra rebeldes Houthis no Iêmen no dia 15 de março. A investida é a maior operação militar americana no Oriente Médio desde o retorno de Trump à Casa Branca, e aumenta a pressão sobre o grupo aliado ao Irã para a interrupção de ataques a navios cargueiros no Mar Vermelho.
Os ataques dos Estados Unidos no Iêmen podem continuar por semanas, segundo um oficial americano. Trump quer intensificar sanções contra o Irã para tentar pressionar o país a negociar seu programa nuclear.




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