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RESUMO DE NOTÍCIAS – 24/06/2025

4 de out.
6 min de leitura

Publicado originalmente por Redação Timeline em 24/06/2025

Cessar-fogo, críticas ao Itamaraty, acareações no STF e o Brasil queimando

Cessar-fogo entre Israel e Irã

O presidente dos Estados Unidos anunciou um cessar-fogo que seria adotado a partir das 7h da manhã desta terça-feira (horário local) pelo Irã e, 12 horas depois, por Israel. O anúncio encerraria, na prática, a guerra de onze dias. O gabinete israelense aprovou durante a noite a proposta, que já tinha recebido sinal verde à tarde, numa conversa entre Netanyahu e Trump. Apesar do acordo, há acusações dos dois lados de que os ataques continuaram…

Editorial critica Itamaraty

O Estadão publicou hoje o editorial “O Brasil no ‘eixo dos hipócritas’”. O subtítulo é: “Posicionamento do governo no conflito entre Israel e Irã repete o padrão de críticas seletivas e condescendência com autocracias que conspurca a credibilidade diplomática do Brasil”. O texto termina assim: “O que o Brasil ganha com essa adesão à aliança de autocracias? Quais benefícios estratégicos ou diplomáticos justificam associar o país a regimes que promovem a instabilidade internacional, violam direitos humanos e desafiam o multilateralismo baseado em regras? As respostas são óbvias: tudo isso só serve para satisfazer a rançosa ideologia antiamericana e antiocidental do lulopetismo”.

As acareações no STF

Houve duas acareações hoje entre réus e uma testemunha do processo que analisa a tal “tentativa de golpe de Estado”. As audiências foram na sede do Supremo Tribunal Federal, por ordem do ministro Alexandre de Moraes.

A primeira foi entre o tenente-coronel Mauro Cid e o general da reserva Braga Netto. Cid firmou um acordo de delação premiada com a Polícia Federal, enquanto Braga Netto nega envolvimento no plano.

A segunda acareação foi entre o ex-ministro da Justiça Anderson Torres — também réu na ação — e o general Freire Gomes, que comandava o Exército à época e participa do processo como testemunha.

As acareações foram solicitadas pelas defesas de Anderson Torres e Braga Netto, depois dos interrogatórios dos réus, nos dias 9 e 10 de junho.

Segundo os advogados de Braga Netto, há divergências em dois pontos principais entre os depoimentos do ex-ministro e do tenente-coronel Mauro Cid. O primeiro refere-se à reunião realizada em novembro de 2022 na residência de Braga Netto. De acordo com Cid, o encontro teve como objetivo discutir o tal plano denominado “Punhal Verde e Amarelo”.

O delator afirmou ainda que, durante a reunião, os participantes manifestaram insatisfação com os resultados das eleições e com a forma como as Forças Armadas estavam lidando com o tema. Segundo ele, o ex-ministro teria, então, solicitado que Cid se retirasse do encontro, pois, a partir daquele momento, seriam discutidas “medidas operacionais” das quais, por sua proximidade com o ex-presidente, ele não poderia participar – versão que Braga Netto nega. O general da reserva disse que foi uma “visita de cortesia”, e que Cid ficou o tempo inteiro.

A segunda divergência envolve uma suposta entrega de dinheiro feita por Braga Netto a Mauro Cid, que teria repassado os valores ao major De Oliveira, das Forças Especiais, para “financiar atos antidemocráticos”. Cid afirmou que o ex-ministro fez a entrega no Palácio da Alvorada. Primeiro, ele disse que o dinheiro estaria numa sacola de vinho. Depois, afirmou que seria uma caixa do mesmo produto. Braga Netto nega ter feito qualquer entrega de dinheiro.

Já Freire Gomes, que foi ouvido como testemunha de acusação, será questionado sobre seu relato de que Anderson Torres participou de uma ou duas reuniões no Alvorada em que Bolsonaro expôs aos comandantes das Forças Armadas medidas de exceção que estavam em estudo.

Segundo o general da reserva, o papel dele “foi no sentido de explicar juridicamente algum ponto ali”. Torres nega que isso tenha ocorrido, e argumenta que os registros de entrada do Palácio da Alvorada apontam que ele e o ex-comandante não estiveram no local no mesmo momento.

As “delações” de Cid contra Moraes

A Meta, dona do Instagram, informou ao Supremo Tribunal Federal que a conta que teria sido utilizada pelo tenente-coronel Mauro Cid para falar de seu acordo de delação premiada foi criada com um e-mail em nome do militar. A informação foi enviada ao STF na semana passada, mas estava sob sigilo.

O ministro Alexandre de Moraes determinou ontem que o documento fique público. A Meta também apresentou o número de celular utilizado no cadastro da conta. O número está registrado no nome da mulher de Cid, Gabriela.

Moraes ainda liberou outro documento, enviado pelo Google, que detalha a criação da conta de e-mail. O endereço foi criado em 2005, e o aniversário do dono da conta é o mesmo de Cid.

Na semana passada, o advogado Eduardo Kuntz, que atua na defesa do ex-assessor presidencial Marcelo Câmara, informou ao STF que ele conversou com Cid por essa conta, após a revista Veja publicar mensagens que teriam sido enviadas pelo tenente-coronel sobre sua delação por meio do mesmo perfil.

Lula está queimando tudo

Pelo menos 30 milhões de hectares foram destruídos pelo fogo no Brasil, em 2024, uma área 62% acima da média histórica, que é de 18,5 milhões por ano. O dado está no MapBiomas Fogo, lançado hoje e parte da primeira edição do Relatório Anual do Fogo (RAF), com números relativos ao período de 1985 a 2024.

O aumento das áreas queimadas em relação à média histórica ocorreu na maioria dos biomas. A Amazônia registrou a maior área queimada de toda a série histórica e foi o bioma que mais queimou no País: foram 15,6 milhões de hectares, 117% acima da média.

No Pantanal, a extensão da destruição ficou 157% acima da média e, no Cerrado, 10%.

Venezuelano morto em transmissão ao vivo

O tiktoker venezuelano Gabriel Jesús Sarmiento Rodríguez, de 25 anos, foi morto a tiros durante uma transmissão ao vivo na noite de domingo. Ele estava em casa, na cidade de El Piñonal, no centro da Venezuela, quando homens armados invadiram sua residência, como o próprio tiktoker informou no vídeo.

No vídeo, é possível ouvir a mãe dele gritando por socorro e Sarmiento pedindo ajuda aos agentes do serviço de inteligência venezuelano (Sebin). Ele chega a repetir o endereço diversas vezes: “El Piñonal, Rua JJ Montesinos”. Instantes depois, os invasores aparecem diante da câmera, disparam contra Sarmiento e encerram a transmissão.

Segundo a imprensa local, Sarmiento foi atingido por pelo menos nove tiros. Sua mãe também foi baleada no abdômen.

Gabriel Jesús Sarmiento Rodríguez se apresentava como programador e era conhecido no TikTok como @unleacks. Seu perfil tinha 76 mil seguidores na plataforma e publicava vídeos com denúncias contra policiais supostamente envolvidos em corrupção e extorsão, além de integrantes das gangues Tren de Aragua e Tren del Llano.

Gilmar Mendes na mira do Chega

O líder do partido português de direita Chega, deputado André Ventura, disse que a sigla conduzirá uma investigação própria sobre a “influência, patrimônio e rede de interesses” do ministro do STF Gilmar Mendes em Portugal. O ministro promove o evento apelidado de “Gilmarpalooza”. Ventura fez uma publicação no seu perfil no X: “Depois de milhares de denúncias recebidas, o CHEGA irá fazer uma investigação própria à influência, patrimônio e rede de interesses do ministro do STF Gilmar Mendes, em Portugal. Todos sabemos que o Governo Lula e os seus amigos tiveram e ainda têm em Portugal um lote grande de amigos que lhes apara os golpes, mesmo tendo em conta a ditadura em que o Brasil se está a tornar. Esse tempo, no que depender do CHEGA, vai acabar”.

O decano do Supremo é um dos anfitriões do Fórum de Lisboa. O evento terá a sua 13ª edição realizada de 2 a 4 de julho. Ao menos 6 ministros do STF, 8 do STJ (Superior Tribunal de Justiça) e 5 do TCU (Tribunal de Contas da União) confirmaram presença. O evento já é uma tradição e é chamado de “Gilmarpalooza”– junção dos nomes do decano e do festival de música Lollapalooza, originado em Chicago e cuja versão no Brasil é realizada todos os anos em São Paulo.

Além de autoridades do Judiciário, o encontro costuma reunir a cúpula da política e do empresariado brasileiro. Também estão confirmados para este ano o chairman do BTG Pactual, André Esteves, e o CEO do iFood, Diego Barreto. O evento é realizado pela FGV (Fundação Getúlio Vargas), pelo IDP (Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa) – fundado por Gilmar Mendes, Paulo Gonet (procurador-geral da República) e Inocêncio Coelho (ex-PGR) – e pelo LPL (Lisbon Public Law), da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.

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