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RESUMO DE NOTÍCIAS – 26/03/2025

Oct 4
5 min read

Publicado originalmente por Redação Timeline em 26/03/2025

Joguinho podre de cartas marcadas, inflação descontrolada e um Bukele para o Brasil 


Segue o jogo de cartas marcadas

A Primeira Turma do STF, por unanimidade, aceitou a denúncia da PGR contra Jair Bolsonaro e outros sete integrantes do chamado Grupo 1. A “análise” da denúncia por “tentativa de golpe de Estado” começou ontem, e todos os pleitos preliminares das defesas foram negados. Agora, os denunciados se tornam réus e vão responder a uma ação penal... O teatrinho do Supremo segue em ritmo acelerado, e os esforços passam a ser pela aprovação do Projeto de Lei da Anistia.

Os verdadeiros democratas também esperam as ações do governo dos Estados Unidos contra os abusos, arbítrios e ilegalidades cometidos pelo ministro Alexandre de Moraes. Só que é preciso ter em mente que o movimento do presidente americano, Donald Trump, deve ser seguido por outras ações domésticas empreendidas principalmente pelo Legislativo brasileiro, em especial o Senado, e pela população. Ninguém pode desanimar, ninguém pode desistir e se render. Uma guerra abandonada é uma guerra perdida.

 

Ainda há juristas no Brasil

Juristas sérios afirmam que as defesas dos acusados de tentativa de golpe deveriam ter tido acesso a todos os dados reunidos pela investigação que resultou na denúncia da Procuradoria-Geral da República. Nas sessões de ontem, os advogados de defesa disseram que não tiveram acesso à íntegra do material, apenas àquilo que foi pinçado, editado e organizado pela PGR.

Prova maior disso foi dada por Alexandre de Moraes, durante seu voto na sessão de hoje da Primeira Turma. Ele exibiu imagens dos atos do 8 de Janeiro, e o vídeo apresentado não faz parte da denúncia fajuta encaminhada pelo procurador-geral da República...

A falta de acesso à integra do material bruto impede o pleno exercício do direito à defesa, dizem os juristas que ainda restam ao Brasil. Segundo eles, se os advogados não têm acesso a tudo que foi fornecido à acusação, incluindo o que não está na denúncia, o princípio de paridade de armas entre as duas partes fica prejudicado.

 

Farsa indisfarçável

Elio Gaspari, no O Globo de hoje, é mais um a criticar o pedido de 14 anos de prisão para a cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos, que pichou a estátua em frente ao Supremo usando um batom… E ele fez uma comparação entre o caso dela e outro do período do regime militar: “Cena 1, janeiro de 1970: os juízes da 1ª Auditoria do Exército leem a sentença que condena a oito anos de prisão os oito principais autores do sequestro do embaixador americano Charles Elbrick, ocorrido em setembro do ano anterior... Cena 2, março de 2025: o ministro Alexandre de Moraes condena a 14 anos de prisão a cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos. No dia 8 de janeiro de 2023, ela escreveu com batom ‘Perdeu, mané’ na estátua da Justiça em frente ao Supremo Tribunal Federal, em Brasília. Moraes foi acompanhado pelo ministro Flávio Dino”.

Gaspari, claro, jura que houve uma tentativa de golpe em 2023, mas começa a perceber que algo está errado: “Os 14 anos de Débora seguem uma tendência do STF, que vem impondo punições leoninas à infantaria golpista do 8 de Janeiro. O tribunal já condenou 371 pessoas a penas que somam 3,3 mil anos de cadeia, e 71 cumpriam penas em janeiro passado. Seguindo essa métrica, os militares que comprovadamente atuaram na armação de um golpe deveriam receber penas seculares”.

O colunista parece menos preocupado com a injustiça cometida contra Débora e mais com a possibilidade de a condenação descabida pedida por Moraes e Dino prejudicar o processo contra aqueles que ele considera os “comandantes” do “golpe”: “As mil páginas do relatório da Polícia Federal e as 272 da denúncia oferecida pela Procuradoria-Geral são contundentes em alguns aspectos e débeis em outros. E as sentenças impostas à infantaria vândala do 8 de Janeiro levam água para aqueles que propagam o delírio de que o Brasil vive uma ditadura”.

Não, o Brasil não vive uma ditadura. Nada acontece com aqueles que defendem o STF, Lula, o PT... Esses são livres para falar o que quiserem. Por outro lado, qualquer um que faça críticas pertinentes e fundamentadas contra a aliança no poder, contra seus integrantes estará exposto a uma série de abusos, arbítrios e ilegalidades. Isso não é absolutamente uma ditadura, é uma “democracia relativa”.

 

Um Bukele, por favor

O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, disse que o Brasil deve aprender com El Salvador para reduzir os índices de homicídios, destacando que o país da América Central passou de 38 casos por 100 mil habitantes em 2019 para 1,9 em 2024.

Durante o Fórum de Segurança Pública, em Brasília, Derrite criticou o Programa Pena Justa, que pretende combater “violações de direitos humanos” no sistema prisional brasileiro. O projeto, parceria entre o Conselho Nacional de Justiça e o Ministério da Justiça, estabelece mais de 300 metas a serem alcançadas pelo poder público até 2027.

 

E tome inflação

A ata da última reunião do Copom, quando a taxa de juros subiu um ponto percentual, foi divulgada ontem e indica que a inflação fora da meta vai exigir juros altos por mais tempo. A Selic terá nova alta em maio porque “vetores inflacionários seguem adversos”.

A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária, do Banco Central, confirma que a atual composição do colegiado se mantém atenta aos riscos inflacionários. Com a maioria dos integrantes indicados pelo governo Lula, inclusive o presidente Gabriel Galípolo, chegou a haver receio de que a instituição pudesse ficar suscetível à influência política, apesar de sua autonomia estar garantida em lei.

Na semana passada, o Copom elevou a taxa básica de juros para 14,25%, patamar mais alto desde outubro de 2016. Na ata, os diretores do BC confirmam que preveem novo aumento em maio — inferior ao 1 ponto percentual da última reunião — e não descartam novas altas.

As expectativas de inflação estão longe da meta perseguida pelo BC (3%) e da faixa máxima superior (4,5%). As instituições financeiras preveem alta de preços de 5,65% ao longo de 2025. A estimativa para 2026 está em 4,5%, mas tem subido.

 

Em todo canto, tudo igual

Um juiz ordenou ontem a prisão temporária de sete jornalistas, incluindo um fotógrafo da Agência France-Presse (AFP), acusados de participar da maior onda de manifestações no país desde 2013. Os protestos começaram na última quarta-feira, quando o popular prefeito de Istambul e principal rival do presidente Recep Erdogan, Ekrem Imamoglu, foi preso. Ele é acusado de corrupção e de liderar uma organização criminosa.

Ao todo, mais de 1,4 mil pessoas já foram detidas nos seis dias de manifestações, levando a críticas de Alemanha, França, Grécia e ONU. Em audiência, o fotógrafo da AFP disse que apenas cobria os protestos, que foram proibidos pelo governo.

O prefeito de Istambul, Ekrem Imamoglu, foi preso quatro dias antes de ser indicado candidato a presidente. Ele é o maior opositor de Recep Erdogan, que está no poder desde 2003. A oposição acusa o governo de maquinar acusações falsas contra o prefeito para retirá-lo da corrida eleitoral.

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