RESUMO DE NOTÍCIAS – 29/08/2025
Publicado originalmente por Redação Timeline em 29/08/2025
As dúvidas sobre a operação contra o PCC, México deixa o Brasil, que quer enfrentar os EUA e a economia brasileira em frangalhos
Operação Carbono Oculto: por que tanta gente escapou?
O resultado das prisões na Operação Carbono Oculto, deflagrada contra o bilionário esquema de lavagem de dinheiro do PCC, foi classificado por um delegado federal como “totalmente atípico”. Dos 14 alvos com mandado de prisão preventiva, apenas seis foram encontrados e detidos, enquanto a maioria, incluindo alguns dos principais investigados, escapou.
Em operações desse porte, o esperado é um alto índice de sucesso no cumprimento dos mandados de prisão. Um dos delegados envolvidos na operação fez o seguinte comentário: “É totalmente atípico em nossas operações acontecer isso. Prender menos do que se deveria. Geralmente, escapa um ou outro. E não a maioria como agora. Temos que investigar o porquê disso”.
Apesar do revés nas prisões, os comandantes da operação destacam que houve um farto volume de material apreendido durante as buscas e que as apreensões devem aprofundar as investigações sobre lavagem de dinheiro do narcotráfico e da corrupção.
O esquema bilionário de integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis era comandado por Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “Primo” ou “João”, e Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”.
Segundo as investigações, a organização criminosa atuava em toda a cadeia produtiva de combustíveis e de açúcar e álcool, incluindo usinas, distribuidoras, transportadoras, fabricação e refino, armazenagem, redes de postos de combustíveis e conveniências.
Mohamad é apontado como o “epicentro das operações”. Ele era o chefe da organização que utilizava empresas em todo o setor de combustíveis — desde usinas até postos — para realizar fraudes fiscais massivas, ocultar patrimônio e lavar bilhões de reais. A extensa rede criminosa era formada por parentes dele, sócios, administradores e profissionais cooptados.
No LinkedIn, Mohamad se apresentava como CEO da empresa G8LOG, especializada em transporte rodoviário de cargas perigosas como combustível, e consultor do grupo Copape — responsável pela formulação de gasolina a partir de derivados de petróleo.
Governo diz que vai fiscalizar fintechs
A Receita Federal publicou no Diário Oficial da União de hoje a norma que equipara o tratamento das fintechs – empresas que criam modelos para o mercado financeiro por meio do uso de tecnologias – ao dado aos bancos, com o objetivo de reforçar o combate a crimes financeiros.
A norma estabelece medidas para o “combate aos crimes contra a ordem tributária, inclusive aqueles relacionados ao crime organizado, em especial a lavagem ou ocultação de dinheiro e fraudes”.
Promotores do Ministério Público de São Paulo (MPSP) responsáveis pela Operação Carbono Oculto afirmam que o Brasil se tornou um paraíso fiscal a partir da proliferação de fintechs que oferecem o serviço de “conta bolsão”.
O instrumento, que concentra em uma única conta o dinheiro de vários clientes, tem dificultado a aplicação de bloqueios judiciais. A blindagem contra decisões da Justiça é, inclusive, oferecida como um diferencial em relação ao sistema bancário tradicional.
O esquema de adulteração envolvendo o desvio de metanol operava por meio da atuação da BK Bank, fintech definida pelo MPSP como um “banco paralelo”. A instituição financeira centralizava as movimentações de empresas de fachada responsáveis por fornecer documentos fiscais para obtenção do produto químico.
A BK Bank também recebia diretamente valores em espécie, um procedimento apontado como estranho à natureza da instituição de pagamento. Entre 2022 e 2023, foram efetuados cerca de 11 mil depósitos em espécie, totalizando mais de R$ 61 milhões.
O perigo da Lei da Reciprocidade
O governo Lula começou o processo que pode levar à aplicação da Lei de Reciprocidade Econômica contra os Estados Unidos, em resposta ao tarifaço contra produtos brasileiros exportados para os americanos.
O Ministério das Relações Exteriores enviou à Câmara de Comércio Exterior (Camex) um comunicado informando que o Brasil iniciou as consultas e medidas para aplicar a legislação contra os Estados Unidos. A Camex tem 30 dias para avaliar se é possível a aplicação da lei.
O Brasil vai notificar oficialmente o governo americano sobre o início do processo nesta sexta-feira. Os diplomatas acreditam na medida como uma forma de abrir um caminho de diálogo com os americanos, que têm evitado negociações sobre o tema.
Lula já tinha solicitado avaliações sobre possíveis medidas nos setores de óleo e gás, farmacêutico e agrícola. Entre as alternativas discutidas por especialistas desses setores está a suspensão de direitos de propriedade intelectual — o que poderia incluir a quebra de patentes de medicamentos e defensivos agrícolas… Podemos chamar algo assim de pirataria?
Bolsonaro: “Minha vida acabou”
Em prisão domiciliar desde 4 de agosto e sob vigilância integral, Jair Bolsonaro se emocionou durante a visita do vice-prefeito de São Paulo, coronel Ricardo Mello Araújo (PL). Na conversa, que durou cerca de 4 horas, o ex-presidente relembrou a trajetória no meio militar até chegar à Presidência e, aos 70 anos e com a perspectiva de condenação pelo STF, desabafou: “Minha vida já acabou”.
Sobre os governadores teoricamente aliados de Bolsonaro que estão de olho na presidência da República, Mello Araújo fez o seguinte comentário: “Ele não está com cabeça em eleição. Por isso, acho sacanagem o pessoal querer o espólio eleitoral dele. Estão o enterrando vivo. Querem 40 anos nas costas dele. Fui lá para levantar o ânimo dele. Fico indignado de ver tanto bandido sendo solto — traficante, homicida, ladrão — e Bolsonaro preso”.
México descarta acordo com Brasil
O secretário de Economia do México, Marcelo Ebrard, disse que descarta um acordo de livre comércio com o Brasil. A declaração foi feita em entrevista a jornalistas, depois de reunião com o vice-presidente brasileiro, Geraldo Alckmin: “Temos acordos de complementaridade, denominados ACE 53 e ACE 55. O que faremos é tratar de atualizá-los porque foram assinados há mais de 20 anos. Mas não estamos planejando um acordo de livre comércio neste momento”.
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, de esquerda, reiterou aos jornalistas a declaração feita pelo secretário de Economia: “Não estamos pensando em um acordo de livre comércio, mas, sim, em um acordo de colaboração e cooperação em certas áreas”.
Alckmin, por sua vez, disse que a reunião de trabalho com a presidente do México foi “muito proveitosa” e que o Brasil e o México “estão mais próximos”. Ele só não comentou que o México tem mais interesse, obviamente, em estar mais perto dos Estados Unidos e que não vai se arriscar numa aproximação com o Brasil do PT…
A terrível aliança entre o Brasil do PT e a China
Os ministros das Relações Exteriores Mauro Vieira, do Brasil, e Wang Yi, da China, conversaram por telefone nessa quinta-feira para reforçar a aproximação entre Lula e o ditador Xi Jinping. Os diplomatas discutiram a cooperação bilateral e o fortalecimento das relações entre os países do Brics.
Depois da conversa, o ministro chinês declarou o seguinte: “O presidente Xi Jinping e o presidente Lula da Silva estabeleceram sólida confiança e amizade e, em conjunto, forneceram importantes orientações estratégicas para a construção de uma comunidade China-Brasil com um futuro compartilhado”.
Já Mauro Vieira afirmou que o comércio internacional enfrenta “incertezas” e que o multilateralismo passa por “desafios sérios”. Ele pediu a coordenação entre os países do Brics nesse cenário.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores da China, os países devem intensificar a comunicação e coordenação para apoiar o sistema multilateral de comércio e promover a reforma da OMC (Organização Mundial do Comércio), como defendeu Mauro Vieira.
A economia vai muito bem, sim…
As estatais registraram déficit de R$ 2,1 bilhões em julho de 2025, o maior da série histórica para o mês. O resultado está no relatório “Estatísticas Fiscais” divulgado pelo Banco Central nesta sexta-feira.
O resultado de julho de 2025 superou o recorde anterior, de julho de 2024, quando as estatais foram deficitárias em R$ 1,7 bilhão.
No mês passado, o setor público consolidado – formado por União, Estados, municípios e estatais – registrou déficit primário de R$ 66,6 bilhões em julho. O resultado é o segundo maior da série histórica para o mês.
A Dívida Bruta do Governo Geral – que compreende o governo federal, o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e os governos estaduais e municipais – atingiu 77,6% do PIB (R$ 9,6 trilhões) no mês passado. É uma alta de 0,9 p.p. do PIB em relação ao mês anterior.




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