Rubio classifica o Brasil como país “não amigável” aos EUA
Publicado originalmente por Redação Timeline em 02/06/2026
Secretário de Estado de Donald Trump colocou o Brasil ao lado de Cuba, Nicarágua e Venezuela ao tratar dos desafios da política externa americana no hemisfério
WASHINGTON, 2 de junho de 2026 — O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, classificou nesta terça-feira (2) o Brasil como um dos países que apresentam desafios para a política externa americana, colocando-o no mesmo grupo de nações como Cuba, Nicarágua e Venezuela. A declaração foi feita durante uma audiência no Congresso dos Estados Unidos.
Segundo Rubio, os Estados Unidos contam atualmente com uma coalizão de mais de uma dúzia de países considerados aliados no hemisfério ocidental. Ao descrever o cenário regional, ele citou explicitamente Brasil, Cuba, Nicarágua e Venezuela como exceções dentro desse conjunto de governos amigáveis.
A fala chama atenção porque representa uma das avaliações públicas mais duras já feitas por um integrante do primeiro escalão da administração de Donald Trump em relação ao governo brasileiro desde o início do segundo mandato do republicano.
Rubio afirmou:
“Nós agora temos, neste hemisfério, uma coalizão de países amigáveis de mais de uma dúzia (…). Além da Nicarágua, Cuba, Venezuela e, claro, o Brasil, mesmo que eles estejam no meio de um ciclo de eleições.”
O secretário não detalhou os critérios utilizados para enquadrar o Brasil entre os países considerados problemáticos para os interesses estratégicos americanos. Também não especificou quais seriam os governos integrantes da coalizão de aliados mencionada durante a audiência.
Relação bilateral atravessa momento delicado
A declaração ocorre em um contexto de crescente deterioração das relações entre Brasília e Washington.
Nos últimos meses, a administração Trump passou a adotar uma postura mais agressiva em temas relacionados à segurança regional, combate ao crime organizado transnacional e política comercial envolvendo o Brasil.
Entre os pontos de atrito está a intenção anunciada por Rubio de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras, medida que recebeu críticas do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Além disso, a Casa Branca propôs uma tarifa de 25% sobre uma ampla lista de produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, ampliando as tensões comerciais entre os dois países.
O significado político da declaração
Embora Rubio não tenha apresentado justificativas detalhadas, a inclusão do Brasil ao lado de regimes historicamente criticados por Washington possui forte peso simbólico.
Tradicionalmente, Cuba, Nicarágua e Venezuela são tratadas pela diplomacia americana como governos adversários ou hostis aos interesses estratégicos dos Estados Unidos no continente. Ao mencionar o Brasil no mesmo contexto, Rubio sinaliza que a administração Trump vê o atual governo brasileiro mais como um interlocutor difícil do que como um parceiro estratégico.
Ao mesmo tempo, o secretário fez uma ressalva ao mencionar que o Brasil atravessa um ciclo eleitoral, sugerindo que Washington acompanha de perto as mudanças políticas que poderão ocorrer no país nos próximos meses.
Sinalização para além da diplomacia
A declaração também pode ser interpretada como parte de uma mudança mais ampla na estratégia americana para a América Latina.
Nos últimos meses, o governo Trump intensificou iniciativas voltadas ao combate de organizações criminosas transnacionais, ao controle de rotas do narcotráfico e à disputa geopolítica com potências como China, Rússia e Irã na região.
Nesse contexto, autoridades americanas vêm demonstrando crescente preocupação com a atuação de facções criminosas latino-americanas, especialmente o PCC e o Comando Vermelho, organizações que Washington avalia enquadrar formalmente como grupos terroristas estrangeiros.
A fala de Rubio sugere que, para a atual administração americana, a relação com o Brasil deixou de ser vista apenas sob a ótica comercial e passou a ser analisada também sob critérios estratégicos, de segurança e de alinhamento político internacional.
Por enquanto, o governo brasileiro não havia divulgado resposta oficial às declarações do secretário de Estado americano. Entretanto, a afirmação de Rubio representa mais um capítulo na crescente tensão entre Brasília e Washington, em um momento em que temas como terrorismo, crime organizado, tarifas comerciais e cooperação internacional passaram a ocupar o centro da agenda bilateral.




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