Sob comando de Dilma, banco dos BRICS avança negociação para financiar o Irã
Publicado originalmente por Redação Timeline em 13/08/2026
Teerã negocia entrada no Novo Banco de Desenvolvimento e acesso às linhas de financiamento da instituição presidida pela ex-guerrilheira brasileira
WASHINGTON, 12 de agosto de 2026 — O Irã está avançando nas negociações para ingressar no Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), o chamado Banco dos BRICS, presidido pela ex-presidente brasileira Dilma Rousseff. Nesta quarta-feira (12), o presidente do Banco Central iraniano, Abdolnaser Hemmati, afirmou que a entrada do país na instituição deverá ocorrer “em breve”.
A movimentação amplia uma aproximação que já vinha sendo conduzida diretamente com Dilma.
Em uma rodada anterior de negociações, o então presidente do Banco Central iraniano, Mohammad Reza Farzin, reuniu-se com Rousseff em Xangai para discutir formalmente a intenção de Teerã de aderir ao NDB. Segundo informações divulgadas pelo próprio lado iraniano, Dilma destacou a importância do país e seu potencial para ampliar a cooperação regional e internacional. As partes acertaram a continuidade das conversas sobre a adesão e sobre o eventual acesso iraniano aos instrumentos financeiros do banco.
Agora, o processo parece ter avançado mais uma etapa.
Hemmati declarou antes da reunião de ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais dos BRICS, na Índia, que o NDB representa uma das estruturas mais importantes de cooperação econômica do bloco. O governo iraniano também pretende ampliar operações comerciais em moedas nacionais e estabelecer acordos monetários bilaterais e trilaterais com outros integrantes do BRICS.
A entrada do Irã teria peso que vai muito além de um novo nome na lista de acionistas.
Teerã permanece submetida a extensas sanções americanas e busca há anos mecanismos financeiros capazes de reduzir sua exposição ao sistema internacional dominado pelo dólar. Nesse contexto, participar de uma instituição multilateral de desenvolvimento significa abrir uma nova frente potencial para financiamento de infraestrutura e outros projetos, sujeita às regras e aprovações internas do NDB.
O próprio banco deixa clara essa direção estratégica.
Em discurso na reunião anual do NDB em 2026, Dilma afirmou que o financiamento em moedas locais continuará sendo uma prioridade e anunciou a intenção de ampliar instrumentos como garantias, financiamento ao comércio, compartilhamento de riscos e cofinanciamento. Também defendeu a expansão “gradual e equilibrada” da instituição como plataforma do chamado Sul Global.
Atualmente, porém, o Irã ainda não aparece na relação oficial de membros nem entre os países classificados pelo NDB como “prospective members”. A lista oficial inclui Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul como fundadores; Bangladesh, Emirados Árabes Unidos, Egito, Argélia e Uzbequistão entre os membros posteriores; e Uruguai, Colômbia, Etiópia, Angola e Zimbábue entre os prospectivos. Portanto, a declaração iraniana de que a adesão ocorrerá em breve ainda precisa se materializar formalmente nos procedimentos do banco.
De Brasília a Xangai
Há uma ironia política difícil de ignorar na escolha de quem conduz essa expansão financeira.
Dilma Rousseff chegou à presidência do NDB em 2023, depois de deixar a Presidência da República em 2016 por impeachment. Seu período final no Palácio do Planalto coincidiu com uma das recessões mais profundas da história recente brasileira.
Em 2015, o PIB brasileiro despencou 3,8%. No ano seguinte, a economia recuou novamente — 3,3%, segundo os números posteriormente revisados pelo IBGE. O investimento caiu para o menor nível da série histórica então disponível e o consumo das famílias recuou pelo segundo ano consecutivo.
Em 31 de agosto de 2016, o Senado aprovou seu impeachment por 61 votos a 20, encerrando definitivamente seu segundo mandato.
Sete anos depois, Dilma reapareceu em Xangai no comando de um banco multilateral criado pelos BRICS para financiar projetos de desenvolvimento nos países emergentes.
E é justamente sob sua presidência que a instituição agora discute abrir suas portas para o Irã.
A questão central, portanto, não é apenas a biografia de Dilma. É o que a possível entrada iraniana revela sobre a transformação do NDB.
O banco nasceu em 2015 como alternativa complementar às instituições financeiras multilaterais tradicionais. Sob a atual gestão, porém, passou a enfatizar cada vez mais financiamento em moedas locais, expansão do número de membros e mecanismos financeiros próprios para os países do chamado Sul Global.
Para o Irã, isolado de parcelas importantes do sistema financeiro ocidental, essa arquitetura tem valor estratégico evidente.
Para o NDB, aceitar Teerã significaria incorporar um membro do BRICS que está no centro de algumas das maiores disputas geopolíticas e financeiras com os Estados Unidos.
E para o Brasil, há um detalhe particularmente simbólico: a brasileira que deixou o Palácio do Planalto durante uma recessão histórica é hoje uma das principais autoridades responsáveis por decidir quem poderá acessar uma das mais importantes estruturas financeiras criadas pelos BRICS.
Desta vez, do outro lado da mesa está o Irã.




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