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Trump elogia Flávio Bolsonaro após encontro no Salão Oval

Oct 3
3 min read

Publicação foi feita no perfil oficial de Trump na rede social Truth Social minutos depois da fala de Lula contra Flávio Bolsonaro


WASHINGTON, 2 de junho de 2026 — O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou nesta terça-feira uma mensagem no Truth Social elogiando o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e pré-candidato à Presidência da República nas eleições brasileiras deste ano.

Na publicação, Trump afirmou que foi “muito bom” receber Flávio Bolsonaro no Salão Oval da Casa Branca e descreveu o senador como “um jovem inteligente” que “ama muito o seu país, o Brasil”. A postagem foi acompanhada de fotos do encontro, que também contou com a presença do deputado federal Eduardo Bolsonaro e do analista Paulo Figueiredo.

Presidente americano publicou mensagem no Truth Social chamando o senador de “jovem inteligente” que “ama muito o Brasil”; Eduardo Bolsonaro agradeceu a recepção e negou que tarifas comerciais abalem a relação com a administração republicana


O gesto tem forte significado político. Flávio Bolsonaro tenta consolidar sua imagem como o nome da direita brasileira na disputa presidencial de outubro de 2026, em um cenário de polarização com o comunista Luiz Inácio Lula da Silva. A foto no Salão Oval e o elogio público de Trump funcionam como uma demonstração explícita de proximidade com a principal liderança conservadora dos Estados Unidos.

A visita de Flávio à Casa Branca já havia sido noticiada pela imprensa internacional. O senador brasileiro se reuniu com Trump no Salão Oval em 26 de maio, em encontro fechado à imprensa, e depois falou com jornalistas em Washington. O convite feito a Flávio busca fortalecer a proximidade entre a Casa Branca e o futuro do Brasil.

Após a publicação de Trump, Eduardo Bolsonaro agradeceu a “recepção fantástica” e rebateu a versão de que a administração americana teria adotado novas tarifas contra o Brasil como forma de hostilidade política aos Bolsonaro. Segundo Eduardo, essa narrativa seria “fake news” criada para tentar desgastar a boa relação entre a família Bolsonaro e o governo Trump.

A discussão ocorre em meio a uma tensão comercial real entre Brasília e Washington. A administração Trump propôs uma tarifa de 25% sobre uma lista de produtos brasileiros, sob a justificativa de práticas comerciais injustas. A proposta está vinculada à Seção 301 da legislação comercial dos Estados Unidos e ainda passa por processo de consulta pública.

Ao mesmo tempo, a tensão diplomática entre os dois países aumentou depois que o secretário de Estado Marco Rubio classificou o Brasil como um dos países que apresentam desafios à política externa americana, colocando o país ao lado de Cuba, Nicarágua e Venezuela em uma audiência no Congresso.

Rubio também mencionou que o Brasil atravessa um ciclo eleitoral, sinalizando que Washington acompanha de perto o cenário político brasileiro. Na mesma fala, ele afirmou que os Estados Unidos contam hoje com uma coalizão de mais de uma dúzia de países amigáveis no hemisfério, deixando o Brasil fora desse grupo.

O encontro de Trump com Flávio, portanto, acontece em dois planos simultâneos. No plano diplomático e comercial, há atrito crescente entre os governos dos Estados Unidos e do Brasil. No plano político, porém, a relação entre Trump e a família Bolsonaro permanece pública, direta e simbólica.

A publicação de Trump serve como prova de que a direita brasileira mantém canais privilegiados com a Casa Branca, apesar do desgaste institucional entre os dois governos. Para o comunista Lula, o gesto tende a ser interpretado como interferência política indireta em ano eleitoral, mesmo quando é Lula quem usou táticas piores na Venezuela, na Bolívia e outros países em período eleitoral.

A postagem também amplia a disputa narrativa em torno das tarifas. Enquanto o governo brasileiro e parte da imprensa tratam a medida como sinal de deterioração da relação bilateral, aliados de Bolsonaro tentam separar o conflito comercial entre Estados da relação política e ideológica entre Trump e a direita brasileira.

Na prática, o episódio reforça a estratégia de Flávio Bolsonaro de se apresentar ao eleitor brasileiro como o herdeiro político do pai com trânsito internacional junto ao trumpismo. A imagem no Salão Oval, somada ao elogio público do presidente americano, dá ao senador um ativo de campanha difícil de ignorar.

O movimento também confirma que a eleição brasileira de 2026 já entrou no radar de Washington. E, desta vez, não apenas pelos canais tradicionais da diplomacia, mas também pela linguagem direta das redes sociais, das imagens de poder e dos sinais públicos emitidos pelo próprio presidente dos Estados Unidos.

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