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Vance pede investigação sobre cobranças de "transição de gênero" em menores

Oct 3
3 min read

Relatório do Departamento de Saúde acusa hospitais de utilizar diagnósticos imprecisos para obter cobertura de seguros


WASHINGTON, 14 de agosto de 2026 — O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, pediu ao Departamento de Justiça que investigue hospitais e clínicas citados em um novo relatório sobre tratamentos de “transição de gênero” realizados em menores de idade.

O documento, intitulado Wolves in White Coats: How Doctors and Hospitals Pushed and Profited from the Fraud of “Gender Medicine” — “Lobos de Jaleco Branco”, em tradução livre — foi divulgado pelo Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS) em 13 de agosto.

Vance encaminhou o relatório ao procurador-geral Todd Blanche, que assumiu oficialmente o comando do Departamento de Justiça em 11 de agosto. Como presidente da força-tarefa da Casa Branca contra fraudes, o vice-presidente pediu que o órgão determine se as instituições identificadas violaram leis ou regulamentos federais.

Paralelamente, o secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., enviou os casos ao Escritório do Inspetor-Geral do HHS. Segundo o comunicado oficial, o objetivo é apurar irregularidades em cobranças feitas ao Medicaid e a planos privados.

Códigos de diagnóstico sob suspeita

O principal foco do relatório são os códigos médicos apresentados às seguradoras para justificar o pagamento de bloqueadores de puberdade, hormônios e outros procedimentos.

De acordo com o HHS, uma análise de cobranças realizadas entre 2015 e 2025 encontrou quase US$ 50 milhões em pedidos relacionados a bloqueadores de puberdade para pacientes de 9 a 17 anos que usavam códigos de transtornos endócrinos, especialmente o E34.9, correspondente a “transtorno endócrino não especificado”.

O governo afirma que esse código pode ter sido utilizado no lugar de diagnósticos relacionados à disforia de gênero, inclusive em situações nas quais não havia uma doença hormonal identificada.

O relatório também aponta quase US$ 11 milhões em cobranças de bloqueadores para adolescentes de 13 a 17 anos acompanhadas do código E30.1, destinado à puberdade precoce. Para os autores, o uso desse diagnóstico nessa faixa etária é um sinal que exige revisão dos prontuários e das justificativas médicas.

Os próprios autores reconhecem limitações na análise. A idade dos pacientes foi estimada apenas pelo ano de nascimento, os valores representam cobranças registradas — não necessariamente pagamentos efetivos — e os resultados são classificados como “sinais direcionais” que precisam ser confirmados nos documentos originais.

O apêndice relaciona dezenas de hospitais, clínicas e farmácias. O texto ressalta, porém, que a presença de uma instituição na lista significa apenas que ela apresentou pelo menos uma cobrança dentro dos critérios analisados, sem indicar volume ou comprovar fraude.

Incentivos financeiros

O relatório completo afirma que mais de 225 hospitais e sistemas de saúde criaram programas pediátricos de gênero nos Estados Unidos durante a última década.

Segundo o documento, pacientes que iniciam tratamentos hormonais ainda na adolescência podem demandar consultas, exames laboratoriais e medicamentos durante muitos anos. O HHS estima um custo total entre US$ 25 mil e US$ 75 mil ao longo da vida, mesmo sem cirurgias.

Com procedimentos cirúrgicos, a soma poderia se aproximar de US$ 170 mil em determinados casos. O relatório compara esses números com um gasto pediátrico médio anual de aproximadamente US$ 3 mil.

A comparação exige cautela: os US$ 25 mil a US$ 170 mil são estimativas acumuladas ou combinações de procedimentos, enquanto os US$ 3 mil representam apenas um ano de gastos. Valores cobrados e custos de tratamentos também não são, por si só, equivalentes ao lucro obtido por um hospital.

Mesmo assim, o governo Trump sustenta que a possibilidade de acompanhamento prolongado criou incentivos para transformar menores em pacientes permanentes do sistema médico.

Vídeo reforça promessa de responsabilização

Em um vídeo divulgado com o anúncio, Vance aparece ao lado de Kennedy e do secretário assistente de Saúde, almirante Brian Christine.


O vice-presidente afirma que pais procuram médicos porque esperam que o bem-estar dos filhos seja colocado acima de interesses políticos ou financeiros. Segundo ele, quando essa confiança é quebrada, o governo tem obrigação de investigar.

Christine emprega um discurso mais duro, acusa o governo Biden de ter promovido esses tratamentos e afirma que crianças vulneráveis foram submetidas a intervenções profundas apesar das dúvidas sobre evidências, consentimento informado e incentivos econômicos.

Vance encerra dizendo que a administração Trump pretende restaurar o princípio médico de “não causar dano”. Ele ressalva que a maioria dos médicos atua de boa-fé, mas defende punição para profissionais ou instituições que tenham enganado famílias e seguradoras.

Ideologia na medicina

O relatório foi encomendado pelo HHS e adota a expressão normal “procedimentos de rejeição do sexo”. Entidades como a Academia Americana de Pediatria (AAP) e a Associação Médica Americana (AMA) insistem no termo ideológico “cuidados de afirmação de gênero” e reclamam de uma interferência generalizada do governo nas “decisões clínicas”. Gênero não é ciência, mas ideologia. Todo ser humano nasce com sexo, masculino ou feminino. Não é o governo Trump que inventou isso.

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